Marcas próprias avançam no Brasil e se consolidam como frente estratégica do varejo alimentar
Mudança de percepção do consumidor e maior integração entre indústria e comércio impulsionam o desenvolvimento das private labels no país
Envato
A transformação no comportamento do consumidor brasileiro tem redesenhado a dinâmica do varejo alimentar. Mais atento ao que consome e menos propenso a priorizar marcas tradicionais, o público passou a incorporar com maior frequência as marcas próprias, impulsionando um movimento de expansão no setor de alimentos e bebidas.
À medida que cresce a disposição dos clientes para testar novas opções, o novo padrão de consumo se sustenta em decisões mais criteriosas aliadas à percepção de qualidade e de um bom custo-benefício. Diante dessa diversificação, produtos de marca própria já fazem parte de 34% dos lares brasileiros, como indicam dados da empresa líder mundial em inteligência sobre o consumidor NielsenIQ.
“Observamos um consumidor mais atento e mais exigente, que avalia com mais profundidade o que compra. As marcas próprias avançam porque conseguem responder a esse novo nível de expectativa com consistência, unindo qualidade a preço competitivo”, afirma Polliana Claudino, Gerente de Projetos da Anuga Select Brazil, a principal feira da indústria de alimentos e bebidas da América Latina.
O avanço do segmento acompanha uma evolução do próprio varejo. Redes ampliaram investimentos em desenvolvimento de produtos, inovação e posicionamento, o que elevou o padrão das marcas próprias e expandiu sua presença em diferentes categorias, inclusive nas de maior valor agregado.
O contexto econômico recente contribuiu para acelerar esse processo. A inflação e a pressão sobre o poder de compra estimularam a busca por alternativas mais competitivas e incentivaram a experimentação. A permanência desses produtos no carrinho indica um movimento mais duradouro.
Em países europeus, as marcas próprias superam 30% das vendas no varejo alimentar. No cenário nacional, a participação permanece em patamar inferior, o que evidencia uma margem significativa para crescimento nos próximos anos. “O avanço das marcas próprias no Brasil revela um movimento estrutural. Há espaço relevante para expansão, especialmente quando analisamos outros mercados”, ressalta Polliana.
A integração do mercado
A evolução desse segmento passa pela aproximação entre elos da cadeia. Para acelerar conexões entre indústria, varejo e fornecedores, a Anuga Select Brazil se une à feira pioneira do setor de marcas próprias, a Private Label Brazil, na edição de 2026. Integradas, elas vão reunir, entre os dias 7 e 9 de abril, no Distrito Anhembi, em São Paulo, empresas e profissionais de supermercados, atacadistas, varejistas, redes de food service e hotelaria. A parceria busca contribuir para melhorar a eficiência, qualificar negociações e ampliar a capacidade de resposta às demandas do consumidor.
“Este é o momento ideal para essa aproximação porque o mercado de marcas próprias no Brasil vive uma fase de expansão, ainda com enorme potencial de crescimento quando comparado a mercados mais maduros, como o europeu. Ao integrar as duas plataformas, criamos um ambiente mais robusto para geração de negócios”, aponta Giulio Rossi, diretor da Private Label Brazil.
Como a construção de valor das marcas próprias exige consistência para uma nova leitura de mercado, a forma como o setor estrutura suas estratégias se redefine, como acrescenta Polliana. “Ao reunir os principais players de alimentos, bebidas e marcas próprias, a iniciativa reduz barreiras históricas e cria um espaço mais dinâmico para negociação, inovação e desenvolvimento de novos produtos”, conclui.
Com a integração entre as feiras, o setor dá um passo importante na direção da consolidação de uma parceria que ultrapassa os muros do evento, com potencial não só para refletir o momento das marcas próprias no Brasil, mas também contribuir para acelerar sua próxima fase de crescimento.

