{"id":5372,"date":"2017-09-03T13:49:35","date_gmt":"2017-09-03T16:49:35","guid":{"rendered":"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/?p=5372"},"modified":"2024-03-07T20:42:13","modified_gmt":"2024-03-07T23:42:13","slug":"um-retrato-do-empreendedor-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/um-retrato-do-empreendedor-brasileiro\/","title":{"rendered":"Um retrato do empreendedor brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Sonho. Paix\u00e3o. Dedica\u00e7\u00e3o. Resili\u00eancia. Inova\u00e7\u00e3o. Compartilhamento. Empreender pode ter v\u00e1rios significados e caminhos, mas, para transformar uma ideia em neg\u00f3cio, \u00e9 preciso se profissionalizar<\/em><\/p>\n<p>Por Renata Dias<\/p>\n<p>O movimento empreendedor nunca esteve t\u00e3o vivo no Brasil. Na era da conectividade, em que a palavra de ordem \u00e9 compartilhamento, multiplicam-se as formas de empreender e os modelos de neg\u00f3cio s\u00e3o t\u00e3o diversos quanto as ferramentas de capacita\u00e7\u00e3o e financiamento existentes no mercado. O consenso geral \u00e9 que n\u00e3o basta ter uma boa ideia; para ter \u00eaxito, \u00e9 fundamental profissionalizar-se e estruturar um neg\u00f3cio adequadamente. Estamos em um mundo plural, criativo e muito inovador. Se os desafios para empreender s\u00e3o similares a qualquer tipo de neg\u00f3cio, as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o cada vez mais diversas.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa Empreendedores Brasileiros: Perfis e Percep\u00e7\u00f5es, realizada pela Endeavor Brasil, com o aux\u00edlio do IBOPE Intelig\u00eancia, em 2013, \u00e9 not\u00e1vel a forte aspira\u00e7\u00e3o da maioria da popula\u00e7\u00e3o por uma carreira empreendedora: 76% dos brasileiros prefeririam ter um neg\u00f3cio pr\u00f3prio a ser empregados ou funcion\u00e1rios de terceiros. Al\u00e9m disso, empreender \u00e9 considerado um meio de alcan\u00e7ar mais prazer, autonomia e realiza\u00e7\u00e3o profissional e pessoal. O estudo apontou, ainda, que aproximadamente 90% dos brasileiros acreditam que \u201cempreendedores s\u00e3o geradores de empregos\u201d e praticamente todos concordam que \u201cter um neg\u00f3cio pr\u00f3prio \u00e9 assumir responsabilidades\u201d e \u201ccolocar a m\u00e3o na massa\u201d.<\/p>\n<p>Em outra frente, a pesquisa <em>Global Entrepreneurship Monitor <\/em>(GEM), na edi\u00e7\u00e3o 2016, realizada em parceria com o Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), demonstrou que a recupera\u00e7\u00e3o da economia passa, necessariamente, pelo empreendedorismo. Os n\u00fameros apontaram que empreendedores representam 36% da popula\u00e7\u00e3o brasileira entre 16 e 64 anos, ou seja, cerca de 48 milh\u00f5es de brasileiros encararam o desafio de gerir o pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Os mais velhos e os mais novos tamb\u00e9m est\u00e3o procurando mais o empreendedorismo, como alternativa de amplia\u00e7\u00e3o da renda familiar. Se, em 2012, 7% dos empreendedores iniciais tinham mais de 55 anos, em 2016, esse n\u00famero saltou para 10%. J\u00e1 os brasileiros empreendedores entre 18 e 24 anos passaram de 18%, em 2012, para 20% no ano passado.<\/p>\n<p>Nessa mesma edi\u00e7\u00e3o da pesquisa, foi poss\u00edvel verificar que o empreendedorismo por oportunidade voltou a crescer: 75% dos empreendedores nascentes \u2013 aqueles que est\u00e3o envolvidos com a abertura de uma empresa \u2013 est\u00e3o buscando esse caminho porque encontraram um nicho de atua\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m houve uma ligeira melhora na propor\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios por oportunidade \u2013 57,4% em 2016 contra 56,5% em 2015.<\/p>\n<p>Perfil<\/p>\n<ul>\n<li>36% da popula\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o empreendedores<\/li>\n<li>10% empreendedores iniciais t\u00eam acima de 50 anos<\/li>\n<li>20% dos empreendedores iniciais t\u00eam entre 18 e 24 anos<\/li>\n<li>75% dos empreendedores nascentes encontraram um nicho de atua\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>57,4% s\u00e3o novos neg\u00f3cios por oportunidade<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crise \u00e9 oportunidade?