TOP 300 do varejo brasileiro movimentam R$ 1,3 trilhão e maioria cresce acima da inflação
Levantamento do IRTT mostra que 77,1% das empresas com vendas comparáveis avançaram acima da inflação em 2025
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As 300 maiores empresas do varejo brasileiro movimentaram R$ 1,3 trilhão em vendas em 2025, revelando não apenas o tamanho das principais companhias do setor, mas também a capacidade de crescimento de boa parte delas em um ambiente econômico desafiador. Segundo o Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro 2026, produzido pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), as empresas reunidas no levantamento respondem por aproximadamente 48% do varejo brasileiro.
Um dos dados que mais chama atenção está no desempenho de quem possui números comparáveis. Entre as 227 empresas do ranking com informações de vendas disponíveis para 2024 e 2025, 77,1% cresceram acima da inflação. Na prática, são 175 companhias. Apenas 9,3% apresentaram retração no período. Considerando esse mesmo universo de empresas, as vendas avançaram 8,6%.
O resultado reforça uma característica apontada pelo próprio estudo: mesmo diante de juros elevados, endividamento das famílias e incertezas econômicas, parcela expressiva das grandes redes conseguiu preservar uma trajetória de expansão.
E o cenário encontrado em 2025 segue relevante quando confrontado com os indicadores mais recentes do comércio.
Crescimento continua moderado em 2026
O Panorama do Comércio de agosto de 2026, elaborado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mostra que tanto o comércio varejista quanto o varejo ampliado registraram crescimento de 1,9% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Em junho, diante de maio, o varejo restrito avançou 0,5%, enquanto o ampliado recuou 1%.
Ao mesmo tempo, algumas das principais restrições ao consumo permanecem. A taxa Selic está em 14% ao ano, mesmo após o início do ciclo de redução dos juros, enquanto o IPCA acumulava alta de 4,4% em 12 meses até julho. O indicador de confiança do consumidor, acompanhado pela Fundação Getulio Vargas e destacado pelo Panorama, estava em 88,3 pontos, ainda abaixo da faixa de neutralidade.
A situação financeira das famílias acrescenta outra camada de pressão. Em julho, o Brasil atingiu 75,08 milhões de consumidores inadimplentes, o maior contingente já registrado pelo indicador da CNDL e do SPC Brasil. O número corresponde a 44,75% da população adulta brasileira.
Os indicadores de 2026 não são diretamente comparáveis ao crescimento registrado pelas empresas do ranking em 2025, já que se referem a períodos e universos diferentes. Eles ajudam, porém, a dimensionar o ambiente em que o varejo segue operando: expansão das vendas, mas em ritmo moderado, crédito ainda caro e uma parcela elevada dos consumidores com dificuldades financeiras.
Escala e capacidade de investimento fazem diferença
Nesse contexto, o desempenho das grandes redes evidencia como escala, acesso a capital, tecnologia e capacidade de gestão podem aumentar a resistência das empresas a períodos econômicos mais adversos.
O próprio IRTT aponta que as maiores varejistas combinam capacidade de investimento em tecnologia, escala operacional, cultura de inovação e transformação digital, foco estratégico e acesso a capital a custos mais competitivos. A combinação cria vantagens importantes justamente em momentos nos quais há menos espaço para crescimento apenas pela expansão do consumo.
Não significa, porém, que todas as grandes empresas cresceram no mesmo ritmo. O resultado médio esconde trajetórias bastante diferentes entre segmentos.
Entre as empresas com dados comparáveis, o foodservice foi o setor de maior crescimento em 2025, com avanço de 16,7%. Na sequência aparecem óticas, joias, bijoux, bolsas e acessórios, com 13,6%, e drogarias e perfumarias, com 13%.
Moda, calçados e artigos esportivos cresceram 8,6%, enquanto eletromóveis e supermercados, hipermercados, atacarejo e conveniência avançaram 8,4% cada. Outros segmentos registraram alta de 7,6% e material de construção, de 6,3%.
Na outra ponta, lojas de departamento, artigos do lar e mercadorias em geral avançaram somente 2%, mostrando como setores mais expostos ao crédito e à compra de bens de maior valor continuam sujeitos a um ambiente mais difícil.
O movimento ajuda a explicar também o peso crescente das atividades ligadas ao consumo recorrente. Supermercados, hipermercados, atacarejo e conveniência concentram 53,2% das vendas das TOP 300, enquanto drogarias e perfumarias respondem por outros 14,9%.
Carrefour lidera ranking e RD Saúde avança para terceiro lugar
No topo do ranking, o Grupo Carrefour Brasil manteve a liderança, com vendas de R$ 123,6 bilhões em 2025, crescimento de 2,5% na comparação anual.
O Assaí aparece em segundo lugar, com R$ 84,7 bilhões e expansão de 5,2%. A principal mudança entre as primeiras colocações veio da RD Saúde, que cresceu 13,9%, atingiu R$ 47,6 bilhões e avançou para a terceira posição.
Com R$ 47,5 bilhões, o Magazine Luiza ficou em quarto lugar, enquanto o Grupo Boticário, com R$ 38,1 bilhões, completa as cinco maiores empresas do varejo brasileiro.
Na sequência aparecem Grupo Mateus, Grupo Casas Bahia, Natura&Co, Supermercados BH e Grupo Pão de Açúcar. As dez maiores somaram R$ 485,4 bilhões em vendas, enquanto somente as cinco primeiras alcançaram R$ 341,6 bilhões.
Entre as integrantes do top 10 com dados comparáveis, o avanço mais expressivo veio do Supermercados BH, com crescimento de 20,9% e vendas de R$ 25,7 bilhões. O Grupo Mateus também se destacou, avançando 18,2%, para R$ 35,6 bilhões.
Os dois casos ajudam a revelar outro movimento importante do varejo brasileiro: empresas regionais e companhias posicionadas fora das primeiras colocações vêm aumentando de tamanho e ganhando relevância. Esse avanço, inclusive, está reduzindo gradualmente a concentração das vendas nas maiores empresas do país.
206 varejistas já faturam mais de R$ 1 bilhão
Outro indicador mostra como o grupo das maiores redes ganhou escala. Das 300 empresas presentes no levantamento, 206 registraram vendas de pelo menos R$ 1 bilhão em 2025.
Juntas, as companhias mantêm 82.775 pontos de venda, enquanto as 236 empresas que forneceram informações sobre seus quadros de pessoal somam aproximadamente 1,7 milhão de colaboradores.
O tamanho, porém, não elimina os desafios. Pelo contrário. Com um consumidor mais endividado, juros ainda em patamar elevado e vendas do comércio avançando de forma moderada em 2026, eficiência operacional, produtividade e capacidade de identificar novas oportunidades tendem a permanecer no centro das decisões das varejistas.
O Ranking TOP 300 mostra que uma parcela expressiva das maiores empresas conseguiu fazer isso em 2025. Mais do que o R$ 1,3 trilhão movimentado pelo conjunto das companhias, o fato de quase oito em cada dez empresas com dados comparáveis terem crescido acima da inflação indica que o grande varejo encontrou caminhos para avançar mesmo em um ambiente pouco favorável.
A questão agora é quanto dessa capacidade de crescimento poderá ser mantida em 2026 diante de um mercado que continua avançando, mas ainda convive com crédito caro, confiança baixa e um contingente recorde de consumidores inadimplentes.

