Inovando em modelos de negócio e para além da tecnologia
Inovação vai além da tecnologia: modelos de negócio bem testados geram impacto, diferenciam empresas e tornam propostas de valor mais difíceis de copiar.
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Muito e cada vez mais tem se falado em inovação, mas pouco a respeito do que ela realmente significa. O mais importante de se ter em mente é que inovação não é sinônimo de tecnologia – um aplicativo ou algo parecido.
A IKEA – maior varejista de móveis do mundo – revolucionou todo um mercado ao inovar seu modelo de negócio, de forma a permitir que seus clientes, após comprarem um móvel IKEA, transportassem-no em seus carros e montassem-no eles mesmos.
Na prática, como funciona?
As inovações mais amplas, impactantes e difíceis de copiar são as de modelos de negócio. É comum associar-se inovação a, por exemplo, um aplicativo. Copiar um aplicativo é fácil e está ficando cada vez mais fácil. Copiar um modelo de negócio é difícil e continuará sendo difícil.
Um aplicativo é um recurso-chave do modelo. Observe que ele é apenas um dos componentes de um dos 9 blocos do modelo de negócio. Quando se inova o modelo – que, claro, pode contar com um aplicativo em substituição a algo que era feito de forma menos interativa, rápida, eficaz –, inova-se todo um sistema, o que torna a inovação muito mais difícil de ser copiada por um concorrente ou novo entrante.
Mas… nunca presuma. Teste o modelo!
Um dos maiores riscos que uma empresa corre ao inovar com um novo modelo de negócio ou transformar um existente é o que se chama, em inglês, de assumption. Isso ocorre, com mais frequência, ao se trabalhar a proposta de valor do modelo. Há uma tendência a presumir, a assumir (make an assumption) que o cliente deseja realizar aquelas tarefas, tem aquelas dores e deseja aqueles ganhos.
É essencial testar o que, na realidade, são premissas, hipóteses. Você pode assumir que o cliente tem uma dor enorme, lancinante, que a proposta de valor do seu modelo de negócio se propõe a eliminar, quando – na verdade – há outras dores mais fortes que você desconhecia. E por que desconhecia essas dores mais fortes? Simples: você não testou o modelo.
Onde começam os testes?
Os testes devem sempre começar pelos elementos de desejabilidade.
As hipóteses de desejabilidade (desirability) encontram-se em toda a proposta de valor e nos blocos da direita do modelo de negócio. Teste-as antes de fazer o mesmo com as hipóteses de viabilidade técnica (feasibility) e viabilidade financeira (viability) e adaptabilidade (adaptability) do modelo – a razão é simples: não há por que pensar na viabilidade técnica, financeira ou adaptabilidade de algo que o cliente não deseja.Uma inovação tecnológica é parte da inovação de um modelo de negócio. Um carro elétrico – a inovação tecnológica – não funciona sem um modelo de negócio que contemple estações de recarga em rodovias, adaptação de infraestruturas (pontos de energia em garagens e estacionamentos), parcerias com o setor energético, socorro em caso de descarga completa etc. Portanto, não se esqueça: a tecnologia está contida no modelo de negócio, nunca o contrário!

