23 ago, 2026
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A Copa Feminina está chegando. O seu negócio está pronto?

A expectativa é de que aproximadamente 2 milhões de pessoas circulem pelas cidades-sede durante o torneio

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A Copa Feminina está chegando. O seu negócio está pronto

Após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, redes sociais e veículos de comunicação passaram a repercutir relatos de comerciantes com estoques encalhados: camisetas, bandeiras e outros produtos que não venderam como o esperado. O cenário revelou uma frustração compartilhada em diferentes regiões do país, com pequenos lojistas que apostaram no torneio e terminaram com mercadorias paradas nas prateleiras.

Mas há uma virada nessa história que muita gente ainda não percebeu. Esse mesmo estoque pode ser exatamente o que falta para aproveitar a próxima grande oportunidade do varejo brasileiro: a Copa do Mundo Feminina, que o Brasil sediará em 2027. O problema pode virar oportunidade para quem souber se preparar a tempo.

O torneio acontece entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, com jogos em oito cidades: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). A aprovação, em junho de 2026, da lei que estabelece as regras para a realização do torneio no país encerrou as principais indefinições regulatórias. Com isso, o planejamento pode avançar desde agora com segurança.

Segundo estudo da FGV Projetos encomendado pela Embratur e divulgado em julho deste ano, a competição deve movimentar cerca de R$ 8,8 bilhões na economia brasileira. O valor é praticamente o dobro do impacto gerado, em conjunto, pelos dez maiores eventos esportivos recorrentes do país em 2025. A expectativa é de que aproximadamente 2 milhões de pessoas circulem pelas cidades-sede durante o torneio, enquanto a FIFA projeta a presença de 3 a 4 milhões de torcedores e visitantes estrangeiros ao longo do evento.

O perfil desse público também importa para quem vende. Pesquisa Visa-Embratur de 2025 mostra que quase metade dos turistas internacionais que visitam o Brasil são mulheres, com permanência média de 11 dias e gasto médio de US$ 1.317 por viagem, concentrado em compras, gastronomia e atividades culturais. É um consumidor disposto a gastar, que vai circular, principalmente, nas cidades onde os jogos acontecem.

O varejo que se preparar com antecedência pode colher os frutos que a Copa Feminina traz. O que se preparar tarde vai observar de fora. E essa preparação não significa só ter o produto certo na prateleira. Significa oferecer alternativas para aceitar o cartão do turista internacional sem fricção, ter meios de pagamento que funcionem para quem não tem CPF e oferecer uma experiência de compra que não trave na hora do pagamento.

Os dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) durante a Copa Masculina de 2026 mostram o tamanho do que está em jogo. Nos jogos do Brasil, bares e casas noturnas chegaram a crescer 86% em relação ao domingo equivalente do ano anterior. O e-commerce avançou em praticamente todas as partidas, mesmo quando o varejo físico recuou. E o Pix, que respondia por menos de 21% das vendas nos bares em 2025, chegou a 35,5% durante a final — um salto de quase 15 pontos percentuais em um ano, segundo o ICVA. O consumidor que vai à Copa paga rápido, paga por aproximação, paga pelo celular. O lojista que não aceita essa diversidade de pagamentos não perde só a venda, perde o cliente para o concorrente que aceita.

Vale lembrar que o período do torneio deve vir acompanhado de feriados, ajustes no calendário escolar e pontos facultativos, o que significa mais fluxo de pessoas nas ruas por mais dias e não só nos dias de jogos do Brasil. Para o varejo, isso é uma janela de venda, não de descanso. A Copa de 2014 ensinou isso. Os Jogos de 2016 reforçaram. A Copa Feminina de 2027 vai cobrar de novo.

Para os lojistas das oito cidades-sede, a oportunidade é óbvia e imediata. Mas ela não para por aí. A tendência é que visitantes aproveitem a viagem para conhecer outros destinos nacionais, ampliando os benefícios econômicos para diferentes regiões do país. Quem está fora das cidades-sede também tem uma razão para se mexer.

Quem ficou com estoque parado depois da Copa tomou um susto, mas pode estar diante de uma oportunidade sem saber. Guardar até 2027 é uma boa decisão. Mas o estoque guardado sem operação preparada é metade do caminho. A outra metade consiste em se preparar desde já.

*Adriana Garbim é VP Comercial da Cielo

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