{"id":32037,"date":"2026-09-16T09:00:56","date_gmt":"2026-09-16T12:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=32037"},"modified":"2026-09-15T14:18:45","modified_gmt":"2026-09-15T17:18:45","slug":"mercado-de-bebidas-aposta-em-tecnologia-para-ampliar-seguranca-contra-falsificacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/mercado-de-bebidas-aposta-em-tecnologia-para-ampliar-seguranca-contra-falsificacoes\/","title":{"rendered":"Mercado de bebidas aposta em tecnologia para ampliar seguran\u00e7a contra falsifica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Autentica\u00e7\u00e3o digital, intelig\u00eancia artificial, rastreabilidade e at\u00e9 propostas para ado\u00e7\u00e3o de testes r\u00e1pidos come\u00e7am a ganhar espa\u00e7o em uma discuss\u00e3o que se tornou urgente no mercado brasileiro de bebidas: como dificultar falsifica\u00e7\u00f5es e permitir que ind\u00fastria, varejo, fiscaliza\u00e7\u00e3o e consumidor tenham mais ferramentas para comprovar a origem do produto.<\/p>\n<p>O movimento ganhou for\u00e7a depois da crise de intoxica\u00e7\u00f5es por metanol registrada no Brasil em 2025. Entre setembro e dezembro daquele ano, foram contabilizadas 890 notifica\u00e7\u00f5es, 73 casos confirmados e 22 mortes, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade reunidos em auditoria do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU). S\u00e3o Paulo foi o epicentro, mas Pernambuco, Paran\u00e1, Mato Grosso, Bahia e Rio Grande do Sul tamb\u00e9m estiveram entre os estados mais afetados.<\/p>\n<p>Quase um ano depois, o n\u00famero de casos deixou de ocupar diariamente o notici\u00e1rio, mas o problema exposto pela crise continua sobre a mesa: at\u00e9 onde \u00e9 poss\u00edvel confiar apenas na apar\u00eancia de uma garrafa para determinar sua proced\u00eancia?<\/p>\n<p>Nesta semana, uma nova tecnologia colocou novamente o tema em evid\u00eancia. A Diageo iniciou nacionalmente a divulga\u00e7\u00e3o do Selo Drink Seguro, solu\u00e7\u00e3o antifraude que permite ao consumidor utilizar a c\u00e2mera do pr\u00f3prio smartphone para verificar a autenticidade do selo presente nas embalagens. O Varejo S.A. <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/novo-selo-transforma-celular-em-ferramenta-de-verificacao-contra-falsificacao-de-bebidas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acompanhou<\/a> o lan\u00e7amento e testou a ferramenta em supermercado e bar.<\/p>\n<p>Para Paula Lindenberg, presidente da Diageo no Brasil, a iniciativa acrescenta uma nova camada de verifica\u00e7\u00e3o em um momento no qual seguran\u00e7a e proced\u00eancia ganharam ainda mais relev\u00e2ncia para o consumidor. \u201cA seguran\u00e7a dos consumidores \u00e9 nossa prioridade absoluta. A qualidade e a proced\u00eancia s\u00e3o garantias hist\u00f3ricas e inegoci\u00e1veis em todos os produtos que saem das nossas f\u00e1bricas. Desde o in\u00edcio deste ano, come\u00e7amos a abastecer o mercado com produtos verific\u00e1veis para que, em breve, todo o portf\u00f3lio da Diageo esteja integrado a essa tecnologia.\u201d<\/p>\n<p>A iniciativa \u00e9 de uma companhia espec\u00edfica, mas se insere em um debate muito mais amplo. A crise do metanol levou \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, entidades, empresas e o pr\u00f3prio Congresso a discutir mecanismos de autentica\u00e7\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o, rastreabilidade e fiscaliza\u00e7\u00e3o de uma cadeia que movimenta bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p><strong>Um mercado de R$ 303 bilh\u00f5es e um problema bilion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>O tamanho do desafio come\u00e7a pela pr\u00f3pria dimens\u00e3o do setor. Segundo o TCU, o mercado brasileiro de bebidas alco\u00f3licas movimenta aproximadamente 12 bilh\u00f5es de litros por ano e gera faturamento de R$ 303 bilh\u00f5es. A auditoria realizada pelo Tribunal entre 2023 e 2025 analisou justamente \u00e1reas como registro, fiscaliza\u00e7\u00e3o, rastreabilidade e coordena\u00e7\u00e3o entre Anvisa, Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Na outra ponta est\u00e1 um mercado ilegal igualmente relevante.<\/p>\n<p>Estudo realizado pela Euromonitor International para a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) estima que as bebidas alco\u00f3licas ilegais tenham movimentado R$ 55 bilh\u00f5es em 2024, o equivalente a 12,7% do segmento. A perda de arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria associada \u00e0s diferentes modalidades de ilegalidade chegou a R$ 28 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre os destilados, 28% do volume comercializado est\u00e1 relacionado a alguma forma de ilegalidade. O n\u00famero, por\u00e9m, exige uma distin\u00e7\u00e3o importante.