Tendências e Inovação

O jogo da vez

A procura por jogos analógicos impulsiona a criação de empreendimentos com foco na experiência e na confraternização livre do mundo virtual

Enquanto o mercado de jogos digitais segue em aceleração, em paralelo, outro nicho cresce e mostra que tem espaço para todos os gostos: os jogos de tabuleiro. A mudança de comportamento do consumidor que busca por confraternização desconectada do mundo virtual justifica o crescimento. Essa demanda impulsionou as vendas de jogos e negócios relacionados. Neste mundo, a criatividade é sem limites!

Eventos, casas de jogos, lojas especializadas, locadoras, produtoras e até restaurantes voltados para o segmento pipocam nas capitais. Nos últimos cinco anos, o total de editoras de jogos saltou de três para 30 no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), os jogos de tabuleiro representam 8,9% das vendas de brinquedos, o que gera um faturamento por volta de R$ 600 milhões por ano.

São jogos de diferentes naturezas, que exigem estratégia e imaginação. Apesar de analógicos, podem ser muito sofisticados, com acessórios, materiais inovadores e até extensão para celulares, requisitos que garantem uma maior imersão na história. Ainda assim, jogos clássicos, como War e Banco Imobiliário, continuam no páreo.

Ideais para quem quer se desconectar do mundo virtual e se envolver mais com quem está ao redor, os jogos de tabuleiro têm conquistado muitos aficionados e inspirado empreendimentos inovadores, que parecem ir na contramão do mundo totalmente tecnológico e apontam para uma tendência de mercado.

Harmonizando jogos

Jogos de tabuleiro podem ser jogados por duas pessoas ou grupos grandes. Pensando nesse público agregador, comerciantes têm investido especialmente nele. É o caso do Carcassone Pub, de Brasília, um bar e restaurante que oferece um cardápio variado também de jogos. São 250 títulos na prateleira da casa, que garantem novas experiências e a fidelidade dos clientes.

Fábio Lopes e sua esposa e sócia, Salimar Morais, abriram o Carcassone com os cem jogos da prateleira de casa. Como eles identificaram que a gastronomia é um setor muito forte na cidade, resolveram agregar os dois cardápios: jogos e comida. Hambúrgueres, petiscos, refil de refrigerante, cervejas artesanais e opções para veganos são a entrada para as partidas.

Quem quer jogar paga o passaporte de R$ 52,90 (com R$ 10 de desconto nas terças e quartas-feiras) para ter livre acesso aos jogos. A carta da casa conta com jogos tradicionais, como xadrez, e lançamentos importados. Lopes destaca os títulos Dixie, Game of Thrones e Zombicide como os mais pedidos. O jogo Carcassone, que dá nome à casa, também é destaque: “Escolhemos este nome por causa do jogo, que adoramos, e da cidade medieval francesa”.

Não só de um espaço para jogar vivem esses empreendimentos. O atendimento faz a diferença, segundo ele. Como um serviço de maître, os funcionários indicam os jogos mais adequados para a realidade da mesa, a partir dos objetivos, tempo e perfil das pessoas. “Nossa equipe é treinada não apenas para explicar os jogos de forma didática, mas também para ter a sensibilidade de oferecer opções que combinem com o grupo”, explica.

Ganhando pontos no mercado

Há seis anos em funcionamento, o Carcassone dobrou de tamanho desde a inauguração e espera um crescimento entre 12% e 15% neste ano. O diferencial dos jogos no restaurante eleva o tempo de permanência dos clientes para cerca de 4h30, o que faz o sistema de reservas ser essencial. Lopes conta que recebe 60 pessoas por dia, em média, de um público muito diversificado. “No começo, vinham jovens de 18 a 25 anos. Hoje, também recebemos famílias com pais, avós, crianças”, compara.

O local, com decoração inspirada na era medieval, oferece diferentes ambientes. Há poltronas, pufes, variados tipos de mesa e salas mais reservadas para grupos. Isso torna o Carcassone adaptável para os diferentes públicos e propósitos, como aniversários, despedidas de solteiro e encontros. “Tem até gente que vem aqui para um primeiro encontro com pessoas de aplicativos. Acredito que os jogos ajudam a quebrar o gelo e a aproximar as pessoas”, afirma.

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