{"id":31755,"date":"2026-08-06T16:33:14","date_gmt":"2026-08-06T19:33:14","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=31755"},"modified":"2026-07-30T16:18:04","modified_gmt":"2026-07-30T19:18:04","slug":"ia-chegou-ao-marketing-do-varejo-mas-ainda-avanca-pouco-em-estrategia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/ia-chegou-ao-marketing-do-varejo-mas-ainda-avanca-pouco-em-estrategia\/","title":{"rendered":"IA chegou ao marketing do varejo, mas ainda avan\u00e7a pouco em estrat\u00e9gia"},"content":{"rendered":"<p>A intelig\u00eancia artificial j\u00e1 entrou na rotina de boa parte das empresas brasileiras, mas seu uso ainda est\u00e1 longe de representar uma transforma\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica no marketing. No varejo, esse descompasso aparece com for\u00e7a: o setor est\u00e1 entre os segmentos com menor maturidade no uso de IA aplicada ao marketing, segundo a pesquisa \u201cMaturidade da IA no Marketing\u201d, realizada pela ActiveCampaign em <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">parceria<\/a> com a Anamid (Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Mercado e Ind\u00fastria Digital).<\/p>\n<p>O levantamento ouviu 215 empresas, entre contratantes e fornecedores de servi\u00e7os, e avaliou dez segmentos de atua\u00e7\u00e3o. O varejo registrou 48,7 pontos no \u00cdndice de Maturidade Digital (IMD), em uma escala de 0 a 100. O resultado coloca o setor abaixo da m\u00e9dia nacional, de 55,1 pontos, e distante dos segmentos mais avan\u00e7ados, como Tecnologia, com 65,1 pontos; Finan\u00e7as, com 61,2; e Servi\u00e7os Profissionais, com 60,9.<\/p>\n<p>A Sa\u00fade aparece na \u00faltima posi\u00e7\u00e3o, com 36,5 pontos, seguida por Ind\u00fastria, com 45 pontos, e Varejo. O resultado indica que, embora a intelig\u00eancia artificial esteja mais acess\u00edvel, muitos setores ainda utilizam a tecnologia de forma limitada, especialmente em atividades operacionais.<\/p>\n<p><strong>Uso ainda est\u00e1 concentrado em conte\u00fado<\/strong><\/p>\n<p>Um dos principais alertas da pesquisa \u00e9 a diferen\u00e7a entre adotar IA e us\u00e1-la com maturidade. Segundo o levantamento, 90% das marcas contratantes de servi\u00e7os de marketing afirmam utilizar intelig\u00eancia artificial no dia a dia. No entanto, a aplica\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 concentrada principalmente na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, como textos e imagens.<\/p>\n<p>Para Rodrigo Bidinoto, diretor global de vendas da ActiveCampaign, o mercado j\u00e1 superou a barreira do acesso \u00e0 tecnologia, mas ainda enfrenta dificuldades para avan\u00e7ar em usos mais sofisticados. \u201cA pesquisa mostra um cen\u00e1rio de subutiliza\u00e7\u00e3o e falta de capacita\u00e7\u00e3o, especialmente do lado das marcas contratantes. O diagn\u00f3stico mostra que o mercado superou a barreira do acesso, j\u00e1 que 90% das marcas afirmam utilizar a intelig\u00eancia artificial no dia a dia, mas falha no aprofundamento t\u00e1tico\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que muitas empresas usam IA para ganhar produtividade em tarefas pontuais, mas ainda deixam de explorar aplica\u00e7\u00f5es mais estrat\u00e9gicas, como an\u00e1lise preditiva de dados, automa\u00e7\u00f5es complexas, segmenta\u00e7\u00e3o de campanhas e hiperpersonaliza\u00e7\u00e3o da jornada do cliente.<\/p>\n<p>Para o varejo, esse ponto \u00e9 especialmente sens\u00edvel. Em um setor marcado por concorr\u00eancia intensa, margens pressionadas e consumidores cada vez mais h\u00edbridos, a intelig\u00eancia artificial pode apoiar decis\u00f5es sobre relacionamento, ofertas, canais, recorr\u00eancia e comportamento de compra. Mas, para isso, precisa deixar de ser vista apenas como uma ferramenta de cria\u00e7\u00e3o de posts, textos ou imagens.<\/p>\n<p><strong>Falta de treinamento limita avan\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Outro dado relevante do estudo \u00e9 o baixo investimento em capacita\u00e7\u00e3o. Apenas 15% das empresas contratantes possuem programas estruturados de treinamento para o uso de intelig\u00eancia artificial por suas equipes.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio ajuda a explicar por que a ado\u00e7\u00e3o da tecnologia nem sempre se traduz em ganho competitivo. Sem m\u00e9todo, governan\u00e7a e qualifica\u00e7\u00e3o, o uso da IA tende a ficar restrito a iniciativas isoladas, muitas vezes dependentes do interesse individual de alguns profissionais.