19 out, 2026
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Um em cada quatro deixa contas sem pagar e 24% ficam negativados por causa de apostas

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que gastos com jogos online avançam sobre compromissos financeiros e mantêm parte dos apostadores com o nome restrito

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Um em cada quatro deixa contas sem pagar e 24% ficam negativados por causa de apostas

O dinheiro destinado às apostas online já compromete o pagamento de despesas de uma parcela relevante dos jogadores brasileiros. Um em cada quatro apostadores, o equivalente a 25%, afirma ter deixado alguma conta sem pagar para utilizar os recursos em jogos. Além disso, 24% relatam já ter ficado com o nome negativado por causa dos gastos com apostas.

Os dados fazem parte da pesquisa “Apostas Online: entre o prazer do jogo e o risco financeiro”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas.

Os resultados mostram que, para parte dos consumidores, as apostas deixaram de ocupar apenas o espaço reservado ao lazer e passaram a concorrer diretamente com obrigações do orçamento. Quando o pagamento de uma conta é adiado para financiar novas jogadas, o impacto pode continuar mesmo depois do encerramento da aposta.

Além do valor originalmente devido, atrasos podem gerar juros, multas e restrições de crédito. Assim, uma tentativa de obter ganhos rápidos pode resultar em um problema financeiro mais duradouro, especialmente quando as perdas são acompanhadas por novas apostas na expectativa de recuperar o dinheiro.

Negativação continua para parte dos jogadores

Entre os apostadores que tiveram o nome negativado em razão dos jogos, 13% afirmam ter regularizado a situação, enquanto 11% ainda permanecem com restrições.

A diferença mostra que as consequências financeiras não terminam necessariamente quando o consumidor reduz ou interrompe as apostas. Mesmo depois de parar de jogar, ele pode precisar reorganizar o orçamento, negociar dívidas e recuperar o acesso ao crédito.

A negativação também interfere em outras dimensões da vida financeira. A restrição pode dificultar a contratação de empréstimos, o parcelamento de compras, a obtenção de cartões e o acesso a determinados serviços. Para o comércio, o avanço desse tipo de endividamento representa ainda uma redução da capacidade de consumo das famílias.

O cenário se torna mais preocupante diante do crescimento dos valores movimentados. O gasto médio mensal com apostas chegou a R$ 213 em 2026, alta de aproximadamente 14% em relação aos R$ 187 registrados no ano anterior.

Ao mesmo tempo, 23% dos jogadores reconhecem já ter apostado quantias que comprometeram sua renda ou seu bem-estar financeiro. Outros 43% dizem ter aberto mão de algum consumo cotidiano para direcionar dinheiro às plataformas.

Jogo passa a disputar espaço com despesas essenciais

Contas básicas, como água, energia elétrica e telefone, estão entre os gastos afetados. A pesquisa mostra que 13% dos apostadores já deixaram de destinar recursos a esse tipo de compromisso para continuar jogando.

A frequência das apostas amplia o risco de perda de controle. Entre os jogadores, 62% acessam as plataformas ao menos uma vez por semana, incluindo aqueles que apostam diariamente ou duas a três vezes por semana.

Nesse contexto, depósitos isolados podem parecer pequenos, mas se acumular ao longo do mês. A facilidade para movimentar recursos também contribui para tornar a decisão mais imediata: o PIX é utilizado por 78% dos apostadores.

Os números indicam que o impacto das apostas precisa ser observado não apenas pelo valor perdido nas plataformas, mas também pelas obrigações que deixam de ser cumpridas. Quando o jogo provoca atraso de contas e negativação, a consequência ultrapassa o momento da aposta e passa a comprometer decisões financeiras futuras.

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