07 jan, 2026
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Janeiro Branco expõe impacto da saúde mental na produtividade e nos custos das empresas

Campanha marca início do ano com alerta sobre adoecimento emocional, afastamentos recordes e a necessidade de prevenção contínua no ambiente de trabalho

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Janeiro Branco a importância da prevenção da saúde mental no ambiente de trabalho

A campanha Janeiro Branco chega a 2026 em meio ao avanço dos transtornos emocionais e dos afastamentos no trabalho. Segundo a OMS, depressão e ansiedade causam perdas globais de US$ 1 trilhão por ano em produtividade. No Brasil, os transtornos mentais estão entre as principais causas de licenças médicas prolongadas. O tema ganha urgência na saúde pública e nas empresas.

Para Rodrigo Araújo, CEO da Global Work, o momento reforça que a saúde mental deixou de ser um tema restrito ao indivíduo e passou a impactar diretamente a sustentabilidade das empresas. “Quando a organização só olha para a saúde emocional após o afastamento, ela já está lidando com o prejuízo. A prevenção reduz custos invisíveis e protege o desempenho do negócio”, afirma.

A campanha, tradicionalmente associada a reflexões pessoais no começo do ano, ganha dimensão corporativa à medida que os indicadores de absenteísmo e queda de produtividade se intensificam. Levantamentos do Ministério da Saúde mostram que os transtornos de ansiedade afetam cerca de 9,3% da população brasileira, índice superior à média global, com reflexos diretos no ambiente de trabalho e na capacidade de entrega das equipes.

Adoecimento emocional deixa de ser tema privado

O debate proposto pelo Janeiro Branco evidencia que o sofrimento psíquico não se limita à esfera individual. Estudos da Organização Internacional do Trabalho apontam que problemas de saúde mental estão entre os principais fatores associados ao presenteísmo, situação em que o profissional permanece ativo, mas com desempenho reduzido. Esse fenômeno eleva custos operacionais e compromete resultados de médio e longo prazo.

Nos últimos anos, empresas que negligenciaram o tema passaram a enfrentar aumento de rotatividade, elevação de despesas assistenciais e maior dificuldade para reter talentos. Em contrapartida, organizações que estruturaram programas preventivos registraram redução de afastamentos e melhora nos indicadores de engajamento.

Prevenção como estratégia de gestão

Rodrigo Araújo avalia que o Janeiro Branco cumpre um papel importante de visibilidade, mas alerta para o risco de ações pontuais. “A saúde mental precisa estar no planejamento anual, com indicadores claros e acompanhamento contínuo. Não se trata de campanha, mas de gestão”, diz.

Entre as práticas que vêm ganhando espaço estão o monitoramento sistemático do absenteísmo, o acesso facilitado a apoio psicológico, a capacitação de lideranças para lidar com riscos psicossociais e a integração entre saúde física e emocional. Essas medidas passaram a ganhar relevância após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que incluiu oficialmente os riscos psicossociais nos programas de saúde e segurança do trabalho.

Do discurso à rotina corporativa

O desafio para as empresas é transformar o alerta do Janeiro Branco em ação permanente. Pesquisas do Fórum Econômico Mundial indicam que cada dólar investido em programas de saúde mental pode gerar retorno médio de quatro dólares em produtividade e redução de afastamentos. Ainda assim, grande parte das organizações brasileiras atua de forma reativa, sem protocolos estruturados ou métricas claras.

Ao colocar dados econômicos e impactos operacionais no centro da discussão, a campanha amplia sua relevância para além do simbolismo. O cuidado com a saúde mental passa a ser entendido como um fator de competitividade e sustentabilidade, integrando definitivamente a agenda estratégica das empresas.

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