12 mar, 2026
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Cultura fiscal é o novo pilar da gestão financeira nas empresas brasileiras

Um dos principais erros das empresas, segundo especialista, é restringir o debate fiscal ao departamento contábil

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Cultura fiscal é o novo pilar da gestão financeira nas empresas brasileiras

Enquanto parte das empresas brasileiras encara os tributos apenas como obrigação burocrática, organizações mais maduras vêm adotando uma visão ampliada da gestão fiscal. A criação de uma cultura fiscal estratégica, que integra planejamento, prevenção e inteligência de dados, tem se tornado uma vantagem competitiva para negócios que desejam crescer de forma sustentável.

Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), 95% das empresas brasileiras pagam mais tributos do que deveriam, seja por erros de apuração, escolha incorreta do regime ou por não aproveitarem benefícios e créditos legais. Nesse cenário, a ausência de uma cultura fiscal robusta representa não só desperdício financeiro, mas risco jurídico e operacional.

“O empresário precisa saber que tributo é um centro de custo decisivo e que se bem estruturado pode ser também um vetor de crescimento”, afirma Maynara Fogaça, estrategista tributária e referência nacional em auditoria de crédito tributário. Para ela, a mudança de mentalidade começa com a inclusão do tema no nível estratégico da gestão.

Criar uma cultura fiscal estratégica, segundo Maynara, exige mais do que um contador competente. Envolve a participação direta dos gestores, revisão contínua dos processos tributários, atualização da equipe sobre mudanças na legislação e auditorias frequentes que vão além da correção de falhas. “A revisão precisa deixar de ser emergencial e passar a fazer parte da estratégia da saúde financeira das empresas”, defende.

Um dos principais erros das empresas, segundo a especialista, é restringir o debate fiscal ao departamento contábil. Em vez disso, ela sugere que as lideranças compreendam o impacto dos tributos nas decisões de negócio e desenvolvam indicadores de performance fiscal que ajudem a antecipar riscos e oportunidades. “Empresas que crescem com solidez não abrem mão de auditorias frequentes justamente porque entendem que a base tributária precisa estar alinhada com a operação para evitar surpresas negativas lá na frente”, afirma.

A adoção de tecnologias de análise fiscal e a construção de uma base de dados confiável também são pilares fundamentais. Ferramentas de BI, parametrização de sistemas e integração entre áreas permitem não apenas cumprir obrigações com mais eficiência, mas gerar insights estratégicos sobre o negócio.

Maynara defende que o primeiro passo para criar essa cultura é tratar o tributo com protagonismo e não como um mal necessário. “Existe uma diferença brutal entre pagar imposto e pagar certo”, resume. “E rever o que foi pago com profundidade técnica e visão estratégica é uma das decisões mais inteligentes que uma empresa pode tomar hoje”, conclui.

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