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa que quase um ter\u00e7o dos destilados vendidos no Brasil seja falsificado. O percentual re\u00fane evas\u00e3o fiscal, contrabando e descaminho, produ\u00e7\u00e3o sem registro e tamb\u00e9m falsifica\u00e7\u00e3o. Quando considerada isoladamente, a falsifica\u00e7\u00e3o responde por 4,7% do mercado de destilados e 1,1% do mercado total de bebidas alco\u00f3licas, segundo a ABBD.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a \u00e9 relevante porque cada modalidade exige respostas distintas. No caso da falsifica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do preju\u00edzo econ\u00f4mico e concorrencial, existe um componente que ganhou uma dimens\u00e3o muito maior depois de 2025: o risco direto \u00e0 sa\u00fade do consumidor.<\/p>\n<p><strong>Quando at\u00e9 a garrafa original pode fazer parte da fraude<\/strong><\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es realizadas durante a crise mostraram tamb\u00e9m que identificar uma bebida falsa pode ser mais complexo do que procurar um r\u00f3tulo mal impresso ou uma tampa diferente da original.<\/p>\n<p>Em outubro do ano passado, uma for\u00e7a-tarefa encontrou, em um galp\u00e3o clandestino na zona leste de S\u00e3o Paulo, cerca de 103 mil vasilhames vazios de gin, vodca e whisky prontos para serem comercializados e reutilizados. No mesmo local, outras 6 mil garrafas com bebidas sem comprova\u00e7\u00e3o de origem foram apreendidas.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio evidencia uma das fragilidades da cadeia: a pr\u00f3pria embalagem leg\u00edtima pode ser reaproveitada para dar apar\u00eancia de original a um produto que n\u00e3o possui a mesma proced\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente esse tipo de pr\u00e1tica que torna a discuss\u00e3o sobre tecnologias de autentica\u00e7\u00e3o mais complexa. N\u00e3o basta apenas reproduzir visualmente um r\u00f3tulo ou uma garrafa. Novas solu\u00e7\u00f5es procuram acrescentar elementos individualizados e mais dif\u00edceis de serem copiados ou reutilizados sem que uma inconsist\u00eancia seja detectada.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por isso, entidades do setor passaram a refor\u00e7ar orienta\u00e7\u00f5es sobre o descarte de embalagens. A ABBD recomenda separar tampa e garrafa, danificar ou remover o r\u00f3tulo e inutilizar o vidro com seguran\u00e7a justamente para reduzir a possibilidade de reaproveitamento por redes ilegais.<\/p>\n<p><strong>Rastreabilidade segue como um dos gargalos<\/strong><\/p>\n<p>A tecnologia, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 apenas uma discuss\u00e3o da iniciativa privada. Na auditoria conclu\u00edda em julho deste ano, o TCU encontrou fragilidades nos mecanismos p\u00fablicos de controle e destacou problemas relacionados \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es entre os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos pontos centrais \u00e9 a rastreabilidade. Segundo o Tribunal, a aus\u00eancia de mecanismos adequados de rastreamento por lote dificulta identificar rapidamente a origem de um produto adulterado e adotar medidas para proteger o consumidor. O diagn\u00f3stico tamb\u00e9m aponta uma atua\u00e7\u00e3o ainda muito baseada em respostas posteriores \u00e0s ocorr\u00eancias, em vez de mecanismos preventivos orientados por risco.<\/p>\n<p>O problema continua aparecendo em opera\u00e7\u00f5es recentes.<\/p>\n<p>Agora, em agosto de 2026, uma fiscaliza\u00e7\u00e3o conjunta do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria e da Pol\u00edcia Civil do Paran\u00e1 apreendeu 14.640 litros de bebida sem registro, em Campo Largo, na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba. Segundo o Mapa, os produtos chegavam ao estabelecimento sem r\u00f3tulos e n\u00e3o apresentavam informa\u00e7\u00f5es que permitissem identificar fabricante, origem ou rastreabilidade.