25 set, 2026
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Do bitter ao drinque pronto: o que funciona melhor no copo

Entre bitters aromáticos e drinques engarrafados, avaliamos sabor, aroma e versatilidade

Do bitter ao drinque pronto o que funciona melhor no copo

Preparar um bom drinque em casa já não significa necessariamente ter uma prateleira cheia de garrafas, utensílios de bartender e disposição para seguir uma receita do começo ao fim. Ao mesmo tempo em que a coquetelaria ficou mais sofisticada, o mercado passou a oferecer soluções para públicos bem diferentes, de coquetéis que chegam praticamente prontos ao copo a ingredientes bastante específicos, capazes de mudar uma receita com apenas algumas gotas.

Foi justamente uma seleção que transita entre esses dois mundos que recebemos para esta Vitrine Varejo. Ao todo são seis produtos da NIB, os lançamentos de bitters, a Aromatic, a Orange, o Chocolat e a Amarena Fabbri, além de duas versões prontas para beber de coquetéis conhecidos, Fitzgerald e Moscow Mule.

Criada por profissionais ligados à coquetelaria, a marca brasileira fez dos bitters um de seus principais produtos. A proposta é semelhante à de um “tempero na cozinha”, nos quais eles entram em pequenas quantidades, mas interferem diretamente no aroma, no amargor e na complexidade da bebida. No outro extremo estão os cocktails engarrafados, em que a promessa é bem mais simples: gelar, servir e beber.

Mas, entre propostas interessantes e embalagens que chamam atenção, o que realmente importa é o que chega ao copo.

O mais completo para começar é o Aromatic

O Aromatic é aquele que melhor explica o conceito de bitter para quem ainda não está acostumado com a categoria. A receita reúne raízes, cascas, ervas e especiarias e incorpora ingredientes brasileiros como café de especialidade, cacau e laranja Bahia.

No aroma, ele é intenso sem ter uma nota isolada dominando tudo. Há especiarias, casca cítrica e uma sensação levemente tostada. Café e cacau aparecem mais como pano de fundo do que como sabores evidentes.

Provado isoladamente, o amargor naturalmente chama bastante atenção, mas não é assim que ele deve ser avaliado. Quando entra no coquetel, algumas gotas acrescentam profundidade e deixam a bebida mais aromática, sem transformar completamente a receita.

É o mais versátil dos que recebemos e também aquele que faz mais sentido para quem pretende comprar apenas uma garrafa.

O Orange é “mais casca de laranja” do que fruta

O nome do NIB Bitter Orange pode induzir a uma expectativa errada. Não há aqui aquele perfil doce e frutado de um licor de laranja. O que aparece é principalmente a casca, com o toque cítrico, aromático e acompanhado por um amargor seco.

No copo, funciona especialmente bem quando combinado com gin, vermute e destilados que já tenham notas herbais. Ele deixa o cítrico mais evidente e prolonga o sabor depois do gole. Também é um produto em que a quantidade importa. Passar do ponto pode fazer o amargor e a laranja dominarem a receita mais rapidamente do que acontece com o Aromatic.

Esqueça o chocolate doce

O Chocolat talvez seja o que mais surpreenda pelo contraste entre nome e sabor. Quem espera algo semelhante a licor, calda ou chocolate ao leite não vai encontrar nada disso. A direção é muito mais próxima de cacau, tostado, especiarias e madeira, mantendo o amargor característico da categoria. A própria marca descreve um perfil amadeirado e levemente tostado.

No aroma, o cacau aparece com mais facilidade. Na boca, porém, ele é seco e intenso. É justamente quando combinado com whisky, rum ou café que passa a fazer mais sentido, acrescentando uma camada que lembra chocolate amargo sem adoçar o coquetel.

Dos quatro bitters, é o que exige maior intenção na hora de usar. Isso diminui sua versatilidade, mas também o torna um dos mais interessantes para quem já gosta de preparar drinques em casa.

Amarena Fabbri é o mais diferente do grupo

O NIB Bitter Amarena Fabbri nasce de uma parceria com a italiana Fabbri 1905 e utiliza a conhecida cereja Amarena da fabricante como protagonista. Segundo a NIB, é o primeiro bitter produzido com a Amarena Fabbri original como principal matéria-prima.

Aqui a diferença para os demais aparece rapidamente. O aroma é mais frutado, com cereja e frutas escuras, enquanto o paladar mantém o contraste entre a doçura sugerida pelo nariz e o amargor esperado de um bitter.

É uma combinação interessante justamente porque não transforma o coquetel em algo excessivamente doce. A fruta aparece, mas continua funcionando como parte da construção da bebida.

Versões prontas e certeiras

Nos cocktails prontos, muda completamente a régua de avaliação. Aqui não estamos procurando um ingrediente para aperfeiçoar uma receita, mas tentando descobrir se abrir uma garrafa e colocar gelo é suficiente para entregar um bom drinque.

E o Fitzgerald responde melhor a essa pergunta. São 700 ml de bebida pronta, com 15% de teor alcoólico.

O perfil é cítrico, com o gin aparecendo na sequência e um amargor que ajuda a impedir que o conjunto fique excessivamente doce. Esse é um ponto importante: bebidas prontas facilmente caem no caminho de mascarar álcool e ingredientes com açúcar, e aqui há um equilíbrio melhor.

O limão naturalmente não tem a mesma vivacidade de uma fruta espremida na hora e, lado a lado com um Fitzgerald recém-preparado em um bom bar, a diferença existe. Só que essa também seria uma comparação pouco justa.

Já o Moscow Mule também tem um sabor agradável, porém é necessário ajustar a expectativa. Limão e gengibre são os elementos mais perceptíveis. Há bastante frescor no primeiro contato e a picância aparece depois, sem ficar agressiva. Bem gelado, é fácil de beber e cumpre muito bem o papel de uma opção prática para servir várias pessoas.

Mas existe uma ressalva importante, de que ele não é gaseificado e não traz a espuma de gengibre que se tornou característica da versão brasileira do Moscow Mule. Isso faz com que a experiência seja diferente daquela que muita gente espera ao pedir o coquetel em um bar.

Na nossa avaliação, o sabor funciona, mas é melhor encará-lo como a interpretação engarrafada da receita, e não como uma reprodução completa do Moscow Mule servido no bar.

Veredito Vitrine Varejo

A seleção da NIB funciona melhor quando mostra aquilo que a marca parece dominar com mais personalidade: os bitters.

No conjunto, são produtos para públicos que podem até parecer opostos. Os cocktails atendem quem quer menos trabalho e os bitters para quem justamente quer passar mais tempo preparando e ajustando o próprio drinque.

Curiosamente, foram as menores garrafas da seleção que mais nos chamaram atenção. Em um mercado no qual conveniência virou argumento de venda para quase tudo, a NIB mostra que ainda existe espaço para um produto cuja graça está justamente em parar, preparar e experimentar.

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