{"id":4041,"date":"2017-02-07T00:20:29","date_gmt":"2017-02-07T03:20:29","guid":{"rendered":"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/?p=4041"},"modified":"2024-03-07T20:43:09","modified_gmt":"2024-03-07T23:43:09","slug":"afroempreendedorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/afroempreendedorismo\/","title":{"rendered":"Afroempreendedorismo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Abrir o neg\u00f3cio pr\u00f3prio e valorizar sua cultura e ancestralidade \u00e9 o recurso de grupos que investem na economia criativa para incentivar renda entre a popula\u00e7\u00e3o negra.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Estimular a inova\u00e7\u00e3o e a gera\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios de modo a ampliar as oportunidades de trabalho e renda para os negros no Brasil. Essa \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de Afroempreendedorismo, iniciativa que ganha import\u00e2ncia no pa\u00eds promovendo a divulga\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos que valorizam a negritude e as ra\u00edzes da cultura negra no Brasil. Unidos, os afroempreendedores buscam informa\u00e7\u00e3o e conhecimento para tirar suas ideias do papel e fortalecer, a parti r da conquista do seu espa\u00e7o, as pol\u00edticas de combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial no pa\u00eds. N\u00fameros indicam que o afroempreendedorismo j\u00e1 \u00e9 uma realidade. Um levantamento de 2015 do Sebrae baseado na Pesquisa Nacional por Amostras de Domic\u00edlios (Pnad) apontou que, em dez anos, a quantidade de empreendedores negros cresceu 29% no Brasil.<\/p>\n<p>No segmento das micro e pequenas empresas \u2013 aquelas que faturam at\u00e9 R$ 3,6 milh\u00f5es por ano \u2013, o percentual de empres\u00e1rios negros passou de 43% para 49%. O estudo indicou ainda que o Com\u00e9rcio e a Agricultura s\u00e3o os setores que mais t\u00eam propriet\u00e1rios de empresas que se declaram negros (23%). Os demais empreendedores negros est\u00e3o nos setores de Servi\u00e7os (21%), Constru\u00e7\u00e3o (19%) e Ind\u00fastria (10%). Para fomentar o Afroempreendedorismo, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil se uniram ao Coletivo de Empres\u00e1rios e Empreendedores Afro-brasileiros (Ceabra), ao Instituto Adolpho Bauer (IAB) e ao Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).<\/p>\n<p>[sc name=&#8221;img-post-app&#8221; caminho=&#8221;http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/varejo-cidad%C3%A3o.png&#8221; ]<\/p>\n<p>Dessa coopera\u00e7\u00e3o, nasceu o Projeto Brasil Afroempreendedor (PBAE) que, entre 2013 e 2016, contribuiu para o desenvolvimento de mais de 1600 neg\u00f3cios liderados por negros, assegurando oportunidades para a ascens\u00e3o social e o fortalecimento de l\u00edderes negros no com\u00e9rcio. O Projeto deixou outro legado: a organiza\u00e7\u00e3o da Rede Brasil Afroempreendedor (Reafro), associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos respons\u00e1vel atualmente por dar suporte a iniciativas semelhantes no pa\u00eds. A Rede promove encontros, feiras e capacita\u00e7\u00f5es para troca de experi\u00eancias e aprimoramento das pr\u00e1ti cas de gest\u00e3o das empresas lideradas por negros e negras que, por meio do com\u00e9rcio, valorizam culturas e saberes que chegaram ao Brasil s\u00e9culos atr\u00e1s. Segundo a presidente da Reafro, Ruth Pinheiro, a iniciati va nasceu na d\u00e9cada de 1980. O conceito designou o momento em que os empreendedores negros come\u00e7aram a se unir com o objetivo de superar desafios comuns, em especial o da discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO empreendedor negro \u00e9 v\u00edtima de racismo com frequ\u00eancia. Ele n\u00e3o \u00e9 bem recebido nos bancos, n\u00e3o \u00e9 bem aceito pelos clientes, sofre com a falta de confian\u00e7a de s\u00f3cios que subestimam sua capacidade. Essas dificuldades explicam a necessidade de se criar n\u00facleos de orienta\u00e7\u00e3o voltados exclusivamente para o empreendedor negro\u201d, destaca. Jo\u00e3o Carlos Martins preside o Ceabra do estado de S\u00e3o Paulo. Junto da Reafro, a entidade atua na capacita\u00e7\u00e3o de artes\u00e3os, criadores e designers para gest\u00e3o do pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Para ele, o racismo est\u00e1 disfar\u00e7ado na descren\u00e7a do empregador, dos financiadores e at\u00e9 de autoridades governamentais. Aos poucos, por\u00e9m, os grupos vencem o ceticismo, conquistam espa\u00e7o e garantem os recursos necess\u00e1rios para alavancar os neg\u00f3cios: \u201cAinda \u00e9 necess\u00e1rio ao negro, no Brasil, provar sua capacidade a todo mundo, o tempo todo. Mas somos determinados, n\u00e3o desistimos ao esbarrar em qualquer obst\u00e1culo\u201d.