24 set, 2026
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Imposto sobre importados é considerado prejudicial à baixa renda por 58% dos compradores

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que tributação reduz a percepção de vantagem dos sites internacionais e pesa na decisão de compra

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Imposto sobre importados é considerado prejudicial à baixa renda por 58% dos compradores

A cobrança de imposto sobre compras internacionais enfrenta resistência entre os consumidores brasileiros. Para 58% dos compradores, a alíquota de 20% aplicada às importações prejudica principalmente a população de baixa renda, que encontra nos sites estrangeiros uma alternativa para acessar produtos mais baratos ou indisponíveis no mercado nacional.

O dado faz parte da pesquisa “Comportamento de compra do consumidor em sites internacionais”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise.

A percepção negativa sobre o imposto aparece em um cenário no qual o preço continua sendo um dos principais atrativos das compras internacionais. Segundo o levantamento, 39% dos consumidores apontam o valor mais baixo como fator de influência na decisão de importar.

Com a incidência de tributos, porém, a diferença em relação às lojas brasileiras pode diminuir ou até desaparecer. As taxas de importação já são citadas por 41% dos entrevistados como a principal desvantagem de comprar em sites estrangeiros, à frente do tempo de entrega, mencionado por 36%, e do valor do frete, apontado por 27%.

Os resultados mostram que a vantagem da compra internacional deixou de ser automática. Para 45% dos consumidores, importar ainda compensa, mas apenas em determinados casos. Outros 20% afirmam que a operação continua plenamente vantajosa.

Na prática, o consumidor passou a fazer uma conta mais ampla antes de concluir o pedido. Além do preço exibido na página do produto, entram na avaliação os impostos, o frete, o prazo de entrega, a possibilidade de cobrança adicional e os riscos associados ao pós-venda.

A comparação com o mercado nacional também ganhou importância. Quase metade dos compradores, 49%, sempre pesquisa o valor do produto em sites brasileiros para saber se vale a pena importar. Outros 40% fazem essa verificação algumas vezes.

A preferência pelo varejo nacional cresce quando as condições se aproximam. De acordo com o estudo, 61% escolheriam sites brasileiros caso encontrassem preços e variedade equivalentes aos das plataformas estrangeiras.

O comportamento indica que a tributação pode alterar não apenas o valor final da compra, mas também a competitividade entre empresas nacionais e internacionais. Quando a diferença de preço diminui, vantagens como entrega mais rápida, facilidade de troca, atendimento local e maior previsibilidade passam a pesar mais na escolha.

Ainda assim, a crítica ao imposto revela uma dimensão social importante. Parte dos consumidores enxerga as plataformas estrangeiras como uma forma de ampliar o acesso a roupas, calçados, acessórios, cosméticos e outros produtos com preços compatíveis com o orçamento familiar.

Essas categorias estão entre as mais adquiridas no exterior. Roupas lideram, com 45%, seguidas por acessórios de moda, com 28%, calçados e cosméticos, ambos com 25%.

A tributação, portanto, entra em uma disputa que vai além da arrecadação ou da concorrência entre varejistas. Para o consumidor, ela interfere diretamente na percepção de economia e na possibilidade de acesso a determinados produtos.

Ao considerar o imposto prejudicial à baixa renda, 58% dos compradores sinalizam que o debate sobre importações também envolve poder de compra, oferta e sensibilidade a preços. Para o varejo brasileiro, o cenário amplia a oportunidade de competir, mas também reforça a necessidade de oferecer preços, variedade e condições capazes de justificar a escolha por uma loja nacional.

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