{"id":32128,"date":"2026-09-25T10:00:14","date_gmt":"2026-09-25T13:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/?p=32128"},"modified":"2026-09-25T09:15:24","modified_gmt":"2026-09-25T12:15:24","slug":"brasil-chega-a-marca-de-50-milhoes-de-apostadores-em-bets-revela-pesquisa-cndl-spc-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/brasil-chega-a-marca-de-50-milhoes-de-apostadores-em-bets-revela-pesquisa-cndl-spc-brasil\/","title":{"rendered":"Brasil chega \u00e0 marca de 50 milh\u00f5es de apostadores em bets, revela pesquisa CNDL\/SPC Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O\u00a0mercado de apostas esportivas e jogos de azar online, conhecidos popularmente como <em>bets<\/em>, continua em ritmo acelerado de expans\u00e3o no Brasil, mas os <a href=\"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reflexos<\/a> dessa febre digital come\u00e7am a pesar de forma expressiva sobre a economia e o or\u00e7amento das fam\u00edlias. \u00c9 o que revela a nova pesquisa realizada pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), e pelo Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas. que aponta que o pa\u00eds j\u00e1 alcan\u00e7a a marca de 50 milh\u00f5es de apostadores nas capitais (um salto de 10,5 milh\u00f5es de pessoas em rela\u00e7\u00e3o a 2025). O estudo detalha o perfil, os h\u00e1bitos e os impactos financeiros e sociais dessa modalidade de consumo que atinge 36% dos consumidores digitais brasileiros.<\/p>\n<p>O levantamento mostra que o gasto m\u00e9dio mensal com apostas subiu para R$ 213 (chegando a R$ 314 na classe A\/B). Al\u00e9m disso, cerca de 23% dos apostadores admitem ter investido valores que comprometeram sua renda ou seu bem-estar financeiro. O impacto no consumo di\u00e1rio \u00e9 direto: 43% dos apostadores relatam que j\u00e1 abriram m\u00e3o de algum item de consumo, como internet (15%), contas b\u00e1sicas de \u00e1gua, luz e telefone (13%), passeios em fam\u00edlia (12%), vestu\u00e1rio (12%) e alimenta\u00e7\u00e3o fora de casa (12%), para destinar dinheiro aos jogos.<\/p>\n<p>A gravidade da situa\u00e7\u00e3o financeira reflete-se na inadimpl\u00eancia: 25% dos entrevistados afirmam que j\u00e1 deixaram de pagar alguma conta para apostar, e 24% j\u00e1 tiveram o nome negativado por causa de gastos com jogos online. Destes, 11% continuam com o nome sujo. Para piorar o cen\u00e1rio, 28% dos apostadores admitiram ter recorrido ou considerado a\u00e7\u00f5es extremas para conseguir recursos para o jogo, como pegar dinheiro emprestado (12%), vender bens pr\u00f3prios ou da fam\u00edlia sem consentimento (8%) ou utilizar cart\u00f5es de terceiros sem autoriza\u00e7\u00e3o (8%).<\/p>\n<p><strong>O v\u00edcio e os impactos na sa\u00fade mental e nas fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n<p>Mais do que uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, o estudo mostra o avan\u00e7o da depend\u00eancia e os riscos associados ao v\u00edcio. Entre os apostadores, 37% j\u00e1 tentaram parar ou reduzir a frequ\u00eancia dos jogos, mas n\u00e3o conseguiram. A frequ\u00eancia de uso \u00e9 alta: 62% jogam de todos os dias a semanalmente (incluindo 11% que jogam todos os dias), sendo o PIX o principal meio de pagamento (78%).<\/p>\n<p>Os efeitos colaterais extrapolam as finan\u00e7as pessoais: 34% dos apostadores relatam impactos diretos na vida pessoal, destacando problemas de sa\u00fade mental como ansiedade, depress\u00e3o e ins\u00f4nia (11%), conflitos familiares por aus\u00eancia (9%), endividamento (8%), al\u00e9m de advert\u00eancias, suspens\u00f5es ou demiss\u00f5es no trabalho (8%).<\/p>\n<p>A influ\u00eancia negativa tamb\u00e9m atinge os lares com adolescentes: 10% dos entrevistados com filhos de 12 a 18 anos relatam o envolvimento dos jovens com bets, sendo que 70% desses pais observam preju\u00edzos na vida dos filhos, como sinais de v\u00edcio (26%), endividamento (24%) e uso de dinheiro da fam\u00edlia sem autoriza\u00e7\u00e3o (14%). Al\u00e9m disso, o estudo mostra que 49% dos apostadores conhecem algu\u00e9m pr\u00f3ximo que j\u00e1 teve problemas com os jogos online.<\/p>\n<p>Apesar da alta incid\u00eancia de dificuldades, a busca por apoio institucional ainda \u00e9 baixa: embora a procura por ajuda tenha subido de 21% para 30% (com foco em parentes, amigos e grupos de apoio a v\u00edcios em jogos), 69% dos apostadores com dificuldades n\u00e3o buscaram nenhum tipo de suporte especializado.