Do chocolate ao pêssego três sabores de vinhos pouco convencionais para beber bem gelados
Provamos a linha Santa Helena Selección e avaliamos qual rótulo entrega o melhor equilíbrio entre aroma, sabor e doçura
Quem passa hoje pelo corredor de vinhos encontra um cenário cada vez mais diverso. Tintos, brancos e rosés continuam ocupando boa parte das prateleiras, mas ganharam a companhia de rótulos com menor teor alcoólico, propostas mais refrescantes e bebidas que usam o vinho como ponto de partida para combinações bem menos tradicionais.
Foi justamente uma seleção assim que recebemos para esta edição da Vitrine Varejo. A Santa Helena, tradicional vinícola chilena fundada em 1942, trouxe ao Brasil a linha Selección, formada por três sabores que dificilmente passam despercebidos: Frutos Rojos, Durazno (pêssego) e Chocolate.
Antes de abrir as garrafas, uma explicação é importante. Apesar da aparência e da origem da marca, tecnicamente não estamos diante de três vinhos convencionais. São bebidas mistas à base de vinho, produzidas com uvas viníferas do Vale Central chileno e com 7% de teor alcoólico. A novidade chegou ao mercado brasileiro em 2026 pelas mãos da Interfood.
Isso também ajuda a calibrar a expectativa. Quem busca taninos, madeira, longa persistência ou a complexidade de um vinho tradicional provavelmente não é o público principal da Selección. A proposta está muito mais ligada à fruta, doçura, refrescância e facilidade de beber, sempre com a recomendação de servir bem gelado.
Frutos Rojos é o mais equilibrado
Se a ideia é começar pela versão que mais facilmente pode conquistar diferentes paladares, o Frutos Rojos parece a escolha natural.
A coloração rosada acompanha um perfil bastante aromático, no qual morango e framboesa aparecem imediatamente. Não é preciso procurar muito pelas frutas que estão estampadas no rótulo: elas realmente conduzem a bebida. A própria descrição sensorial da linha destaca justamente essas duas notas e a combinação entre doçura e acidez.
Na boca, é doce, não há como fugir dessa característica, mas a acidez ajuda a segurar o conjunto. E é justamente aí que ele leva vantagem sobre os demais. O açúcar está presente, porém não domina completamente a experiência.
Bem gelado, fica leve, frutado e fácil de beber. Conforme a temperatura sobe, a sensação de doçura também ganha força, então vale seguir a lógica da linha e mantê-lo frio durante o consumo.
Dos três, é também aquele que conserva uma relação um pouco mais próxima com o universo do vinho, ainda que a experiência lembre bastante um cooler ou um drink vínico pronto.
Durazno traz refrescância em primeiro lugar
O Selección Durazno vai ainda mais longe na proposta de bebida descomplicada. O pêssego aparece com intensidade no aroma, lembrando a fruta madura, acompanhado por um discreto toque cítrico. No paladar, a textura é macia, a doçura novamente está presente e a acidez consegue trazer uma boa sensação de frescor. A recomendação encontrada para o rótulo é servi-lo entre 6°C e 8°C.
E temperatura, aqui, faz diferença.
Bem gelado, o Durazno se mostra bastante agradável, principalmente para quem já gosta de bebidas frutadas e adocicadas. É fácil imaginar a garrafa aparecendo em um churrasco, à beira da piscina ou em um encontro informal, inclusive servida com gelo.
Também é, provavelmente, o rótulo que menos lembra vinho. Isso não é necessariamente uma crítica. É apenas uma característica importante para saber antes da compra. Quem prefere Sauvignon Blanc, Chardonnay ou outros brancos mais secos pode considerar o dulçor excessivo. Já consumidores de Moscato, clericot e drinks de frutas tendem a encontrar aqui um terreno muito mais familiar.
Chocolate é um tanto quanto curioso desde o primeiro gole
Entre os três sabores, o Chocolate inevitavelmente provoca mais curiosidade.
A bebida parte de uma base de vinhos tintos e apresenta coloração vermelha intensa, com reflexos violáceos. Mas é no aroma que a diferença realmente aparece, o chocolate é evidente e não deve ser confundido com aquelas notas sutis de cacau que podem surgir naturalmente em alguns tintos. Aqui, ele faz parte deliberadamente do sabor da bebida.
Na boca, encontramos o rótulo mais intenso da linha. É doce, macio e frutado, mas com o chocolate ocupando boa parte da experiência. O resultado funciona melhor do que a combinação pode sugerir à primeira vista, especialmente quando servido bastante gelado.
Ainda assim, é o mais divisivo dos três. Uma ou duas taças despertam curiosidade e entregam uma experiência realmente diferente. Em maior quantidade, porém, a soma de doçura e chocolate pode tornar a bebida mais cansativa.
Talvez seu melhor lugar esteja justamente fora da refeição principal. Com sobremesas, frutas vermelhas, morango ou simplesmente como uma pequena taça após o jantar, a proposta faz mais sentido.
Uma linha que entende sua proposta
Há um ponto importante na avaliação da Santa Helena Selección, de que não vale exigir que esses produtos sejam aquilo que eles não pretendem ser.
A própria chegada da linha ao Brasil foi apresentada como uma aposta em bebidas mais leves, de menor graduação alcoólica e voltadas a ocasiões de consumo menos formais. Nesse sentido, os três rótulos são bastante coerentes.
Também ajudam a entender uma tentativa das vinícolas de conversar com consumidores que não necessariamente seguem o ritual tradicional do vinho. A garrafa pode até ir para a taça, mas também aceita gelo, drinks e situações em que ninguém está interessado em discutir safra, barrica ou terroir.
Nas consultas feitas pela Vitrine Varejo, encontramos os três rótulos anunciados entre aproximadamente R$ 31 e R$ 57, dependendo do estabelecimento e de promoções.
Veredito Vitrine Varejo
A Santa Helena Selección é uma daquelas linhas em que entender a proposta faz toda a diferença para gostar ou não do produto. Não compre esperando três novos vinhos da Santa Helena. Pense em bebidas vínicas doces, aromáticas, leves e feitas para serem consumidas bem geladas.
E a Selección acerta ao não complicar aquilo que nasceu justamente para ser simples. Gelada, informal e sem pretensão de substituir o vinho tradicional, a linha encontra seu espaço, principalmente para quem acha o próprio vinho sério demais.

