04 fev, 2026
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CEOs globais apontam onde e como reduzir custos

Pesquisa da BCG mostra que principais alvos incluem otimização da cadeia de suprimentos e simplificação do portfólio

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CEOs globais apontam onde e como reduzir custos

O cenário desenhado pelos CEOs globais para 2025 envolve uma dose de estabilidade – com leve declínio do otimismo em relação ao ano anterior. Apesar de crises recentes como as da Covid e da cadeia de suprimentos, nem todos ficaram mais resilientes.

Quatro em cada dez executivos ouvidos pela consultoria BCG indicam, por exemplo, que não se sentem preparados para enfrentar possíveis choques de mercado ao longo do ano.

A geopolítica, aliás, pauta as diferenciações. Na América do Norte e Europa, a preocupação está bastante focada nas margens e lucratividade, devido ao aumento das taxas de juros, inflação e possíveis mudanças tarifárias e regulatórias.

Já os executivos na região da Ásia-Pacífico estão preocupados com os impactos nas exportações. Se caírem, elas podem desacelerar o crescimento econômico, pois as tensões geopolíticas na região têm a capacidade de erodir ainda mais a confiança dos investidores e interromper as cadeias de suprimentos globais.

Esses dados fazem parte da pesquisa BCG’s Guide to Cost and Growth – Strategic Insights for Navigating Economic Uncertainty (Guia BCG para custo e crescimento – Insights estratégicos para navegar na incerteza econômica, em tradução livre).

No conjunto, os CEOs das três regiões citadas (cobertas pelo levantamento) mostram um mantra comum: a gestão de redução de custos. O tema é prioridade número 1 para 33% dos entrevistados, liderando a lista. O gerenciamento, nesse caso, acontece em meio a taxas de juros flutuantes e tensões comerciais globais.

A receita deles para manter a competitividade envolve, principalmente, a otimização da cadeia de suprimentos e simplificação do portfólio de produtos.

Melhorias na cadeia de suprimentos

O posicionamento da cadeia de suprimentos no topo da otimização de custos acontece por várias razões, entre elas as crises geopolíticas mundiais e as variações de expectativas de consumo, passando ainda pela pressão das mudanças climáticas e pela disrupção tecnológica.

Na prática, as iniciativas dos CEOs indicam ações em vários níveis. No caso do desenvolvimento de produtos, a meta é modularizar o design e ter soluções orientadas para ciclos mais rápidos, além de reduzir os gargalos.

O planejamento da cadeia é outra frente de ataque, com uso de recursos de Inteligência Artificial (IA) e alinhamento de processos com a área de manufatura. Nas fábricas em si, as iniciativas incluem desde a otimização dos layouts e dos equipamentos até a avaliação das necessidades reais de manutenção e níveis de serviço.

Na área crítica de procurement, a estratégia dos CEOs envolve a identificação dos melhores fornecedores em âmbito global, além de desenvolver programas conjuntos com fornecedores tradicionais.

Para as atividades de logística e transporte, o receituário indica a consolidação de rotas existentes e a exploração dos serviços compartilhados.

O armazenamento também é foco de mudanças, com ações que incentivam a maior exploração da digitalização e automação, combinadas com a renegociação de capacidade e de taxas de armazenamento.

Simplificação do portfólio de produtos

A segunda área-chave para redução de custos é na otimização do portfólio de produtos. Segundo a percepção dos CEOs, a crescente complexidade dos produtos e a mudança de prioridades elevam os custos estruturais e as pressões sobre a lucratividade.

Isso acaba levando à proliferação de produtos e aumento dos custos de matéria-prima e componentes. O mesmo movimento acontece em áreas como manutenção de estoque e desenvolvimento de produtos e P&D. O incremento de despesas continua nas etapas de gerenciamento do ciclo de vida e nas iniciativas de marketing e vendas.

A resposta dos CEOs para endereçar essa complexidade é justamente concentrar recursos em produtos de alto valor, melhorando a eficiência operacional. No dia a dia, o levantamento aponta duas frentes. A primeira envolve a consolidação para eliminar configurações de baixo volume, mantendo, ao mesmo tempo, o volume e a receita.

O segundo aconselhamento é criar uma abordagem de design para valor, com uma perspectiva centrada no cliente, o que ajudaria a reequilibrar o custo do portfólio de produtos.

Além da cadeia de suprimento e do portfólio de produtos, a receita para reduzir custos, na avaliação dos CEOs, inclui ainda mudanças no modelo operacional e na produtividade da força de trabalho, além das operações de atendimento ao cliente e do setor de vendas e marketing.

Outro ponto destacado pela pesquisa é que a gestão de custos deve ser sustentável: 67% dos executivos ouvidos planejam reinvestir as economias em crescimento e inovação.

E, atenção, a IA generativa (GenAI) aparece como um pilar para a eficiência, com 86% dos CEOs entrevistados planejando investir em IA e análises avançadas em 2025. Entre as aplicações possíveis eles enxergam a GenAI – combinada com análises avançadas – atuando no corte de custos em áreas como o atendimento ao cliente.

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