{"id":31850,"date":"2026-10-26T16:07:09","date_gmt":"2026-10-26T19:07:09","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=31850"},"modified":"2026-08-12T14:11:40","modified_gmt":"2026-08-12T17:11:40","slug":"quase-metade-das-empresas-brasileiras-ainda-nao-possui-protocolo-para-investigar-casos-de-assedio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/quase-metade-das-empresas-brasileiras-ainda-nao-possui-protocolo-para-investigar-casos-de-assedio\/","title":{"rendered":"Quase metade das empresas brasileiras ainda n\u00e3o possui protocolo para investigar casos de ass\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de o combate ao ass\u00e9dio ocupar cada vez mais espa\u00e7o nas agendas corporativas, muitas empresas ainda n\u00e3o est\u00e3o preparadas para lidar com o problema quando ele acontece.<\/p>\n<p>Um dos principais indicativos desse cen\u00e1rio \u00e9 que quase metade das organiza\u00e7\u00f5es brasileiras (49%) n\u00e3o possui um <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">protocolo<\/a> espec\u00edfico para investigar casos de ass\u00e9dio moral ou sexual, enquanto 35% ainda n\u00e3o contam com uma pol\u00edtica clara sobre quais medidas adotar quando a den\u00fancia \u00e9 comprovada, segundo dados da Pesquisa Nacional sobre a Maturidade no Combate ao Ass\u00e9dio no Brasil \u2013 Panorama 2026.<\/p>\n<p>A fragilidade tamb\u00e9m aparece dentro das pr\u00f3prias \u00e1reas respons\u00e1veis por garantir a <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">integridade<\/a> das organiza\u00e7\u00f5es. Segundo o levantamento, 42% dos profissionais que atuam no combate ao ass\u00e9dio afirmam sentir algum grau de inseguran\u00e7a no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, um indicativo de que muitas empresas ainda falham em oferecer autonomia, respaldo institucional e prote\u00e7\u00e3o para quem conduz essas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se as empresas ainda enfrentam dificuldades para investigar os casos, os trabalhadores tamb\u00e9m encontram obst\u00e1culos para denunci\u00e1-los. Segundo a KPMG, mais de 30% dos brasileiros afirmaram ter sofrido ass\u00e9dio no \u00faltimo ano. Mesmo assim, 38% permaneceram em sil\u00eancio, e 58% disseram n\u00e3o se sentir seguros para fazer a den\u00fancia.<\/p>\n<p>Embora o cen\u00e1rio ainda seja preocupante, especialistas observam uma mudan\u00e7a importante na forma como o mercado enfrenta o ass\u00e9dio. Se antes o maior desafio era encorajar as v\u00edtimas a denunciar, hoje o foco est\u00e1 na capacidade das empresas de conduzir investiga\u00e7\u00f5es com agilidade, imparcialidade e transpar\u00eancia, al\u00e9m de transformar cada caso em uma oportunidade para prevenir novas ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o mais conscientes dos seus direitos e cada vez mais dispostas a denunciar condutas inadequadas. Isso amplia a responsabilidade do compliance, que precisa garantir investiga\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, imparciais e bem conduzidas, al\u00e9m de assegurar que as medidas adotadas sejam capazes de evitar a repeti\u00e7\u00e3o do problema&#8221;, afirma Rafael Mendes, CRO da LEME Intelig\u00eancia Forense, hub de solu\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia corporativa.<\/p>\n<p>Esse novo momento tamb\u00e9m aumenta a necessidade de ferramentas que deem mais suporte ao trabalho do compliance. Ao centralizar informa\u00e7\u00f5es, monitorar riscos, acompanhar den\u00fancias e organizar investiga\u00e7\u00f5es em um \u00fanico ambiente, essas tecnologias ajudam as empresas a responder com mais rapidez e consist\u00eancia. &#8220;O objetivo \u00e9 produzir intelig\u00eancia capaz de revelar vulnerabilidades que dificilmente chegariam ao conhecimento da alta gest\u00e3o pelos canais tradicionais e trat\u00e1-las com agilidade e de forma estruturada&#8221;, afirma o executivo.