<\/p>\n<p>O caso n\u00e3o significa que aquelas bebidas continham metanol ou necessariamente eram falsificadas. Mas mostra como a dificuldade de reconstruir o caminho percorrido por um produto segue sendo um problema concreto para a fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Do controle da ind\u00fastria para o celular do consumidor<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dentro desse cen\u00e1rio que tecnologias de autentica\u00e7\u00e3o come\u00e7am a acrescentar uma nova camada de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Selo Drink Seguro, apresentado pela Diageo, cada identifica\u00e7\u00e3o possui uma esp\u00e9cie de \u201cimpress\u00e3o digital\u201d \u00fanica, analisada por intelig\u00eancia artificial. S\u00e3o mais de 27 trilh\u00f5es de combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e, segundo a companhia e a Securetrace, respons\u00e1vel pelo desenvolvimento da solu\u00e7\u00e3o, a tecnologia apresenta 99,99% de efic\u00e1cia antic\u00f3pia.<\/p>\n<p>Para o consumidor, a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais simples do que a tecnologia por tr\u00e1s dela. Basta apontar a c\u00e2mera do smartphone para o selo. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio baixar aplicativo nem realizar cadastro. Em poucos segundos, o sistema informa se aquela identifica\u00e7\u00e3o foi validada.<\/p>\n<p>A novidade est\u00e1 justamente em deslocar parte da capacidade de confer\u00eancia para quem est\u00e1 diante da garrafa. Uma verifica\u00e7\u00e3o que normalmente ficaria restrita aos processos internos da ind\u00fastria ou aos mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o passa tamb\u00e9m a estar dispon\u00edvel para consumidor e estabelecimento comercial.<\/p>\n<p>Mas existe um limite importante.<\/p>\n<p>O selo n\u00e3o faz uma an\u00e1lise qu\u00edmica do conte\u00fado da garrafa e n\u00e3o detecta metanol. Ele verifica a autenticidade da identifica\u00e7\u00e3o e funciona como uma camada adicional de seguran\u00e7a relacionada \u00e0 proced\u00eancia e \u00e0 integridade da embalagem.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Segundo a Anvisa, o metanol n\u00e3o possui cor, cheiro ou sabor caracter\u00edsticos e sua identifica\u00e7\u00e3o depende de an\u00e1lise laboratorial. Ou seja, nenhuma autentica\u00e7\u00e3o digital da embalagem deve ser interpretada como substituta dos controles sanit\u00e1rios ou de exames qu\u00edmicos quando houver suspeita de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Autentica\u00e7\u00e3o, rastreabilidade e an\u00e1lise qu\u00edmica, portanto, atacam partes diferentes do mesmo problema.<\/p>\n<p><strong>A discuss\u00e3o j\u00e1 chegou ao Congresso<\/strong><\/p>\n<p>A crise de 2025 tamb\u00e9m provocou uma movimenta\u00e7\u00e3o legislativa em torno dessas diferentes camadas de <a href=\"https:\/\/site.cndl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">prote\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Um dos projetos em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um Sistema Nacional de Rastreabilidade e Autentica\u00e7\u00e3o de Bebidas Alco\u00f3licas Importadas. Apresentado em fevereiro deste ano, o PL 419\/2026 est\u00e1 atualmente na Comiss\u00e3o de Defesa do Consumidor e ainda precisa percorrer outras comiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Outra proposta, o PL 5661\/2025, prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de um Sistema Nacional de Rastreabilidade de Bebidas Destiladas, al\u00e9m de medidas de controle, fiscaliza\u00e7\u00e3o e resposta a emerg\u00eancias envolvendo bebidas adulteradas.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda um projeto que segue por outro caminho tecnol\u00f3gico. O PL 6186\/2025 prop\u00f5e o uso de testes r\u00e1pidos para detec\u00e7\u00e3o preliminar de metanol durante fiscaliza\u00e7\u00f5es. Caso o resultado seja positivo, a proposta prev\u00ea a possibilidade de ado\u00e7\u00e3o imediata de medidas preventivas enquanto an\u00e1lises mais completas s\u00e3o realizadas.<\/p>\n<p>S\u00e3o propostas diferentes e que ainda dependem da tramita\u00e7\u00e3o no Congresso, mas revelam uma mudan\u00e7a importante no debate: depois da crise, a discuss\u00e3o deixou de se restringir \u00e0 puni\u00e7\u00e3o posterior \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o e passou a incluir tamb\u00e9m como identificar, rastrear e reagir mais rapidamente a produtos suspeitos.<\/p>\n<p><strong>Para o varejo, tecnologia tamb\u00e9m significa reputa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Supermercados, distribuidores, bares e restaurantes ocupam uma posi\u00e7\u00e3o especialmente sens\u00edvel nessa cadeia.<\/p>\n<p>S\u00e3o eles que, em grande parte dos casos, fazem a \u00faltima conex\u00e3o entre o produto e o consumidor. Uma fraude cometida muito antes de a bebida chegar ao estabelecimento pode acabar sendo percebida pelo cliente como uma falha daquele ponto de venda.