{"id":8732,"date":"2019-01-04T16:26:53","date_gmt":"2019-01-04T18:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/?p=8732"},"modified":"2024-03-07T20:44:36","modified_gmt":"2024-03-07T23:44:36","slug":"os-sobreviventes-da-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/os-sobreviventes-da-crise\/","title":{"rendered":"Os sobreviventes da crise"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Conhe\u00e7a as estrat\u00e9gias adotadas pelas\niniciativas que escaparam da crise no mercado editorial<\/em><br>\n<br>\nO ano de 2018 se encerrou em meio ao aprofundamento da crise no mercado\neditorial. Duas gigantes do setor, as redes de livrarias Cultura e Saraiva,\nentraram em processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial, deixando uma d\u00edvida de mais de R$\n325 milh\u00f5es com editoras. Nesse cen\u00e1rio, iniciativas que se mantiveram\nindependentes das grandes livrarias conseguiram bons resultados em vendas. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso do clube TAG Experi\u00eancias Liter\u00e1rias, cujo n\u00famero de assinaturas quase duplicou em 2018, de 21 mil para 40 mil. At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, a expectativa de faturamento da empresa era de R$ 26 milh\u00f5es, um crescimento correspondente a 73% em rela\u00e7\u00e3o a 2017. <br> <br>Lan\u00e7ada em 2014, a TAG Experi\u00eancias Liter\u00e1rias atinge dois p\u00fablicos diferentes. \u201cCom a\u00a0caixa de Curadoria, alcan\u00e7amos um leitor mais explorat\u00f3rio, que quer conhecer autores diferentes e, com a caixa de In\u00e9ditos, o leitor que prefere uma literatura mais popular\u201d, diz Arthur Dambros, diretor de Marketing do clube. O lan\u00e7amento da assinatura de In\u00e9ditos, em abril de 2018, contribuiu para o crescimento no ano, levando a um aumento de 15 mil assinaturas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revistavarejosa.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/jan_MovimentoVarejo_Livrarias_Arthur-Dambros-Diretor-de-Marketing-TAG.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8734\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar do sucesso, os clubes de assinatura n\u00e3o devem substituir as livrarias. \u201cN\u00e3o considero a TAG uma concorrente das livrarias, porque s\u00e3o formas de consumo diferentes e complementares. Quando voc\u00ea vai a uma livraria, geralmente j\u00e1 sabe o que vai buscar. A motiva\u00e7\u00e3o do consumidor para assinar o clube de leitura \u00e9 sair da zona de conforto de uma forma divertida. Ent\u00e3o, ele ainda pode usar o varejo tradicional para comprar livros fora do universo do clube\u201d, diz.<br> <br>Com a recupera\u00e7\u00e3o judicial da Cultura e da Saraiva, a editora Boitempo, fundada em 1996, perdeu uma parcela importante do mercado. Ainda assim, suas vendas acumuladas cresceram 28% em quantidade e 19% em valor durante o ano passado. \u201cIsso demonstra que n\u00e3o \u00e9 uma crise do livro e, sim, de gest\u00e3o e de modelo de neg\u00f3cio. Para n\u00f3s, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o, at\u00e9 aqui, para diminuir o ritmo\u201d, afirma Ivana Jenkings, diretora geral da Boitempo. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA\nmaioria das editoras independentes criou nichos e, desse modo, se prepara\nmelhor\u201d, avalia. A Boitempo se consolidou com um p\u00fablico formado em grande\nparte por professores universit\u00e1rios e alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, gradua\u00e7\u00e3o e\nensino m\u00e9dio, assim como militantes pol\u00edticos e dirigentes de movimentos\nsociais. <br>\n<br>\nPara esses leitores, a qualidade \u00e9 fundamental. \u201cBuscamos zelar desde o texto\naos aspectos visuais e qualidade gr\u00e1fica da obra, o que contribuiu de forma\ndecisiva para fidelizar leitores\u201d, destaca. Al\u00e9m de atentar \u00e0 curadoria do\nconte\u00fado, a editora produz edi\u00e7\u00f5es com notas explicativas, \u00edndices onom\u00e1sticos\ne textos complementares. A Boitempo conta tamb\u00e9m com um <em>e-commerce<\/em> pr\u00f3prio e investiu na comunica\u00e7\u00e3o nas redes sociais \u2013 o\ncanal da editora no YouTube ultrapassa cem mil inscritos. <\/p>\n\n\n\n<p><br>A editora Lote 42, fundada em 2012, n\u00e3o foi impactada pela crise gra\u00e7as a uma s\u00e9rie de estrat\u00e9gias, como interromper as vendas para grandes redes assim que os pagamentos come\u00e7aram a atrasar. \u201cN\u00e3o permitimos que a d\u00edvida escalasse a n\u00edveis exorbitantes. Acredito na harmonia nos departamentos das editoras. N\u00e3o d\u00e1 para o setor de vendas ficar vendendo sem uma luz verde do financeiro\u201d, afirma Jo\u00e3o Varella, seu cofundador.<\/p>\n\n\n\n<p>A\nLote 42 conta com <em>e-commerce<\/em> pr\u00f3prio\ne a Banca Tatu\u00ed, espa\u00e7o que inicialmente vendia apenas livros da editora e\ndepois se expandiu para publica\u00e7\u00f5es independentes em geral, de diferentes\neditoras e autores. Al\u00e9m disso, participa de diversas feiras de publica\u00e7\u00f5es\nindependentes pelo pa\u00eds, nas quais o p\u00fablico tem a oportunidade de estar em\ncontato direto com os autores. \u201cA editora tem no seu DNA o contato direto com o\np\u00fablico. Essas feiras transformam a rela\u00e7\u00e3o de consumo em mais do que um mero\nd\u00e9bito-cr\u00e9dito-tchau\u201d, explica Varella. Em setembro de 2018, a editora\ninaugurou a Sala Tatu\u00ed, uma livraria cujo atendimento \u00e9 com hora marcada:\n\u201cNesse formato, o atendimento \u00e9 personalizado\u201d. <br>\n<br>\nVarella acredita que o cerne da crise est\u00e1 no modelo de neg\u00f3cio adotado pelas\ngrandes redes. \u201cN\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que as duas livrarias que resolveram ser\nvarejo de tudo, incluindo eletr\u00f4nicos, s\u00e3o as que pediram recupera\u00e7\u00e3o judicial.\nSe voc\u00ea coloca celulares na livraria, est\u00e1 competindo diretamente com\nvarejistas especializados nisso. N\u00e3o sei se as livrarias sabem lidar com um\nsegmento t\u00e3o r\u00e1pido. Para mim, a culpa, nesse caso, n\u00e3o \u00e9 do livro\u201d, avalia. <br>\n<br>\nAinda assim, o fundador da Lote 42 acredita que o livro f\u00edsico dever\u00e1 se\ntransformar nos pr\u00f3ximos anos: \u201cPara mim, o livro ser\u00e1 \u2013 se j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 \u2013 o\nprimeiro ex-meio de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Vai virar algo mais segmentado. As\npessoas j\u00e1 leem bastante no WhatsApp, no Facebook. O impresso vai precisar\nprovar por que merece ser impresso, o que ele faz de diferente de um texto que\npoderia ser lido em PDF. Imprimir um livro vai ter um significado mais\nespecial\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a as estrat\u00e9gias adotadas pelas iniciativas que escaparam da crise no mercado editorial\ufeff<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":8733,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1836],"tags":[],"class_list":["post-8732","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-marketing-e-vendas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8732\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cndl.org.br\/varejosa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}