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o racial no mundo dos neg\u00f3cios foi abordada em pesquisa realizada entre os participantes do PBAE. O estudo apontou que quase metade dos respondentes (44,5%) j\u00e1 sofreram com manifesta\u00e7\u00f5es de racismo por parte de clientes. De acordo com as lideran\u00e7as das entidades de apoio ao afroempreendorismo, a competitividade dos empreendedores afro-brasileiros \u00e9 afetada por dois elementos, principalmente: al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es cotidianas de discrimina\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m o hist\u00f3rico de exclus\u00e3o dos negros em rela\u00e7\u00e3o a oportunidades de trabalho e estudo.<\/p>\n<p>[sc name=&#8221;img-post-app&#8221; caminho=&#8221;http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/caixa1.png&#8221; ]<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia dessa realidade, a metade negra dos pequenos e microempres\u00e1rios brasileiros n\u00e3o compete em condi\u00e7\u00f5es de igualdade com a metade branca. A dificuldade de acesso a cr\u00e9dito banc\u00e1rio, segundo Ruth Pinheiro, \u00e9 outra justificativa para a cria\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es impulsionadoras do afroempreendorismo. Ela ressalta que, para alavancar os neg\u00f3cios, \u00e9 essencial a qualquer empres\u00e1rio acompanhar as atualiza\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, buscar capacita\u00e7\u00f5es, adquirir mat\u00e9ria-prima de qualidade e manter capital de giro \u2013 e tudo isso exige investimento. \u201cHistoricamente, a popula\u00e7\u00e3o negra tem menor renda.<\/p>\n<p>Poucos tiveram tempo e oportunidade de construir patrim\u00f4nio e por isso ainda s\u00e3o poucos os empreendedores negros que conseguem dar garanti as aos bancos\u201d, explica. Por conta disso, um dos objetivos da Reafro \u00e9 desenvolver projetos e estabelecer parcerias que possibilitem empr\u00e9stimos e opera\u00e7\u00f5es financeiras de cr\u00e9dito para o atendimento direto e indireto aos empres\u00e1rios negros.<\/p>\n<p><strong>EMPREENDEDORISMO E VALORIZA\u00c7\u00c3O CULTURAL<\/strong><\/p>\n<p>[blockquote author=&#8221;&#8221; link=&#8221;&#8221; target=&#8221;_blank&#8221;]O estudo Pesquisa Mulheres e Trabalho, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia Social, revelou que, em 2014, as mulheres negras ainda recebiam 40% a menos que os homens brancos.[\/blockquote]<\/p>\n<div class=\"column one-third column_column\">\n<div class=\"column_attr \">\n<p>Onde se encontram empres\u00e1rios negros, geralmente, h\u00e1 produtos ou servi\u00e7os cuja hist\u00f3ria remonta \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o civilizadora de africanos e de seus descendentes. Essa heran\u00e7a est\u00e1 na moda, na culin\u00e1ria, no artesanato. Ketty Val\u00eancio, Dara Ribeiro e Mariana Mari s\u00e3o empreendedoras que valorizam as ra\u00edzes culturais. Para alavancar as vendas de seus produtos e impulsionar neg\u00f3cios liderados por outras mulheres donas de seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios, elas criaram o Mercado Negra, em 2015. Cerca de 40 expositoras se revezam na organiza\u00e7\u00e3o das feiras, onde s\u00e3o expostos produtos como roupas, acess\u00f3rios, livros, filmes e artigos de papelaria \u2013 a maioria traz estampada a heran\u00e7a da cultura africana. A feira itinerante \u00e9 realizada na capital paulista e j\u00e1 chegou \u00e0 nona edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Iniciativas semelhantes est\u00e3o presentes em capitais como Rio de Janeiro, Salvador, Bras\u00edlia, Porto Alegre, S\u00e3o Paulo e