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_5374\" style=\"width: 273px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Set_TalkShow_PabloGuterrez.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5374\" class=\"wp-image-5374 size-full\" src=\"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Set_TalkShow_PabloGuterrez.jpg\" alt=\"Set_TalkShow_PabloGuterrez\" width=\"263\" height=\"341\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5374\" class=\"wp-caption-text\">Pablo Guterrers, coordenador nacional da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas Jovem (CDL Jovem)<\/p><\/div>\n<p>A crise econ\u00f4mica que o pa\u00eds atravessa tem papel central nesse movimento e deu um empurr\u00e3o naqueles que sempre quiseram ser seu pr\u00f3prio patr\u00e3o. Para o coordenador nacional da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas Jovem (CDL Jovem), Pablo Guterres, a crise reflete de forma diferente em cada tipo de neg\u00f3cio e abre, sim, oportunidade para os pequenos empres\u00e1rios. Para ele, empreendedor do ramo de decora\u00e7\u00e3o h\u00e1 13 anos, o momento pede estrutura\u00e7\u00e3o para colher os frutos quando o mercado reaquecer. \u201cNa minha \u00e1rea, por exemplo, estamos vendo grandes <em>players<\/em> fecharem e os pequenos, que t\u00eam uma estrutura mais enxuta, est\u00e3o ocupando espa\u00e7os a que antes n\u00e3o conseguiam chegar. Por isso, \u00e9 importante se estruturar durante a crise, porque, quando ela passar, os que aproveitaram esse momento para se qualificar ser\u00e3o beneficiados\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Geovanne Teles, empreendedor da \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, segue a mesma linha e concorda que a crise \u00e9 oportunidade, mas para quem j\u00e1 est\u00e1 no mercado, funcionando como \u201cum purificador de \u00e1gua\u201d. \u201cQuem j\u00e1 est\u00e1 no mercado e est\u00e1 sofrendo com a crise \u00e9 obrigado a se mexer para mudar, investir em novas solu\u00e7\u00f5es, com um olhar mais global que acaba purificando o neg\u00f3cio; a\u00ed, sim, a crise \u00e9 oportunidade. Mas come\u00e7ar um neg\u00f3cio em \u00e9poca de crise pode ser muito mais dif\u00edcil, porque a dificuldade de cr\u00e9dito \u00e9 maior\u201d, avalia. O importante \u00e9 n\u00e3o perder o foco nem desanimar e se qualificar. \u201cN\u00e3o pode esperar o juiz apitar o in\u00edcio da partida para ir colocar a chuteira. N\u00e3o pode esperar, tem que estar pronto, pois, na hora em que o mercado reaquecer, quem estiver pronto sair\u00e1 na frente\u201d, incentiva.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Set_TalkShow_GeovaneTelles-e1504457656909.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5378 size-medium\" src=\"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Set_TalkShow_GeovaneTelles-e1504457656909-225x300.jpg\" alt=\"Set_TalkShow_GeovaneTelles\" width=\"225\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>Geovane Teles, empreendedor da \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong><br \/>\nCapacita\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>N\u00e3o importa se a motiva\u00e7\u00e3o para empreender vem por necessidade ou por vontade. O que importa \u00e9 criar novos caminhos para se profissionalizar. Com a internet, multiplicam-se plataformas que auxiliam na elabora\u00e7\u00e3o de planos de neg\u00f3cios. \u201cNa \u00e9poca em que eu comecei a empreender, em 1991, comecei sozinho, em uma sala pequena, e n\u00e3o tinha acesso a nada. Se quisesse aprender alguma coisa, minha \u00fanica alternativa era sentar em um banco de faculdade. Hoje, existem muitas plataformas de capacita\u00e7\u00e3o, como as oferecidas pela HSM, FDC, Sebrae, com muita facilidade e acess\u00edveis a quem quiser se qualificar\u201d, aponta Teles.