Quase metade da Geração Z não controla as próprias finanças: como reverter esse cenário?
Especialista da Recovery analisa o comportamento dos jovens e aponta a importância da educação financeira nessa fase da vida
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Segundo a pesquisa realizada pela CNDL/SPC Brasil sobre Geração Z, 47% dos jovens com idades entre 18 e 24 anos não organizam suas finanças pessoais. O principal motivo apontado foi a falta de conhecimento (19%), a preguiça (18%), falta de hábito (18%) ou não ter rendimentos (16%). O tema se mostra ainda mais relevante diante do aumento de endividamento nessa idade que, segundo o Relatório Cidadania Financeira do Banco Central, dobrou em oito anos.
“Podemos apontar diversos fatores que contribuem para esse cenário, como o acesso a crédito, o consumismo incentivado pelas redes sociais e principalmente a falta de educação financeira e orientação nessa fase da vida. Outro ponto é que essa geração vive um momento de juros altos e custo de vida crescente que também adiam essa independência financeira e o interesse no assunto”, explica Camila Poltronieri Flaquer, Head de Cobrança Digital (B2C) da Recovery.
O letramento financeiro é essencial para preparar uma pessoa para a vida adulta. Esse contato com o tema pode começar dentro de casa, com incentivo às decisões mais conscientes, esclarecimentos sobre a diferença entre desejo e necessidade, e a criação de hábitos financeiros saudáveis. O assunto também deve ser debatido dentro das escolas na formação de estudantes responsáveis com seu consumo.
O impacto da tecnologia
A tecnologia facilitou a entrada das pessoas no sistema financeiro, mas organizar os custos de vida continua sendo um desafio. “Hoje existem planilhas e até mesmo aplicativos de celular que ajudam nesse controle, oferecem relatórios, categorizam seus gastos e auxiliam na gestão de renda e despesas. Apesar disso, a barreira desse público não está na ferramenta, mas na complexidade das informações”, orienta Camila.
A geração Z é considerada nativa digital, o que facilita o seu acesso a conteúdos sobre os mais diversos assuntos. Ainda assim, muitos não conseguem aplicar esse conhecimento no dia a dia e transformar o que se aprende em bons hábitos financeiros. Para a especialista, o ambiente digital pode gerar uma falsa sensação de domínio sobre essas questões, favorecendo a ansiedade diante do excesso de informações e da necessidade constante de tomar decisões financeiras.
Também tem a questão emocional que pode comprometer a forma com que uma pessoa lida com dinheiro. Um exemplo é o FOMO (fear of missing out), que representa o medo de perder uma boa oportunidade. Muito comum entre os jovens e impulsionado pelas redes sociais, esse gatilho impacta diretamente na capacidade de tomar decisões conscientes.
“O caminho para transformar a relação dos jovens com o dinheiro é desmistificar o conceito de que a educação financeira é complexa. Encontrar formas de ensinar essa geração que dinheiro envolve escolhas, prioridades, mas que também viabiliza a busca de sonhos”, conclui Camila.

