17 jun, 2026
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Do dado à experiência: os movimentos que devem transformar o varejo no segundo semestre

Mais do que preparar campanhas e ampliar estoques, os grandes varejistas estão atentos a transformações estruturais que devem ganhar ainda mais força nos próximos meses

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Do dado à experiência: os movimentos que devem transformar o varejo no segundo semestre

O segundo semestre costuma concentrar alguns dos momentos mais importantes para o varejo. Datas como Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal elevam a expectativa por resultados e colocam à prova a capacidade das empresas de responder rapidamente às mudanças de comportamento do consumidor. Mas, mais do que preparar campanhas e ampliar estoques, os grandes varejistas estão atentos a transformações estruturais que devem ganhar ainda mais força nos próximos meses.

Uma delas é a consolidação do varejo como mídia. Redes varejistas que construíram uma relação próxima com seus consumidores passaram a enxergar seus canais próprios: aplicativos, sites, programas de fidelidade e até lojas físicas, como ativos valiosos para geração de receita. O retail media deixa de ser uma aposta para se tornar uma nova frente de negócios, permitindo que marcas anunciem de forma mais segmentada e eficiente, utilizando dados reais de comportamento e intenção de compra.

Nesse cenário, a qualidade e a integração dos dados tornam-se fatores decisivos. Não basta possuir informações sobre o consumidor; é preciso conectá-las e transformá-las em inteligência acionável. As empresas que conseguem integrar vendas, relacionamento, comportamento digital e histórico de compras têm uma vantagem significativa na criação de campanhas mais relevantes e na monetização de sua audiência.

Outro movimento importante é a transformação da loja física. O caixa, por décadas protagonistas da jornada de compra, passa a ocupar um papel menos central. O consumidor busca experiências mais fluidas, com menos atrito e mais conveniência. Autoatendimento, pagamentos invisíveis, integração entre canais físicos e digitais e jornadas simplificadas tornam-se parte da expectativa básica de quem compra.

A loja continua sendo um espaço estratégico para relacionamento, descoberta e experiência, mas sua função evolui. O desafio dos varejistas não é apenas vender produtos, mas criar ambientes conectados capazes de oferecer praticidade e personalização em cada interação. Para isso, a tecnologia deixa de ser um suporte operacional e passa a atuar como elemento central da experiência do cliente.

Paralelamente, a inteligência artificial e a análise avançada de dados começam a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas decisões do varejo. Se nos últimos anos o setor discutiu amplamente o potencial da IA, agora o foco está na aplicação prática. Previsão de demanda, otimização de estoque, recomendação de produtos, precificação dinâmica e personalização da comunicação são algumas das frentes que já apresentam resultados concretos.

O ponto em comum entre essas tendências é a necessidade de integração. Retail media, experiências fluidas e personalização só geram valor quando operam sobre uma base tecnológica capaz de conectar dados, canais e operações. O consumidor não diferencia mais loja física, e-commerce ou aplicativo; ele espera uma única experiência com a marca. Da mesma forma, as empresas precisam enxergar sua operação de forma unificada para responder com velocidade às demandas do mercado.

O segundo semestre de 2026 deve reforçar uma realidade cada vez mais evidente: a competitividade do varejo estará menos relacionada à adoção isolada de novas tecnologias e mais à capacidade de transformar dados em inteligência, processos em eficiência e interações em experiências relevantes. As empresas que conseguirem avançar nessa direção estarão mais preparadas para crescer de forma sustentável em um mercado cada vez mais dinâmico e exigente.

*Cláudio Alves, diretor de produtos para Enterprise da TOTVS Linx

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