Bel\u00e9m. Turbantes, panos coloridos, refer\u00eancias do sincretismo religioso, artesanato e conhecimentos tradicionais fazem parte dos produtos que s\u00e3o valorizados pela iniciativa de homens e mulheres que enaltecem culturas ancestrais em seus produtos e cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo as fundadoras do Mercado Negra, a ideia surgiu a partir da compreens\u00e3o de que as mulheres negras conviviam com desafios semelhantes, especialmente no que se refere \u00e0 visibilidade do trabalho produzido. Levou-se em conta a realidade das mulheres que trabalhavam na informalidade, tinham criatividade, iniciativa, mas enfrentavam dificuldades para colocar seus produtos no mercado. Organizadas no coletivo, as novas empres\u00e1rias s\u00e3o capazes de minimizar os efeitos da realidade de discrimina\u00e7\u00e3o racial e injusti\u00e7a social apontada, inclusive, pela Pesquisa Mulheres e Trabalho, do Ipea.<\/p>\n<p>[sc name=&#8221;img-post-app&#8221; caminho=&#8221;http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/caixa2.png&#8221; ]<\/p>\n<p>Ketty Val\u00eancio \u00e9 biblioteconomista e dona da Livraria Africanidades, especializada em literatura afro-brasileira e feminista. Ela explica que as mulheres negras que integram o coletivo, normalmente, t\u00eam tripla jornada: s\u00e3o m\u00e3es, administradoras do lar, trabalham fora de casa e tamb\u00e9m querem empreender. \u201cO Mercado Negra torna poss\u00edvel nossa ascens\u00e3o social ao reunir mulheres talentosas, independentes e chefes de fam\u00edlia que desejam progredir. N\u00f3s podemos ser o que quisermos, inclusive empres\u00e1rias de sucesso\u201d, ressalta. Quanto ao nome \u201cMercado Negra\u201d, as fundadoras explicam que se pretendeu fazer um paralelo e dar novo significado \u00e0 express\u00e3o \u201cmercado negro\u201d, associada a algo ruim, ilegal, negativo.<\/p>\n<p>Ketty explica ainda que o Mercado Negra est\u00e1 para al\u00e9m do desejo de lucrar \u2013 tanto que as integrantes do coletivo n\u00e3o se consideram concorrentes\u00a0umas das outras. Segundo ela, as feiras t\u00eam tamb\u00e9m cunho pol\u00edtico e objetivam promover a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira. \u201cOs produtos vendidos no Mercado Negra t\u00eam a ver com a nossa hist\u00f3ria. Hoje, as mulheres est\u00e3o mais interessadas em pol\u00edtica, t\u00eam maior acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, querem valorizar o lugar de onde vieram e quem realmente s\u00e3o. Nosso desejo \u00e9 que cada vez mais mulheres se juntem ao coletivo para fortalecer essa luta.\u201d<\/p>\n<p>Dara Ribeiro \u00e9 propriet\u00e1ria da Eparrei, marca de bolsas, camisetas e acess\u00f3rios que valorizam a cultura afro-brasileira em suas estampas e formas. Ela relata que sua vontade de empreender sempre esteve associada ao desejo de reverter o hist\u00f3rico quadro de dificuldades enfrentadas: \u201cA invisibilidade da mulher negra na moda e no cen\u00e1rio empreendedor sempre me incomodou. Chamo a aten\u00e7\u00e3o para o problema por meio das frases de protesto que estampam as camisetas da minha marca\u201d. Mesmo organizadas no Mercado Negra, as afroempreendoras enfrentam adversidades, especialmente quanto ao espa\u00e7o f\u00edsico para montar a feira. \u201cApesar das parcerias que temos, n\u00e3o \u00e9 sempre que encontramos um lugar f\u00edsico para instalar o Mercado\u201d, lembra Dara. Ainda assim, ela garante: novas edi\u00e7\u00f5es do Mercado Negra ser\u00e3o realizadas este ano.<\/p>\n<div class=\"column one-third column_column\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abrir o neg\u00f3cio pr\u00f3prio e valorizar sua cultura e ancestralidade \u00e9 o recurso de grupos que investem na economia criativa para incentivar renda entre a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":4045,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1836],"tags":[],"class_list":["post-4041","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-marketing-e-vendas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4041","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4041"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4041\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}