<\/p>\n<p>\u201cO avan\u00e7o vertiginoso das apostas online no Brasil deixou de ser apenas uma quest\u00e3o de entretenimento digital e se transformou em uma grave crise de sa\u00fade p\u00fablica e de desestrutura\u00e7\u00e3o social. Quando o v\u00edcio em jogos passa a comprometer a renda familiar, gerar conflitos profundos nos lares e distanciar os indiv\u00edduos de suas rotinas de trabalho e conviv\u00eancia, fica evidente que estamos lidando com um transtorno comportamental que exige acolhimento cl\u00ednico e terap\u00eautico, e n\u00e3o mera culpabiliza\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o. O cen\u00e1rio atual imp\u00f5e a urg\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas mais rigorosas, campanhas educativas cont\u00ednuas e travas severas de regula\u00e7\u00e3o para conter a livre exposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, em especial dos jovens e adolescentes, a esse modelo predat\u00f3rio de divers\u00e3o\u201d, destaca o presidente da CNDL, Jos\u00e9 C\u00e9sar da Costa.<\/p>\n<p><strong>Regula\u00e7\u00e3o e responsabilidade social<\/strong><\/p>\n<p>Diante do cen\u00e1rio de vulnerabilidade, para 39% dos entrevistados, os jogos online deveriam ser totalmente proibidos. Contudo, a maioria (53%) defende a manuten\u00e7\u00e3o das apostas desde que haja maior regula\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o r\u00edgida (46%).<\/p>\n<p>Entre as medidas apontadas pelos entrevistados como mais eficazes para mitigar os danos causados pelas apostas, est\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o de campanhas educativas sobre os riscos do v\u00edcio (44%), a proibi\u00e7\u00e3o de propagandas estreladas por famosos e influenciadores (43%) e a restri\u00e7\u00e3o de marketing voltado a jovens e adolescentes (36%).<\/p>\n<p>A imagem de celebridades, atletas, influenciadores e artistas que promovem as plataformas \u00e9 vista de forma negativa por 66% da popula\u00e7\u00e3o, evidenciando uma rejei\u00e7\u00e3o crescente ao endosso publicit\u00e1rio desse mercado.<\/p>\n<p>&#8220;Sob a \u00f3tica econ\u00f4mica, a populariza\u00e7\u00e3o em massa das plataformas de apostas representa uma amea\u00e7a concreta \u00e0 estabilidade financeira das fam\u00edlias e \u00e0 pr\u00f3pria din\u00e2mica de consumo do pa\u00eds. Quando uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o recorre a economias essenciais, deixa de honrar compromissos b\u00e1sicos de subsist\u00eancia ou acumula restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito para sustentar o h\u00e1bito de jogar, o resultado direto \u00e9 a escalada da inadimpl\u00eancia e o endividamento cr\u00f4nico. Esse desvio de recursos do consumo produtivo e do pagamento de contas essenciais para o mercado de apostas comprime o poder de compra das fam\u00edlias, enfraquece o com\u00e9rcio e gera um efeito cascata altamente nocivo e real para a economia\u201d, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro J\u00fanior.<\/p>\n<p><strong>METODOLOGIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>P\u00fablico-alvo:<\/strong> Homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econ\u00f4micas, e que realizaram compras pela internet nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9todo de coleta:<\/strong> Pesquisa quantitativa realizada pela web e p\u00f3s-ponderada por sexo, idade, estado e renda.<\/p>\n<p>Foram realizados 939 contatos em um primeiro levantamento para identificar o percentual de pessoas que compraram pela internet nos \u00faltimos 12 meses. Em seguida, continuaram a responder o question\u00e1rio 800 casos, que fizeram alguma compra ao longo deste per\u00edodo. Resultando, respectivamente, uma margem de erro no geral de 3,2 p.p e 3,5\u00a0 p.p para um n\u00edvel de confian\u00e7a de 95% para mais ou para menos<\/p>\n<p><strong>Data de coleta dos dados:<\/strong>\u00a0 25 de maio a 04 de junho de 2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Endividamento e riscos \u00e0 sa\u00fade mental acendem alerta. 25% dos entrevistados j\u00e1 deixaram de pagar alguma conta para apostar, e 24% tiveram o nome negativado<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":31809,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70,2277],"tags":[5482],"class_list":["post-32128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-pesquisa","tag-apostas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}