Por que a Geração Z já não quer ficar anos na mesma empresa
Busca por mobilidade e crescimento acelerado faz jovens profissionais priorizarem experiências mais flexíveis e pressionarem empresas a rever modelos
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A relação da Geração Z com o trabalho vem se afastando dos modelos tradicionais baseados em estabilidade e permanência de longo prazo. Segundo levantamento da SideHustles.com, 47% dos trabalhadores em tempo integral consideram mais vantajoso financeiramente trocar de emprego do que permanecer na mesma posição. E entre profissionais da Geração Z e da área de tecnologia, o comportamento de movimentação frequente entre empresas é ainda mais comum, acompanhado de maior incidência de aumentos salariais.
A tendência é confirmada pela experiência de especialistas em carreira. “Existe uma mudança importante na forma como a nova geração enxerga carreira. O vínculo emocional com a empresa perdeu força diante da busca por desenvolvimento acelerado e novas experiências profissionais”, afirma Fernando Pedro, diretor-geral da Assigna, empresa do Talenses Group especializada em staff loan.
Segundo a terceira edição do Engaja S/A, realizado pela FGV-EAESP, em parceria com Talenses Group e Flash, 60% dos profissionais da geração Z afirmaram se sentirem desengajados ou ativamente desengajados em relação aos seus significados do trabalho. Por significado do trabalho, foram considerados critérios como autonomia (liberdade para realizar o trabalho que o jeito do profissional); equipes pequenas e empoderadas com poder de decisão; fit com perfil (habilidade e competência que se encaixem com o trabalho); tempo para projetos pessoais; impacto (contribuição para algo que impacta a empresa e/ou além dela).
Esse cenário vem pressionando empresas a rever modelos de contratação, retenção e gestão de talentos. Estruturas mais flexíveis, capazes de combinar agilidade operacional com demandas por autonomia e mobilidade profissional, ganham espaço no mercado. Nesse contexto, o modelo de staff loan surge como alternativa para organizações que precisam acessar competências especializadas de forma mais dinâmica.
Para o executivo, o avanço dessa mudança de comportamento exige adaptação das companhias. “As empresas ainda foram estruturadas para modelos de permanência mais longos, mas a lógica atual é muito mais fluida. Modelos flexíveis permitem equilibrar competitividade e maior mobilidade profissional”, diz.
Na avaliação de Fernando, a tendência deve se intensificar nos próximos anos, principalmente em setores mais ligados à inovação e tecnologia. “As novas gerações buscam relações profissionais mais alinhadas aos seus objetivos de vida e desenvolvimento. Empresas que entenderem essa mudança e conseguirem oferecer flexibilidade e possibilidade de evolução terão mais capacidade de atrair e reter talentos”, conclui.

