25 maio, 2026
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Maximizando lucros: o papel da tecnologia na prevenção proativa de perdas no varejo de fim de ano

Alta temporada no setor traz grandes oportunidades, mas atenção aos riscos e perdas é fundamental

Eficiência na Prática - Como o checkout se tornou um centro de controle orientado por dados no varejo moderno

O fim de ano representa a época mais relevante para o varejo, devido, sobretudo, às datas comemorativas e comerciais. Com o aumento do fluxo e do interesse por parte dos consumidores – impulsionado por datas como Natal e Ano-novo –, é essencial que as lojas, tanto físicas quanto digitais, estejam preparadas para o período.

Para se ter uma ideia, de acordo com projeções da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil, o Natal de 2025 deve movimentar mais de R$ 84,9 bilhões em vendas no comércio varejista, e 76% dos consumidores devem presentear alguém na data natalina.

Ao mesmo tempo, essa maior movimentação, positiva para o setor, traz um efeito colateral conhecido e que merece atenção: o crescimento exponencial de perdas operacionais, furtos, falhas de gestão e de administração. Nesse período, ainda, é comum que redes varejistas ampliem suas equipes com funcionários temporários – ação necessária para atender à demanda, mas que aumenta a complexidade operacional e risco de inconsistências nos processos.

Em busca de equilíbrio

De acordo com a Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas no Varejo, o segmento varejista nacional brasileiro apresentou uma ligeira queda em perdas no último ano: saiu de 1,57% em 2023 para 1,51% em 2024. Por outro lado, os segmentos de supermercados (11,53%), farmácias (38,93%) e atacarejos (48,10%) tiveram perdas significativas.

Nos supermercados, os furtos (31,19%) representam o maior responsável; em um contexto ampliado, o varejo alimentar representa o segmento mais preocupante, com um aumento de perdas de 1,91% em 2023 para 2,39% no ano passado – resultado da elevação de registro de furtos, fraudes em caixas registradoras e processos ineficientes.

Portanto, é dentro desse contexto – e na busca por um equilíbrio tênue entre oportunidade de vendas e risco de perdas – que a tecnologia pode assumir um papel determinante e bastante significativo para a eficiência da operação. Nesse sentido, a adoção de ferramentas inteligentes permite que as empresas avancem para uma estratégia proativa na prevenção de perdas, baseada em visibilidade, integração de dados e monitoramento em tempo real.

Um primeiro ponto de atenção para os varejistas deve ser em relação aos estoques. Durante a alta temporada, uma grande quantidade de produtos entram e saem diariamente das lojas e centros de distribuição. Assim, em meio a esse grande volume, erros administrativos muitas vezes se tornam inevitáveis, como o registro incorreto de itens, falhas de conferência, divergências no inventário e perdas não identificadas.

Para isso, sistemas integrados de monitoramento e gestão de estoque, que possam acompanhar fluxos em tempo real, são essenciais para minimizar perdas ocultas. A partir da consolidação de dados, cruzamento de informações e geração de alertas automáticos, essas ferramentas garantem uma maior acuracidade que pode ser de grande valor sobretudo para equipes em adaptação ou treinamento – situações recorrentes em períodos de demanda elevada. Além disso, a previsibilidade proporcionada também contribui para a redução de rupturas e melhoria nos processos de abastecimento, contribuindo de forma direta para a lucratividade do negócio.

Atenção aos furtos

Outro ponto que merece grande atenção dos varejistas, conforme apontado anteriormente, diz respeito aos furtos. Segundo o levantamento realizado pela KPMG, o varejo brasileiro registrou perdas com furtos na casa de R$ 9,7 bilhões, em ações praticadas tanto por clientes (70%) quanto por fornecedores e colaboradores (30%).

Nesse contexto, as câmeras tradicionais de circuito interno já não são suficientes para lidar com o aumento de risco, principalmente em períodos de alta procura. Tendo isso em vista, a análise inteligente de vídeo, apoiada por sistemas de inteligência artificial, pode ser muito mais proficiente, visto que amplia significativamente a capacidade de identificação e resposta a comportamentos suspeitos. Isso porque, em vez de apenas registrar imagens, são sistemas que analisam padrões e detectam movimentos anômalos, permitindo o envio de alertas imediatos para os responsáveis. Trata-se, também, de uma capacidade preditiva, que fortalece a prevenção de furtos antes que eles aconteçam.

Em adição a essas ferramentas, sistemas EAS (Electronic Article Surveillance, ou vigilância eletrônica de itens, em tradução livre), que contam com antenas e etiquetas eletrônicas, têm sido cada vez mais presentes no varejo físico e ganham ainda mais relevância durante a alta temporada. Para que possam ampliar sua entrega de valor, é importante que esses dispositivos estejam integrados a sistemas de dados, com a alimentação de dashboards que revelem horários com maior incidência de casos, áreas mais vulneráveis do espaço físico e padrões suspeitos de comportamento.

Ferramentas de rastreamento como a tecnologia RFID (Identificação por Radiofrequência), ainda, têm se expandido no setor, principalmente em segmentos como eletrônicos, moda e produtos de alto valor agregado, devido sobretudo à sua capacidade de oferecer visibilidade granular e instantânea sobre a movimentação de produtos. A tecnologia facilita inventários dinâmicos, reduz o tempo de contagem e diminui falhas humanas, contribuindo, também, tanto para o controle de estoque quanto para a prevenção de furtos internos ou externos. Trata-se, assim, de um diferencial crítico não só para diminuir prejuízos, mas também para aprimorar a experiência dos clientes.

Ao integrar essas e outras ferramentas, o varejo pode deixar de atuar apenas depois que as perdas acontecem e passa a antecipar riscos, um processo que deixa, portanto, de ser reativo para se tornar estratégico. Nesse sentido, a prevenção de perdas, se antes era tratada como custo adicional, transforma-se em um mecanismo ativo de proteção do negócio e do lucro durante o momento mais importante e decisivo do ano.

Em um cenário em que cada produto vendido conta e cada falha representa um custo adicional, investir em tecnologia é uma necessidade para se manter competitivo, e não apenas uma recomendação. Como já é de conhecimento do setor, a alta temporada sempre trará consigo oportunidades e desafios, mas é possível garantir, com o uso de ferramentas e estratégias certas, que o aumento de vendas resulte, de fato, em aumento real de margem – e não em uma elevação proporcional de perdas.

*Vanessa Urbieta é gerente de desenvolvimento de negócios da Inwave

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