03 jul, 2026
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Copa do Mundo pode aumentar ainda mais gastos não planejados com a Seleção Brasileira avançando para as quartas de final

60% dos consumidores pretendem comprar produtos ou serviços para a Copa do Mundo 2026; ticket médio previsto é de R$ 619

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Copa do Mundo pode aumentar ainda mais gastos não planejados com a Seleção Brasileira avançando para as quartas de final

A Copa do Mundo 2026 está movimentando o varejo brasileiro, mas o consumo pode ganhar ainda mais força com o avançar da Seleção Brasileira para a próxima fase, as quartas de final. Com a sequência de jogos do Brasil, agora contra a Noruega, tende a estimular novas compras, encontros entre amigos e familiares, pedidos por delivery, idas a bares e gastos que nem sempre estavam previstos no orçamento.

De acordo com a pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 60% dos consumidores pretendem comprar produtos ou contratar serviços durante o período da competição. A estimativa é de que cerca de 99,2 milhões de brasileiros movimentem o comércio por causa do Mundial.

O ticket médio previsto para os gastos extras é de R$ 619, valor que sobe para R$ 784 entre consumidores das classes A e B. O dado mostra que a Copa deve abrir uma janela importante de vendas, mas também exige atenção ao risco de compras por impulso, especialmente quando a empolgação com os jogos se soma a promoções, encontros sociais e facilidade de pagamento.

Consumo cresce com o clima de torcida

A permanencia na Copa do Mundo tende a prolongar o interesse do consumidor. A primeira fase costuma concentrar expectativa, mas as partidas seguintes podem consolidar hábitos de compra. Quem reuniu amigos na estreia pode repetir o encontro. Quem foi a um bar pode voltar. Quem pediu delivery pode fazer novos pedidos. E, conforme a Seleção Brasileira avança, a tendência é que o consumo associado à competição continue no radar.

A pesquisa mostra que a Copa será marcada por consumo coletivo. Apenas 3% dos consumidores pretendem assistir aos jogos sozinhos. A maioria deve acompanhar as partidas com familiares, amigos ou colegas de trabalho. Segundo o levantamento, 77% pretendem assistir aos jogos com familiares, 60% com amigos e 15% com colegas de trabalho.

Esse comportamento favorece gastos recorrentes com produtos compartilháveis, como bebidas, petiscos, itens para churrasco e pedidos por delivery. Entre as categorias mais desejadas, bebidas não alcoólicas lideram, com 68%, seguidas por petiscos, com 62%, vestuário, com 61%, itens para churrasco, com 60%, e cervejas, com 59%.

Planejamento ajuda, mas impulso pesa

Embora parte dos consumidores se organize antes dos jogos, o ambiente da Copa pode estimular gastos extras ao longo da competição. Segundo a pesquisa, 44% dos consumidores antecipam compras em até uma semana, seja para aproveitar promoções, evitar filas ou garantir produtos antes das partidas.

Esse planejamento, no entanto, não elimina as compras de última hora. Durante a fase de grupos, o consumidor pode ser impactado por promoções em supermercados, ofertas de bares, combos de delivery, produtos temáticos, apostas, bolões e convites para assistir aos jogos fora de casa.

A origem do dinheiro para bancar os gastos também merece atenção. De acordo com o levantamento, 32% pretendem usar a sobra no orçamento, enquanto 28% devem recorrer ao dinheiro destinado ao lazer. Por outro lado, 27% afirmam que pretendem usar o limite do cartão de crédito ou cheque especial, e 18% devem utilizar renda extra, como bônus ou comissões.

Esse dado acende um alerta. A Copa pode ser uma oportunidade para o varejo, mas também um momento de pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente quando os gastos se repetem a cada jogo.

Pix domina, mas cartão ainda aparece

A pesquisa aponta que o Pix será a principal forma de pagamento, citado por 57% dos consumidores. Além disso, 90% afirmam que pretendem pagar as compras à vista, o que indica uma tentativa de maior controle financeiro.

Mesmo assim, o parcelamento ainda terá espaço. O cartão de crédito parcelado aparece como escolha de 25% dos consumidores. Em um período de forte estímulo emocional, facilidade de pagamento e consumo recorrente, o parcelamento pode tornar os gastos menos perceptíveis no momento da compra, mas mais pesados no orçamento dos meses seguintes.

Para o varejo, a leitura é dupla. De um lado, oferecer meios de pagamento variados pode facilitar a venda. De outro, campanhas responsáveis, comunicação clara de preços e promoções com real benefício ajudam a manter uma relação mais saudável com o consumidor.

Varejo deve vender mais, mas precisa disputar recorrência

Ao longo da fase de grupos, supermercados, bares, restaurantes, lojas de bairro, aplicativos de entrega e varejo esportivo devem disputar o consumidor em diferentes momentos da jornada. Supermercados aparecem como destino de compra para 70% dos consumidores, enquanto apps de entrega são citados por 51%. Entre os serviços pretendidos, o delivery de comida e bebida lidera com 61%, seguido por bares e restaurantes, com 39%.

Isso mostra que os gastos não devem acontecer em uma única compra. A tendência é de consumo distribuído entre preparação antecipada, compras de última hora, pedidos durante os jogos e novos encontros ao longo da competição.

Para os lojistas, a fase de grupos pode ser o momento de fidelizar o consumidor para toda a Copa. Combos por jogo, ofertas progressivas, kits para grupos, ações temáticas e comunicação antecipada podem ajudar a transformar a empolgação da torcida em vendas recorrentes.

Com a Seleção Brasileira em campo mais de uma vez em poucos dias, a Copa do Mundo pode ampliar o consumo não planejado e criar novas oportunidades para o varejo. Mas, para o consumidor, o desafio será torcer sem perder o controle do orçamento.

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