O maior aprendizado da Copa para o varejo não aconteceu dentro de campo
Dados da TOTVS Linx mostram que o segmento de moda, calçados e acessórios registrou crescimento de 4,8% no faturamento em comparação com o mesmo período de 2025
Envato
A Copa do Mundo movimenta torcedores, desperta emoções e aquece o consumo. Mas, para o varejo, o maior aprendizado desse tipo de evento não acontece dentro de campo, ele está nos bastidores da operação. Afinal, enquanto o consumidor vê vitrines temáticas, promoções e produtos personalizados, o verdadeiro desafio dos varejistas é outro: planejar a operação para transformar o aumento da demanda em rentabilidade, evitando desperdícios, rupturas e estoques parados.
Os primeiros dias de junho reforçam esse cenário. Dados da TOTVS Linx mostram que o segmento de moda, calçados e acessórios registrou crescimento de 4,8% no faturamento em comparação com o mesmo período de 2025 e de 15,4% frente à média do primeiro trimestre deste ano. O ticket médio também avançou 3,6% na comparação anual e 5,9% em relação à média dos primeiros meses de 2026.
Nas categorias diretamente impactadas pela Copa do Mundo, o desempenho foi ainda mais expressivo. As lojas esportivas cresceram 22% em relação ao mesmo período do ano passado e ficaram 28% acima da média registrada no primeiro trimestre. Paralelamente, a proximidade do Dia dos Namorados impulsionou as vendas de itens presenteáveis, que registraram alta de 19% sobre 2025 e de 48% frente à média do início do ano, com destaque para perfumaria, que avançou 38%, e joias, com crescimento de 50%.
Os números confirmam que grandes eventos e datas comemorativas continuam sendo importantes catalisadores do consumo. Mas eles também deixam uma lição importante: quem obtém os melhores resultados não é, necessariamente, quem vende mais durante o período, mas quem consegue planejar melhor toda a operação antes, durante e depois da sazonalidade.
Isso porque produtos ligados à Copa possuem uma característica particular: seu ciclo de venda é extremamente curto. Camisas de seleções, artigos licenciados, acessórios temáticos e diversos itens criados para o evento perdem valor rapidamente após o encerramento da competição. Quando não existe um planejamento adequado, o varejista acaba recorrendo a liquidações para reduzir estoques, comprometendo margens e rentabilidade. Um evento que deveria representar ganho pode terminar gerando perdas.
É justamente nesse contexto que um sistema de gestão deixa de ser apenas uma ferramenta operacional para assumir um papel estratégico. Ao integrar informações de vendas, estoque, comportamento do consumidor, histórico de demanda e desempenho por loja e canal, a tecnologia oferece inteligência para definir o mix ideal de produtos, dimensionar compras com mais precisão, acompanhar o giro dos estoques em tempo real e ajustar rapidamente a estratégia conforme o comportamento do mercado. Mais do que reagir às vendas, o varejista passa a antecipá-las. O objetivo não é apenas vender mais durante a Copa, mas encerrar a temporada com uma operação saudável e preparada para a próxima oportunidade.
Esse aprendizado vale para qualquer grande sazonalidade. Black Friday, Natal, Dia das Mães, volta às aulas e tantas outras datas exigem cada vez menos improviso e cada vez mais previsibilidade. O varejo deixou de operar apenas com base na experiência e passou a competir pela capacidade de transformar dados em decisões rápidas e assertivas.
Outro ponto importante é que os impactos de grandes eventos raramente ficam restritos aos segmentos mais óbvios. Embora o crescimento das lojas esportivas fosse esperado durante a Copa, categorias como moda, perfumaria, acessórios e presentes também capturaram parte desse movimento. Identificar essas oportunidades exige uma visão integrada do negócio, capaz de cruzar informações entre categorias, canais de venda e comportamento do consumidor para antecipar tendências e direcionar investimentos com maior segurança.
É justamente essa inteligência que diferencia empresas que apenas acompanham a demanda daquelas que conseguem liderá-la. Soluções de gestão integradas, como as desenvolvidas pela TOTVS Linx para o varejo, conectam lojas físicas, e-commerce, estoque, logística, meios de pagamento e indicadores em uma única plataforma, permitindo que gestores tenham uma visão completa da operação e tomem decisões com mais velocidade, precisão e segurança.
Para o Brasil, a Copa já terminou. Para o varejo, não. Agora é o momento de medir resultados, analisar o que funcionou, reduzir estoques remanescentes e transformar os aprendizados em planejamento para a próxima grande oportunidade. Porque a diferença entre uma sazonalidade de sucesso e uma de prejuízo não está no tamanho da demanda, mas na capacidade de antecipá-la. No varejo moderno, quem levanta a taça não é quem vende mais em um único evento, mas quem usa tecnologia, gestão e inteligência de dados para vencer o campeonato inteiro.
*Elói Assis é diretor-executivo para produtos de varejo da TOTVS