<\/p>\n<p>Segundo Rodrigo Neves, presidente da Anamid, a presen\u00e7a da intelig\u00eancia artificial nas empresas \u00e9 real, mas ainda desigual.<\/p>\n<p>\u201cO estudo revela um cen\u00e1rio de avan\u00e7o real, mas ainda desigual. A IA j\u00e1 est\u00e1 presente nas rotinas de contratantes e fornecedores, por\u00e9m, sua ado\u00e7\u00e3o ainda se concentra mais em produtividade, automa\u00e7\u00e3o de tarefas e apoio operacional do que em transforma\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica profunda\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Pequenas empresas aparecem \u00e0 frente das grandes<\/strong><\/p>\n<p>O recorte por porte das organiza\u00e7\u00f5es traz um resultado importante para o varejo e para o empreendedorismo. As microempresas, com 1 a 9 colaboradores, lideram o \u00cdndice de Maturidade Digital, com 58,4 pontos. Elas representam 48% da amostra do levantamento.<\/p>\n<p>O \u00edndice cai \u00e0 medida que o porte das empresas aumenta. Organiza\u00e7\u00f5es de 10 a 49 funcion\u00e1rios somam 56 pontos; empresas de 50 a 249 colaboradores registram 52,4; companhias de 250 a 999 profissionais aparecem com 47,8; e grandes corpora\u00e7\u00f5es, com mais de mil funcion\u00e1rios, t\u00eam a menor maturidade da pesquisa, com 44,3 pontos.<\/p>\n<p>Para Neves, empresas menores podem se beneficiar da agilidade para testar e incorporar novas ferramentas. J\u00e1 as maiores enfrentam barreiras relacionadas \u00e0 complexidade organizacional. \u201cEmpresas menores parecem se beneficiar da agilidade para experimentar e incorporar IA rapidamente. Empresas maiores, por sua vez, precisam vencer a complexidade organizacional para transformar experimentos em escala, pol\u00edtica, m\u00e9todo e vantagem competitiva sustent\u00e1vel\u201d, diz.<\/p>\n<p>Bidinoto avalia que a diferen\u00e7a tamb\u00e9m pode estar ligada ao contraste entre maturidade individual e maturidade organizacional.<\/p>\n<p>\u201cNas pequenas empresas, um \u00fanico talento dominando a IA transforma todo o neg\u00f3cio rapidamente. J\u00e1 nas grandes corpora\u00e7\u00f5es, essa habilidade acaba dilu\u00edda pela burocracia\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Desafio do varejo \u00e9 transformar teste em estrat\u00e9gia<\/strong><\/p>\n<p>O resultado da pesquisa sugere que o varejo n\u00e3o est\u00e1 fora da transforma\u00e7\u00e3o digital, mas ainda precisa avan\u00e7ar na forma como incorpora a intelig\u00eancia artificial ao marketing e \u00e0 gest\u00e3o do relacionamento com o cliente.<\/p>\n<p>O desafio n\u00e3o \u00e9 apenas usar ferramentas novas, mas conect\u00e1-las a objetivos claros de neg\u00f3cio. Isso inclui melhorar a leitura de dados, personalizar comunica\u00e7\u00f5es, automatizar jornadas, qualificar atendimento, prever comportamentos e medir resultados com mais precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um mercado no qual consumidores transitam entre loja f\u00edsica, e-commerce, marketplaces, aplicativos, redes sociais e canais de mensagem, a IA pode ajudar empresas a entender melhor cada etapa da jornada. Mas esse potencial depende de treinamento, processos e integra\u00e7\u00e3o com a estrat\u00e9gia comercial.<\/p>\n<p>A pesquisa foi estruturada a partir do Modelo CDE (Continuous Digital Evolution), framework da Anamid que avalia oito dimens\u00f5es organizacionais: Estrat\u00e9gia Digital; Capacidade de Dados e An\u00e1lise; Experi\u00eancia do Cliente; Processos e Opera\u00e7\u00f5es; Cultura Organizacional; Inova\u00e7\u00e3o e Experimenta\u00e7\u00e3o; Colabora\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o; e Presen\u00e7a Digital.<\/p>\n<p>Pela classifica\u00e7\u00e3o do \u00cdndice de Maturidade Digital, empresas entre 30 e 65 pontos est\u00e3o no est\u00e1gio \u201cEnvolvido\u201d. Isso significa que o varejo, com 48,7 pontos, j\u00e1 iniciou sua aproxima\u00e7\u00e3o com a intelig\u00eancia artificial, mas ainda tem espa\u00e7o relevante para evoluir antes de transformar a tecnologia em vantagem competitiva real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa aponta que setor est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia nacional em maturidade no uso da tecnologia, com aplica\u00e7\u00e3o ainda concentrada na cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fados<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":27717,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[933],"class_list":["post-31755","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inovacao","tag-ia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31755\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}