Mais de um quarto do volume de pagamentos domésticos no Brasil ocorre online ou em aplicativos, aponta estudo da Visa
Participação do volume de pagamentos online e em aplicativos era de 17% em 2019; parcela de cartões que realizam dez ou mais pagamentos online por mês também mais que dobrou desde 2018
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Os pagamentos realizados online e em aplicativos já representam 26% do volume de pagamentos domésticos no Brasil, ante 17% em 2019, uma alta de 9 pontos percentuais, ou 53% em termos relativos. É o que mostra um novo estudo da Visa Business and Economic Insights (VBEI), que analisa o avanço da chamada “economia do sofá”: a tendência de consumidores realizarem cada vez mais atividades do dia a dia por canais digitais, de compras pelo celular e gestão de assinaturas a streaming e delivery.
O levantamento, intitulado “The Great Indoors: How the Couch Economy Is Redefining Consumer Spending Habits”, analisa dados agregados e anonimizados de transações da VisaNet em seis mercados: Austrália, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Polônia e Reino Unido. O estudo mostra como conveniência, digitalização e maior familiaridade com canais online estão transformando hábitos de consumo.
“O crescimento da economia do sofá reflete uma mudança mais ampla no comportamento do consumidor, que vai muito além do comércio eletrônico. À medida que a tecnologia continua reduzindo atritos nas atividades cotidianas, os consumidores passam a priorizar a conveniência, direcionando mais gastos para canais digitais, serviços de assinatura e plataformas de entrega. Os dados indicam que o brasileiro incorporou o digital à rotina, mantendo as experiências presenciais como parte importante de seus hábitos. O e-commerce deixou de ser apenas uma alternativa e se consolidou como um canal complementar no dia a dia”, afirma Tiago Moherdaui, vice-presidente da Visa Consulting & Analytics.
Pagamentos digitais se tornam mais frequentes no Brasil
Além de ganhar participação no volume de pagamentos, o uso recorrente dos canais digitais também cresceu no país. Em 2018, 3,7% dos cartões ativos no Brasil realizavam dez ou mais pagamentos online ou em aplicativos por mês. Em 2026, essa proporção chegou a 8,1%, equivalente a 2,2 vezes o patamar de 2018. O avanço indica que os canais digitais passaram a ocupar espaço mais frequente na rotina de consumo, à medida que atividades antes realizadas em lojas podem ser concluídas pelo celular, como compras, contratação de serviços e gestão de assinaturas. Não se trata apenas de mais pessoas comprando online, mas de maior recorrência desse comportamento.
Esse comportamento também altera a dinâmica para as empresas. Com a decisão de compra cada vez mais próxima dos aplicativos e plataformas que os consumidores já utilizam, experiências de checkout ágeis, confiáveis e integradas ganham relevância para atender às expectativas de conveniência.
Da ida ao cinema ao streaming na sala de casa
O movimento vai além das compras. Nos seis mercados analisados, incluindo o Brasil, a parcela de cartões com gastos em streaming e TV por assinatura supera a parcela associada a cinemas e shows. Mesmo após a retomada das atividades presenciais, essa relação se manteve, indicando que o entretenimento em casa passou a ocupar um espaço recorrente nos hábitos de consumo.
Segundo o estudo, esse movimento amplia a disputa pela atenção do consumidor dentro de casa e transforma a dinâmica do setor de entretenimento. Modelos de receita recorrente, como assinaturas, ganham importância ao lado das experiências presenciais.
Conveniência conecta diferentes hábitos de consumo
Mudanças no estilo de vida também ajudam a compor esse cenário. O estudo utiliza os gastos regulares em estabelecimentos voltados a pets como indicador aproximado da presença de animais de estimação nos lares. No Brasil, a análise identifica crescimento nessa categoria entre 2019 e 2026, embora em ritmo mais moderado do que em alguns dos demais mercados avaliados.
Consideradas em conjunto, essas tendências indicam uma expectativa crescente por experiências convenientes e integradas ao cotidiano. Para os estabelecimentos comerciais, o cenário reforça a relevância da presença em aplicativos, de jornadas simples de checkout, da entrega eficiente, de programas de fidelidade e de ofertas personalizadas. Para emissores, o estudo aponta maior relevância do engajamento digital recorrente, da gestão de assinaturas e de benefícios ligados às rotinas de consumo.
“A ‘couch economy’ não significa que as pessoas necessariamente ficam mais em casa, mas que um número crescente de atividades pode ser realizado a partir de casa. Enquanto mercados como os Emirados Árabes Unidos apresentam crescimento mais acelerado na adoção das compras online, o Brasil segue uma trajetória mais gradual. Os dados sugerem que o mercado brasileiro está avançando da fase de adoção para uma etapa de maior consolidação”, afirma Moherdaui.
Metodologia
A análise da Visa Business and Economic Insights é baseada em dados agregados e anonimizados de transações da VisaNet e examina tendências de consumo em seis mercados: Austrália, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Polônia e Reino Unido. O estudo avalia o engajamento dos consumidores em comércio digital, serviços de assinatura, delivery e outras categorias associadas ao consumo realizado a partir de casa. Para a análise relacionada a pets, utiliza-se como indicador aproximado a parcela de cartões domésticos com gastos regulares em estabelecimentos do segmento. Salvo indicação em contrário, as análises de dados da VisaNet apresentadas no estudo consideram transações realizadas com credenciais Visa de crédito, débito e pré-pago.