<\/p>\n<p>Guterres tamb\u00e9m compara as ferramentas que auxiliam o empreendedor dispon\u00edveis atualmente com as de tempos atr\u00e1s e destaca a import\u00e2ncia do associativismo para passar por esse processo. \u201cEu vivi todas as etapas de um empreendedor. No come\u00e7o, quebrei muito a cara por empreender de forma instintiva, mas quebrar a cara faz parte do processo, por isso \u00e9 t\u00e3o importante se capacitar para minimizar os riscos do caminho. Aprender com pessoas que j\u00e1 passaram por esses desafios faz com que a gente pule etapas de risco\u201d, indica.<\/p>\n<p>Conhecida como \u201ca menina do Vale do Sil\u00edcio\u201d, Isabel Pesce Mattos \u00e9 uma especialista no tema e foi considerada uma das cem pessoas mais influentes pela revista<em> \u00c9poca<\/em> e um entre os 30 jovens mais promissores do Brasil pela revista <em>Forbes<\/em>. Para ela, o empreendedorismo no Brasil est\u00e1 passando por um processo natural de amadurecimento e, cada vez mais, todos os envolvidos no ecossistema empreendedor, incluindo aceleradoras e investidores, t\u00eam aumentado a sofistica\u00e7\u00e3o dos seus aprendizados e a\u00e7\u00f5es. \u201cTemos, sim, um ambiente din\u00e2mico de neg\u00f3cios, mas a quantidade de <em>cases<\/em> de sucesso, principalmente no mundo de <em>start-ups<\/em>, ainda \u00e9 baixa. Tem muita gente trabalhando para mudar isso, mas ainda temos grandes entraves estruturais e comportamentais que nos impedem de subir nesse <em>ranking<\/em>. Na minha concep\u00e7\u00e3o, crise \u00e9 simplesmente a sensa\u00e7\u00e3o de falta de recursos. Em um momento como esse, saber olhar para os recursos que tem, se adaptar rapidamente e resolver desafios pode trazer, sim, \u00f3timas oportunidades\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong><em>Crowdfunding<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>A economia colaborativa ou compartilhada est\u00e1 promovendo uma enorme mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es de consumo em todo o mundo e em diversos segmentos. Servi\u00e7os, entretenimento, transporte, hospedagem e o pr\u00f3prio varejo foram os primeiros setores impactados. Estima-se que esse mercado j\u00e1 movimenta cerca de US$ 15 bilh\u00f5es e que, em 2025, esse volume chegar\u00e1 a US$ 335 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A internet pode ser uma excelente aliada na hora de buscar alternativas de financiamento para realizar projetos que ainda est\u00e3o no papel. Por meio de plataformas colaborativas, muitas pessoas ou equipes j\u00e1 est\u00e3o cadastrando seus projetos e conquistando o apoio de diversos colaboradores para sua realiza\u00e7\u00e3o. Trata-se do chamado <em>crowdfunding<\/em> ou financiamento coletivo.<\/p>\n<p>Os volumes dessas transa\u00e7\u00f5es est\u00e3o t\u00e3o altos que for\u00e7ou a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) a publicar recentemente a Instru\u00e7\u00e3o 588, que, em linhas gerais, estabelece regras para as plataformas de financiamento coletivo. Entre outras medidas, a empresa que recebe o dinheiro do investidor \u00e9 obrigada a implantar uma gest\u00e3o profissional. De acordo com o texto, a regulamenta\u00e7\u00e3o permite que empresas com receita anual de at\u00e9 R$ 10 milh\u00f5es realizem ofertas por meio de financiamento coletivo na internet, sem a necessidade de registro na CVM. A ideia \u00e9 desburocratizar esses investimentos. Al\u00e9m disso, a comiss\u00e3o passou a supervisionar as plataformas e estimular a gest\u00e3o profissional em empresas pequenas e rec\u00e9m-formadas, uma vez que obriga a implanta\u00e7\u00e3o de modelos de <em>compliance<\/em> e governan\u00e7a corporativa.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias plataformas diferentes. No Brasil, destacam-se as de <em>crowdfunding<\/em> em geral e as de nicho. O primeiro tipo inclui <em>sites<\/em> mais amplos que aceitam projetos diversos, enquanto o segundo se divide de acordo com o ramo de neg\u00f3cio. Normalmente, tem-se uma curadoria para avaliar os projetos que podem entrar no <em>site<\/em>. Em seguida, s\u00e3o definidos o prazo de capta\u00e7\u00e3o, a meta financeira e as recompensas (produtos e servi\u00e7os oferecidos para quem apoiar o projeto, de acordo com o valor colaborado). Se o projeto atinge a meta no prazo estipulado, ele \u00e9 considerado bem-sucedido e o realizador recebe o dinheiro. Se n\u00e3o, o valor \u00e9 devolvido aos apoiadores.