04 fev, 2026
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Carnaval para muitos, consumo para poucos: só 25% pretendem gastar em 2026

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil revela que a folia seguirá intensa, mas a movimentação econômica ficará concentrada em uma parcela específica da população

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Carnaval para muitos, consumo para poucos só 25% pretendem gastar em 2026

O Carnaval de 2026 deve manter ruas cheias, blocos lotados e intensa circulação de pessoas, mas o impacto econômico da festa tende a ser mais restrito do que a imagem de celebração generalizada costuma sugerir. Segundo a pesquisa “Intenção de Consumo Carnaval 2026”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, apenas 25% dos brasileiros pretendem gastar com produtos ou serviços específicos para o período.

Na prática, isso significa que cerca de 41,4 milhões de consumidores devem movimentar algum valor durante o Carnaval, enquanto a maioria da população participará das festas sem realizar gastos adicionais relevantes. O dado aponta para um cenário de participação massiva, mas consumo seletivo, marcado por cautela financeira e escolhas mais contidas.

Festa garantida, gasto controlado

Entre os consumidores que afirmam que vão gastar, a disposição para aproveitar o Carnaval é alta: 88% pretendem participar de alguma festividade. No entanto, o perfil das celebrações reforça um comportamento mais econômico. Reuniões com amigos e familiares (48%) lideram as preferências, seguidas por blocos de rua (41%) e festas em clubes, boates ou baladas (26%).

A predominância de eventos gratuitos ou de baixo custo ajuda a explicar por que a participação na folia não se traduz automaticamente em maior consumo. O Carnaval segue como expressão cultural forte, mas com adaptação ao orçamento disponível.

Entre os que planejam gastar, o consumo está praticamente garantido: 95% pretendem comprar produtos e 88% contratar serviços exclusivamente para o período. Ainda assim, trata-se de um grupo específico, com comportamento distinto do restante da população.

Os itens mais consumidos reforçam um padrão de gasto funcional e imediato, concentrado em alimentação e bebidas, enquanto os serviços mais contratados estão ligados à experiência urbana, como bares, restaurantes e transporte particular. O perfil indica que o dinheiro circula, mas em circuitos bem delimitados.

Indecisão abre espaço para decisões de última hora

Apesar da intenção média de gasto estimada em R$ 1.096, a pesquisa revela um dado estratégico para o comércio: 48% dos consumidores que pretendem gastar ainda não sabem quanto vão desembolsar. A indefinição sugere que boa parte do consumo pode acontecer de forma impulsiva ou concentrada nos dias mais próximos da festa.

Esse comportamento tende a beneficiar setores que operam com conveniência, imediatismo e apelo emocional, como alimentação fora do lar, bebidas e serviços de mobilidade.

A restrição do consumo também reflete a desigualdade econômica. Enquanto as classes A e B concentram a maior intenção de gastar mais do que no ano anterior, as classes C, D e E lideram a intenção de reduzir gastos. O dado evidencia que o Carnaval de 2026 será vivido de forma muito diferente a depender da renda disponível.

A festa é coletiva, mas o consumo não.

Um Carnaval menos expansivo para o comércio

O retrato que emerge da pesquisa é de um Carnaval vibrante do ponto de vista cultural, mas menos expansivo economicamente. O consumo existe, mas está longe de ser generalizado. Para o varejo e o setor de serviços, o desafio será captar a atenção de um público menor, porém disposto a gastar e fazê-lo em um ambiente de alta concorrência e decisões de última hora. O Carnaval para muitos está garantido. O consumo, no entanto, será para poucos.

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