15 set, 2026
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Brain rot: futilidade e atrofia mental definem a “palavra Oxford do ano”

Expressão referente ao “apodrecimento mental” causado por conteúdos

Shutterstock
Mindset global deixou de ser diferencial para se tornar necessidade indispensável

Em uma votação pública anual promovida pela Oxford University Press, “brain rot” foi eleita como a Palavra Oxford do Ano de 2024. Segundo os promotores do levantamento, que teve mais de 37 mil contribuições, brain rot é definido como “a suposta deterioração do estado mental ou intelectual, especialmente como resultado do consumo excessivo de material (agora particularmente conteúdo online) considerado trivial ou pouco desafiador”.

A revista Super Interessante regista que outras cinco palavras finalistas foram: “lore” (história de alguém), “demure” (pessoa modesta e reservada), “romantasy” (misto de romance e fantasia), “dynamic pricing” e “slop” (conteúdo de mau gosto gerado por IAs, que roda a internet apesar da falta de qualidade).

Segundo os pesquisadores da OUP, o termo campeão aumentou em frequência de uso em 230% entre 2023 e 2024. E há quem o escreva da maneira correta (brain rot – separado), e aqueles que escrevem tudo junto “brainrot”. Há ainda quem confunda o rot (com a letra r), como hot (que remete a quente, em inglês) e busque por “brain hot”.

“Nossos especialistas notaram que brain rot ganhou nova proeminência este ano como um termo usado para capturar preocupações sobre o impacto do consumo excessivo – de quantidades excessivas – de conteúdo online de baixa qualidade, especialmente nas mídias sociais”, consta no anúncio da “palavra do ano” da Oxford.

Origem do termo brain rot

O texto lembra que a primeira ocorrência registrada de ‘brain rot’ é de 1854, no livro Walden, em que Henry David Thoreau narra suas experiências de viver um estilo de vida simples. Como parte de suas conclusões, Thoreau critica a tendência da sociedade de desvalorizar ideias complexas, o que seria um indicativo de declínio geral no esforço mental e intelectual: “Enquanto a Inglaterra se esforça para curar a podridão da batata, ninguém se esforçará para curar a podridão do cérebro – que prevalece de forma muito mais ampla e fatal?”, dizia o escritor.

A jornalista Leslie Katz, da Forbes, avalia que o uso da expressão entre os internautas é feito de forma menos pejorativa e com humor. Contudo, ela enfatiza que “a fadiga de telas no trabalho”, pode gerar sobrecarga, danos à saúde e alta rotatividade nas empresas.

A Forbes também menciona que “brain rot” entrou na lista final para a palavra do ano de 2024 do Dictionary.com, embora o termo “demure” (recatado) tenha conquistado o título. A popularidade dessa palavra disparou após o vídeo influencer Jools Lebron no TikTok, aconselhando as mulheres a serem “muito cuidadosas e modestas” no ambiente de trabalho.

Interfaces e algoritmos degradam cognição

Dancinhas no TikTok, exposição da rotina pessoal e outros conteúdos irrelevantes tendem a comprometer a capacidade cognitiva se conjugados com o formato de navegação e os mecanismos de impulsionamento.

Um relatório do Newport Institute menciona, por exemplo, como a rolagem contínua (doomscrolling) esvazia a intencionalidade, cria ansiedade e falta de resiliência. O direcionamento de notícias com alta carga emocional também agrava comprometimentos à saúde mental.

Entre as crianças e jovens, os efeitos, conforme as linhas de corte por idade, são mais preocupantes. Pediatras, psicólogos e neurocientistas são praticamente unânimes em descartar o uso de dispositivos eletrônicos por crianças de até três anos.

Segundo especialistas, esses produtos concorrem por recursos mentais na hora em que o indivíduo mais precisa deles para se desenvolver. Para os jovens, mais significativo do que o tempo diante da tela, a navegação limitada a ambientes caracterizados por imediatismo e superficialidade anula até o potencial da internet e da tecnologia para o aprendizado.

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