<\/p>\n<p>O Catarse \u00e9 o primeiro e maior <em>site<\/em> de financiamento coletivo do pa\u00eds. De acordo com os mantenedores, cerca de 422 mil pessoas j\u00e1 apoiaram pelo menos um dos 5.380 projetos financiados pela plataforma, totalizando R$ 66 milh\u00f5es. Bel Pesce j\u00e1 foi beneficiada pela plataforma e garante que o financiamento coletivo serve como uma boa op\u00e7\u00e3o, principalmente para valida\u00e7\u00e3o do produto. \u201cQuem contribui n\u00e3o s\u00f3 garante que ser\u00e1 um dos primeiros a possuir o produto, como tamb\u00e9m passa a fazer parte dessa comunidade de quem ajudou o projeto a existir. Vale lembrar que, na maioria das vezes, quem participa do financiamento coletivo s\u00e3o pessoas que confiam no empreendedor ou que realmente se apaixonam pela ideia de ser um dos primeiros a ter um produto\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica dos novos empreendedores \u00e9 a aposta em espa\u00e7os de <em>coworking<\/em>, que se multiplicam pelo pa\u00eds. Ao p\u00e9 da letra, trata-se de algo produzido com outras pessoas, em conjunto, com contribui\u00e7\u00e3o. A proposta de dividir o mesmo ambiente ultrapassou a premissa de compartilhamento f\u00edsico e foi exponencializada pela troca de servi\u00e7os, ambientes de trabalho mais informais e viabilidade financeira de empreender. S\u00e3o espa\u00e7os com maior flexibilidade de pagamento \u2013 pode incluir um pacote mensal de servi\u00e7os ou pagamento por tempo de uso. S\u00e3o 378 endere\u00e7os ativos no pa\u00eds, de acordo com o Censo Coworking Brasil 2016. O n\u00famero \u00e9 52% maior do que em 2015, um reflexo dos novos empreendedores, representantes de uma gera\u00e7\u00e3o mais fluida e hiperconectada.<\/p>\n<p><strong>A vez delas<br \/>\n<\/strong>A pesquisa GEM 2016 trouxe um dado inovador: pela primeira vez, as mulheres brasileiras est\u00e3o \u00e0 frente dos homens na cria\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios, mas, quando se trata de neg\u00f3cios j\u00e1 estabelecidos, elas mostram presen\u00e7a menor. Segundo o estudo, em 2016, a taxa de empreendedorismo entre os que tinham um neg\u00f3cio com at\u00e9 tr\u00eas anos e meio de exist\u00eancia ficou em 15,4% entre as mulheres e 12,6% entre os homens. A taxa de empreendedores estabelecidos, ou seja, que tocam um neg\u00f3cio h\u00e1 mais de tr\u00eas anos e meio, ficou em 19,6% entre os homens e 14,3% entre as mulheres.<\/p>\n<p>A pesquisa revelou tamb\u00e9m que as mulheres empreendem por necessidade mais frequentemente do que os homens. No grupo feminino, 48% delas afirmaram ter buscado o empreendedorismo porque precisaram; no masculino, esse percentual caiu para 37%. Esse movimento de entrada de mulheres na atividade empreendedora pode ser explicado pela sua necessidade de complementar a renda familiar, visto que, em tempos de crise, o empreendedorismo \u00e9 uma alternativa para v\u00e1rios brasileiros que perderam o emprego ou buscam uma renda extra. No caso das mulheres, a solu\u00e7\u00e3o pode ser mais vi\u00e1vel que um emprego com hor\u00e1rio r\u00edgido, pois muitas precisam cumprir a chamada \u201cjornada dupla\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa do Sebrae tra\u00e7ou, ainda, um perfil dessas mulheres. De acordo com o estudo, 40% delas t\u00eam at\u00e9 34 anos; j\u00e1 entre os homens, esse n\u00famero cai para 36%. Apesar de elas serem mais escolarizadas, ganham menos: 73% recebem at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios-m\u00ednimos, contra 59% do universo masculino. O levantamento tamb\u00e9m revelou que quase metade das empreendedoras iniciais atua em apenas quatro atividades, enquanto a mesma propor\u00e7\u00e3o de homens est\u00e1 concentrada em nove. As mulheres abrem empresas que atuam com servi\u00e7os dom\u00e9sticos, cabeleireiros e tratamento de beleza, com\u00e9rcio varejista de roupas e acess\u00f3rios e servi\u00e7os de buf\u00ea e de comida preparada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas perguntas para Luiza Trajano<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_5379\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Set_TalkShow_LuizaTrajano2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5379\" class=\"wp-image-5379 