Nem a crise segura: 87% dizem que “vão dar um jeito” de comprar no Dia das Mães
Nem inflação, nem orçamento apertado parecem suficientes para frear o consumo na data
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Nem inflação, nem orçamento apertado parecem suficientes para frear o consumo no Dia das Mães. A data, tradicionalmente carregada de significado emocional, mantém um comportamento praticamente inelástico: 87% dos consumidores afirmam que vão “dar um jeito” de comprar o presente, independentemente das limitações financeiras.
O dado faz parte da pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, e ajuda a explicar por que a data segue entre as mais relevantes do calendário do varejo, mesmo em um cenário de pressão sobre o bolso.
Mais do que intenção de compra, o levantamento revela o esforço por trás dessa decisão.
O consumo não para, ele se adapta
Diante das restrições financeiras, o consumidor não deixa de comprar. Ele ajusta o comportamento para viabilizar o presente. A maioria, cerca de 57%, opta por reduzir o valor gasto e escolher produtos mais baratos. Outros recorrem a estratégias alternativas, como fazer renda extra, vender itens pessoais ou dividir o pagamento com familiares. Há ainda quem utilize o cartão de terceiros para não abrir mão da compra.
Na prática, o presente deixa de ser visto como um gasto opcional e passa a ocupar um espaço quase obrigatório no orçamento.
Prioridade que mexe no orçamento
A força do Dia das Mães vai além da intenção e se traduz em decisões concretas. Segundo a pesquisa, 63% dos consumidores colocam o presente à frente de outras despesas do mês. Para isso, muitos recorrem a cortes em lazer ou adiam compras pessoais, como roupas e eletrônicos.
Mesmo com esse esforço, parte dos consumidores admite avançar um passo além: 23% pretendem parcelar a compra mesmo sabendo que isso pode comprometer o orçamento dos meses seguintes.
Entre o planejamento e o risco
Esse cenário revela uma divisão clara entre quem tenta manter algum controle e quem assume riscos. Entre os que parcelam, 64% não têm garantia de que conseguirão pagar todas as parcelas. O comportamento oscila entre planejamento, preocupação e imediatismo, mas, no fim, a decisão de compra prevalece.
Isso mostra que o consumo não desaparece em momentos de aperto financeiro. Ele se transforma, muitas vezes transferindo o impacto para o futuro.
Para o varejo, o cenário é ambivalente. De um lado, a demanda permanece forte e praticamente garantida. De outro, o consumidor chega mais sensível a preço, mais atento às condições de pagamento e mais pressionado financeiramente.
Nesse contexto, estratégias como parcelamento, ofertas bem estruturadas e percepção clara de valor ganham ainda mais importância. Mais do que estimular a compra, o desafio passa a ser facilitar a decisão em um ambiente de restrição.
O Dia das Mães de 2026 reforça um comportamento já conhecido, mas agora mais evidente: o consumo emocional continua sendo um dos motores mais potentes do varejo brasileiro, mesmo quando o orçamento aponta na direção contrária.