<\/p>\n<p>Para Mendes, esse \u00e9 um exemplo de como a tecnologia pode mudar a forma como as empresas enxergam seus pr\u00f3prios riscos: &#8220;Imagine um gestor que, h\u00e1 anos, humilha sistematicamente sua equipe. Sem um canal seguro, os epis\u00f3dios permanecem isolados e nunca chegam \u00e0 alta gest\u00e3o, que conclui que aquele ambiente funciona bem. Quando a empresa implanta um canal independente, online e an\u00f4nimo, diferentes relatos come\u00e7am a revelar um padr\u00e3o de comportamento que antes estava invis\u00edvel. A empresa, por sua vez, finalmente passa a conhecer o problema e pode encaminh\u00e1-lo para uma solu\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a tamb\u00e9m tem acelerado a ado\u00e7\u00e3o de plataformas que transformam dados dispersos em intelig\u00eancia para a tomada de decis\u00e3o. Um exemplo \u00e9 o Farol da Integridade, da LEME, que re\u00fane gest\u00e3o de den\u00fancias, monitoramento de riscos, investiga\u00e7\u00f5es e programas de treinamento. &#8220;O mercado amadureceu. Hoje, n\u00e3o basta ter um programa de compliance no papel. As empresas precisam demonstrar que ele funciona, que os riscos s\u00e3o monitorados e que existe capacidade de resposta quando uma irregularidade acontece&#8221;, diz Mendes.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o permite que as ocorr\u00eancias sejam registradas de forma identificada ou an\u00f4nima e conduzidas por um fluxo estruturado de an\u00e1lise e investiga\u00e7\u00e3o, com todas as etapas centralizadas em um \u00fanico ambiente para acompanhamento e gest\u00e3o dos casos.<\/p>\n<p>&#8220;O canal \u00e9 seguro, confidencial e estruturado para o registro e acompanhamento de ocorr\u00eancias, dando previsibilidade ao processo de apura\u00e7\u00e3o e refor\u00e7ando a confian\u00e7a de que relatos de irregularidades ser\u00e3o tratados de forma adequada. Isso tende a aumentar a confian\u00e7a dos colaboradores e fortalecer a cultura de integridade dentro das organiza\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do canal de den\u00fancias, a tecnologia foi desenvolvida para justamente transformar informa\u00e7\u00f5es dispersas entre diferentes \u00e1reas em intelig\u00eancia para preven\u00e7\u00e3o. &#8220;Dados utilizados de forma inteligente permitem que a empresa tenha uma vis\u00e3o integrada dos riscos, identifique padr\u00f5es de comportamento, acompanhe a evolu\u00e7\u00e3o dos casos e tome decis\u00f5es preventivas com base em informa\u00e7\u00f5es rastre\u00e1veis e audit\u00e1veis&#8221;, afirma o diretor.<\/p>\n<p>Somado a isso, as informa\u00e7\u00f5es geradas passam a subsidiar invent\u00e1rios de riscos psicossociais exigidos pela NR-1 e pelo Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), transformando os relatos em a\u00e7\u00f5es concretas para melhorar o ambiente de trabalho, prevenir passivos trabalhistas e demonstrar a atua\u00e7\u00e3o diligente do empregador.<\/p>\n<p>&#8220;O maior erro \u00e9 acreditar que compliance serve apenas para cumprir uma exig\u00eancia legal. Hoje, ele protege receita, reduz riscos e preserva a reputa\u00e7\u00e3o da empresa&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Por fim, para Rafael Mendes, a tecnologia pode apoiar esse processo, mas n\u00e3o substitui a prepara\u00e7\u00e3o das pessoas. &#8220;Nenhum programa de compliance \u00e9 efetivo se colaboradores, lideran\u00e7as e equipes respons\u00e1veis pelas investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o estiverem preparados para prevenir, identificar e tratar irregularidades&#8221;, afirma. Os n\u00fameros mostram que esse ainda \u00e9 um desafio: 12% das empresas n\u00e3o realizam treinamentos sobre ass\u00e9dio, 25% promovem essas a\u00e7\u00f5es apenas de forma pontual, e 26% dos profissionais respons\u00e1veis por investigar den\u00fancias nunca receberam capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>A LEME levar\u00e1 essa discuss\u00e3o para a ExpoCompliance 2026, que acontece entre os dias 18 e 20 de agosto, no Centro de Eventos S\u00e3o Lu\u00eds, na Consola\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, onde apresentar\u00e1 tamb\u00e9m o Farol da Integridade, plataforma que re\u00fane, entre outros recursos, um m\u00f3dulo de capacita\u00e7\u00e3o voltado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de colaboradores, lideran\u00e7as e equipes de compliance.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tecnologia chega para quebrar o sil\u00eancio nas empresas e aposta na integra\u00e7\u00e3o entre den\u00fancias, gest\u00e3o de riscos e treinamentos para fortalecer a cultura de integridade<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":28994,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[6082],"class_list":["post-31850","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios-e-economia","tag-assedio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31850","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31850"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31850\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}