<\/p>\n<p>A proced\u00eancia, portanto, deixou de ser apenas uma quest\u00e3o interna de compras ou compliance. Tornou-se tamb\u00e9m um componente de reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Andr\u00e9 Muller, vice-presidente Comercial e de Varejo da Diageo, o varejo tem papel central nesse processo. \u201cO varejo \u00e9 fundamental porque est\u00e1 diretamente conectado ao consumidor. O selo traz uma camada adicional de confian\u00e7a tanto para quem compra quanto para supermercados, bares e restaurantes, que tamb\u00e9m passam a contar com uma ferramenta simples para verificar a proced\u00eancia dos produtos.\u201d<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria experi\u00eancia acompanhada pelo Varejo S.A. durante o lan\u00e7amento do Selo Drink Seguro mostrou as duas faces dessa utiliza\u00e7\u00e3o. No supermercado, o consumidor conseguiu verificar a identifica\u00e7\u00e3o diante da g\u00f4ndola. No bar, a mesma ferramenta poderia ser utilizada pelos profissionais que recebem e manipulam as bebidas antes de servi-las.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o elimina a responsabilidade de conhecer fornecedores, manter documenta\u00e7\u00e3o fiscal, analisar condi\u00e7\u00f5es de embalagem e estabelecer processos seguros de recebimento. Mas adiciona mais um ponto de confer\u00eancia dentro da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m levou entidades do mercado a lan\u00e7ar o programa Bebida Legal, que oferece treinamento gratuito para profissionais de bares e restaurantes reconhecerem caracter\u00edsticas de produtos aut\u00eanticos, identificarem poss\u00edveis sinais de falsifica\u00e7\u00e3o e refor\u00e7arem a import\u00e2ncia da compra em canais oficiais.<\/p>\n<p>Tecnologia, nesse contexto, funciona melhor quando acompanhada por processo.<\/p>\n<p><strong>Seguran\u00e7a n\u00e3o caber\u00e1 em uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram por que seria precipitado imaginar que um selo, um aplicativo ou um novo sistema de rastreabilidade seja capaz de resolver sozinho um mercado ilegal de R$ 55 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A fraude pode envolver produ\u00e7\u00e3o clandestina, reutiliza\u00e7\u00e3o de garrafas originais, falsifica\u00e7\u00e3o de r\u00f3tulos e lacres, sonega\u00e7\u00e3o, contrabando, distribui\u00e7\u00e3o irregular e comercializa\u00e7\u00e3o por diferentes canais f\u00edsicos e digitais.<\/p>\n<p>A resposta tende, portanto, a ser formada por camadas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ind\u00fastrias investem em autentica\u00e7\u00e3o. Autoridades discutem rastreabilidade e testes mais r\u00e1pidos. \u00d3rg\u00e3os fiscalizadores tentam integrar informa\u00e7\u00f5es. Varejistas refor\u00e7am o controle de fornecedores e recebimento. E o consumidor come\u00e7a a receber ferramentas para participar tamb\u00e9m da verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Muller, o enfrentamento \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o precisa ir al\u00e9m de iniciativas isoladas. \u201cEsse \u00e9 um problema que n\u00e3o pertence a uma \u00fanica empresa ou marca. Quanto mais o mercado conseguir avan\u00e7ar em solu\u00e7\u00f5es que deem seguran\u00e7a e transpar\u00eancia ao consumidor, melhor para toda a categoria. Estamos falando de uma iniciativa que pode abrir uma discuss\u00e3o muito maior dentro do setor.\u201d<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do novo selo da Diageo \u00e9 um exemplo recente desse movimento, n\u00e3o seu ponto final.<\/p>\n<p>A crise do metanol mostrou que, quando uma bebida adulterada chega ao copo, descobrir a origem do problema depois pode ser tarde demais. O desafio agora \u00e9 fazer com que ind\u00fastria, varejo e poder p\u00fablico consigam identificar irregularidades antes que elas cheguem ao consumidor.<\/p>\n<p>E, em um mercado no qual at\u00e9 uma garrafa original pode ser reaproveitada para uma fraude, a seguran\u00e7a tende a depender cada vez menos apenas daquilo que os olhos conseguem enxergar, e cada vez mais da capacidade de autenticar, rastrear e comprovar proced\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7amento do Selo Drink Seguro, da Diageo, amplia debate sobre autentica\u00e7\u00e3o, rastreabilidade e novas camadas de prote\u00e7\u00e3o depois da crise do metanol<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":32040,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70,101],"tags":[566],"class_list":["post-32037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-tendencias","tag-bebidas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32037\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}