size-medium\" src=\"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Set_TalkShow_LuizaTrajano2-200x300.jpg\" alt=\"Set_TalkShow_LuizaTrajano2\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5379\" class=\"wp-caption-text\">Luiza Trajano, empres\u00e1ria e tamb\u00e9m dirigente do Grupo Mulheres do Brasil (GMdB),<\/p><\/div>\n<p>O nome de Luiza Trajano \u00e9 unanimidade quando se fala sobre empreendedorismo feminino. Com trajet\u00f3ria singular e \u00e0 frente de uma das maiores redes varejistas do pa\u00eds, a empres\u00e1ria tamb\u00e9m dirige o Grupo Mulheres do Brasil (GMdB), associa\u00e7\u00e3o idealizada por ela e que atua em diversas frentes, como combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial, incentivo ao empreendedorismo feminino, formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, educa\u00e7\u00e3o, cultura, sa\u00fade, entre outras. Ao associar-se com organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e ser interlocutor com atores governamentais, o grupo contribui para a supera\u00e7\u00e3o de desafios, por meio do est\u00edmulo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao empreendedorismo e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na tomada de decis\u00f5es que envolvam toda a sociedade. Confira a conversa que a revista Varejo s.a. teve com ela, exclusivamente sobre empreendedorismo feminino.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua percep\u00e7\u00e3o do mercado para o empreendedorismo feminino?<\/strong><br \/>\nEu acho que a mulher encara mais desafios que o homem. A gente sempre tem que ser mais competente; podemos errar, mas temos que \u201cerrar menos\u201d. Ainda h\u00e1 muita desigualdade no mercado, precisamos falar sobre a diferen\u00e7a de sal\u00e1rios e destacar o esfor\u00e7o das poucas mulheres que est\u00e3o alcan\u00e7ando o topo das suas empresas. Da mesma forma, apesar de termos muitos desafios, acredito que hoje o mercado de trabalho est\u00e1 mais favor\u00e1vel para a mulher. Hoje, o perfil das empresas que d\u00e3o certo tem uma caracter\u00edstica feminina, que \u00e9 a capacidade de escutar. Antes, as empresas funcionavam diferente, de modo mais mec\u00e2nico, todo mundo era tratado apenas como uma pe\u00e7a e hoje n\u00e3o \u00e9 mais assim. Ent\u00e3o, vejo a mulher mais preparada para lidar com essa empresa mais org\u00e2nica. Acho que o mais importante \u00e9 a uni\u00e3o e o equil\u00edbrio para ter sucesso nos neg\u00f3cios. Temos que acreditar que o Brasil depende de todos n\u00f3s, homens e mulheres.<\/p>\n<p><strong>Como encara esse movimento empreendedor crescente no pa\u00eds?<br \/>\n<\/strong>O Brasil \u00e9, por natureza, um pa\u00eds que tem esp\u00edrito empreendedor. Se voc\u00ea olhar e conhecer as hist\u00f3rias de empreendedores pelo pa\u00eds afora, ver\u00e1 muita dedica\u00e7\u00e3o, muito suor e muita certeza dos objetivos do neg\u00f3cio. Acho que o empreendedor precisa ter paix\u00e3o pelo que faz e saber que, em tudo em que nos atiramos, vamos pagar um pre\u00e7o. Al\u00e9m do neg\u00f3cio em si, acho extremamente importante manter o alinhamento com a equipe e foco no cliente.<\/p>\n<p><strong>E a crise econ\u00f4mica, como o varejo pode recuperar-se?<br \/>\n<\/strong>L\u00f3gico que o momento econ\u00f4mico atrapalha, principalmente a pequena e m\u00e9dia empresa, mas o varejo vem se recuperando bem. Voc\u00ea viu os \u00faltimos resultados do semestre do varejo? A gente teve um crescimento, porque o varejo j\u00e1 lidou com tantas crises. \u00c9 sempre esse setor que \u00e9 o primeiro a sofrer, mas tamb\u00e9m o primeiro a reagir, porque a gente aprendeu a reagir assim em outras crises pelas quais passamos. A resili\u00eancia \u00e9 uma caracter\u00edstica do empreendedor brasileiro e eu acho que \u00e9 isso que leva a gente a vencer tantos desafios. Ent\u00e3o, \u00e9 a hora de ter muita determina\u00e7\u00e3o, muito foco na venda, que vai dar tudo certo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sonho. Paix\u00e3o. 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