15 out, 2026
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O varejo não perde para o digital no preço, perde na experiência

O lojista deve investir no preparo da sua equipe de vendas

Envato
Sua empresa já usa IA. Você só não sabe onde

Há uma crença que precisa ser desfeita no varejo brasileiro: a de que a loja física perde para o e-commerce por causa do preço. Depois de mais de duas décadas desenvolvendo equipes comerciais no Brasil, tenho convicção de que não é o preço que esvazia uma loja. É a experiência de compra — e, dentro dela, o vendedor.

Quando um cliente entra em uma loja e é recebido com indiferença, o preço vira o único critério que sobra. Sem atendimento que agregue valor, não há motivo para pagar um centavo a mais do que ele pagaria em uma tela. O varejista que compete apenas por preço já entrou em uma guerra que o digital quase sempre vence. Mas o varejo físico tem um ativo que nenhum marketplace consegue replicar: uma pessoa, olhando nos olhos de outra, capaz de entender o que ela realmente precisa.

O problema é que boa parte do varejo ainda trata o vendedor de loja como tirador de pedido e em alguns casos, como um mal necessário. Alguém que aponta a prateleira, informa o preço e opera o caixa. Enquanto o papel do vendedor for esse, o e-commerce fará o mesmo com mais rapidez e menos atrito. O vendedor de loja só se torna insubstituível quando deixa de informar e passa a orientar.

Como especialista e palestrante de vendas, acompanhando redes varejistas de diferentes portes e segmentos, percebo um padrão claro. As lojas que crescem de forma consistente não são as que têm o melhor ponto ou o menor preço. São aquelas em que o time de vendas foi treinado para conduzir uma conversa, entender a real necessidade de quem entrou e transformar uma visita em relacionamento.

Isso muda três números que todo dirigente lojista acompanha.

Muda a taxa de conversão, porque um vendedor preparado transforma mais visitantes em compradores, sem depender de promoção. Muda o ticket médio, porque quem entende a necessidade do cliente recomenda o complemento certo, e não empurra qualquer item. E muda a recorrência, porque cliente bem atendido volta — e volta perguntando pelo vendedor que o atendeu, não pela loja.

Nas minhas palestras de vendas, costumo dizer que o varejo físico não compete com o digital no terreno do digital. Compete no terreno humano, que é onde tem vantagem. O consumidor de hoje já chega à loja informado: pesquisou preço, comparou modelos, leu avaliações, muitas vezes consultou ferramentas de inteligência artificial antes de sair de casa. Se ele saiu de casa mesmo assim, é porque quer algo que a tela não deu: confiança, orientação, a segurança de estar fazendo a escolha certa. O vendedor que apenas repete a informação que o cliente já tem no bolso desperdiça a única vantagem que a loja física ainda possui.

Trato desses temas com frequência no Podcast de Vendas do Diego Maia, que apresento diariamente desde 2009 (o programa é publicado diariamente a partir das 7h em todos os tocadores de áudio). Uma ideia que repito muito é que atendimento não é simpatia. Ser cordial é o mínimo. Atender bem no varejo é fazer as perguntas certas, escutar mais do que falar e conduzir o cliente a uma decisão que ele não conseguiria tomar sozinho com a mesma segurança. Simpatia encanta por um instante. Competência de venda fideliza por anos.

Existe ainda um erro comum na gestão de loja: investir pesado em vitrine, fachada, iluminação e mix de produtos, e quase nada no preparo de quem vai receber o cliente lá dentro. É como montar um restaurante impecável e não treinar a cozinha. O ponto atrai o cliente uma vez. Quem faz o cliente voltar é a experiência — e a experiência, no varejo, tem nome, crachá e é construída no balcão.

Depois de mais de 1.800 palestras realizadas desde 2003, continuo convencido de que o varejo brasileiro tem no seu time de vendas o maior ativo subaproveitado que existe. A tecnologia avança, o comportamento do consumidor muda, os canais se multiplicam. Mas uma coisa permanece constante: as pessoas continuam comprando de pessoas. E, no varejo, essa pessoa é o vendedor.

Por isso, quando um lojista me pergunta onde deveria investir para vender mais sem depender de desconto, respondo sempre da mesma forma: no preparo da sua equipe de vendas. É o investimento com o maior retorno e o mais difícil de ser copiado pela concorrência — seja ela física ou digital.

Onde tem venda, tem vida.

Diego Maia é palestrante de vendas, escritor com oito livros publicados e fundador da CDPV Companhia de Palestras

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