Final da Copa do Mundo ainda pode movimentar o varejo mesmo sem o Brasil
Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que 60% dos consumidores pretendiam comprar produtos ou serviços durante o Mundial; decisão ainda pode impulsionar consumo de comida, bebida e delivery
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A final da Copa do Mundo 2026 ainda pode movimentar bares, restaurantes, supermercados, lojas de bairro e aplicativos de entrega, mesmo sem a presença da Seleção Brasileira. Com a eliminação do Brasil, o torneio perdeu parte do apelo emocional para o consumidor brasileiro, mas a decisão do Mundial continua sendo um evento de grande audiência, capaz de reunir amigos, famílias e fãs de futebol.
Para o varejo, a final representa a última grande oportunidade de consumo ligada à Copa. O interesse já não é mais movido pela torcida nacional, mas pela experiência de acompanhar o jogo decisivo, reunir pessoas, consumir comida e bebida e aproveitar promoções de fim de torneio.
De acordo com a pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 60% dos consumidores pretendiam comprar produtos ou contratar serviços durante o período da competição. A estimativa era de que cerca de 99,2 milhões de brasileiros movimentassem o comércio por causa do Mundial.
Com o Brasil fora da disputa, parte desse potencial de consumo tende a perder força. Ainda assim, a final pode concentrar uma demanda relevante em segmentos menos dependentes da Seleção Brasileira, como alimentação, bebidas, bares, restaurantes e delivery.
Decisão mantém apelo como evento coletivo
A Copa do Mundo é um evento esportivo, mas também uma ocasião social. A pesquisa mostra que apenas 3% dos consumidores pretendiam assistir aos jogos sozinhos. A grande maioria planejava acompanhar as partidas ao lado de outras pessoas: 77% com familiares, 60% com amigos e 15% com colegas de trabalho.
Esse comportamento ajuda a explicar por que a final ainda pode gerar consumo, mesmo sem o Brasil em campo. Para muitos torcedores, a decisão do Mundial continua sendo um momento de encontro, conversa e lazer. O jogo pode não ter a mesma carga emocional de uma partida da Seleção Brasileira, mas ainda carrega o peso de ser o encerramento do maior torneio de futebol do mundo.
Para bares e restaurantes, isso significa que a comunicação precisa mudar. Em vez de apostar na torcida pelo Brasil, o foco deve estar na experiência: telões, ambiente, cardápio especial, promoções, reservas para grupos e conforto para assistir à partida.
Bares e restaurantes disputam o torcedor da final
Segundo a pesquisa, 39% dos consumidores pretendiam ir a bares e restaurantes durante a Copa do Mundo. A final pode ser uma oportunidade para capturar parte desse público, especialmente consumidores que gostam de futebol, querem viver o clima da decisão ou preferem assistir ao jogo fora de casa.
No entanto, sem a Seleção Brasileira, o consumidor tende a ficar mais seletivo. A escolha do local passa a depender menos da emoção nacional e mais do custo-benefício. Entre os critérios mais importantes para escolher um bar ou restaurante durante a Copa, aparecem preço das comidas, citado por 37%, lugar bem frequentado, com 34%, qualidade das bebidas e da comida, também com 34%, e preço das bebidas, com 33%.
Esses dados mostram que a final ainda pode atrair público, mas os estabelecimentos precisam oferecer motivos concretos para o consumidor sair de casa. Promoções claras, combos para grupos, atendimento reforçado, telões bem posicionados e cardápios especiais podem fazer diferença.
A oportunidade existe, mas exige adaptação. O discurso de “venha torcer pela Seleção” perde força. O convite passa a ser outro: acompanhar o último jogo da Copa em um ambiente preparado para a experiência.
Delivery pode crescer entre quem prefere assistir em casa
Se parte dos consumidores desistir de ir a bares após a eliminação do Brasil, o delivery pode se beneficiar. A pesquisa mostra que o delivery de comida e bebida era o serviço mais pretendido para a Copa, citado por 61% dos consumidores.
Esse dado reforça a força da conveniência. Mesmo sem a Seleção Brasileira, muitos consumidores podem optar por assistir à final em casa, na casa de amigos ou de familiares, recorrendo a aplicativos para montar a experiência de consumo sem sair.
Restaurantes, pizzarias, hamburguerias, lanchonetes, mercados de entrega rápida e lojas de conveniência podem aproveitar a final com combos específicos, entregas programadas e promoções para grupos. O foco deve estar em praticidade, rapidez e produtos fáceis de compartilhar.
A final também pode ser uma boa oportunidade para estabelecimentos testarem ações de retenção, como cupons para próximos pedidos, combos familiares e ofertas vinculadas ao horário do jogo.
Supermercados seguem fortes para comida e bebida
Nos supermercados, a final pode ajudar a movimentar categorias que já tinham alta intenção de compra durante a Copa. Segundo a pesquisa, bebidas não alcoólicas, como refrigerantes, água, sucos, energéticos e chás, lideravam a lista de produtos pretendidos, com 68%. Em seguida apareciam petiscos, com 62%, itens para churrasco, com 60%, e cervejas, com 59%.
Essas categorias seguem relevantes porque não dependem exclusivamente da presença do Brasil. Mesmo sem a Seleção, a final pode estimular encontros em casa, pequenas confraternizações e compras de última hora.
O levantamento também apontava que 70% dos consumidores pretendiam fazer compras em supermercados durante a Copa. As lojas de rua e de bairro apareciam com 33%, reforçando o papel do varejo físico em compras de reposição, conveniência e consumo imediato.
Para supermercados e pequenos varejistas, a final pode ser trabalhada como uma última chamada comercial: ofertas de bebidas, kits de petiscos, combos para churrasco, produtos de conveniência e promoções de fim de Copa.
Final pode ajudar a escoar estoques
A decisão do Mundial também pode ser uma oportunidade para o varejo reduzir estoques ligados à Copa. Produtos temáticos, acessórios, itens de decoração, bebidas, petiscos e materiais promocionais ainda podem ser reposicionados para o último jogo.
Com o Brasil eliminado, produtos diretamente ligados à Seleção Brasileira tendem a perder apelo. Por isso, a comunicação deve evitar insistir em campanhas centradas na torcida nacional. A estratégia mais adequada é destacar o encerramento da Copa, a final do torneio e ofertas especiais.
Para o varejo esportivo e lojas de produtos temáticos, pode ser o momento de trabalhar liquidações, descontos progressivos e promoções de fim de evento. Já para supermercados, bares e delivery, a prioridade deve ser transformar a final em uma ocasião de consumo, mesmo sem a presença da Seleção Brasileira.
Copa sem Brasil ainda tem última oportunidade de consumo
A eliminação da Seleção Brasileira reduz o entusiasmo do consumidor, mas não elimina completamente o potencial comercial da Copa do Mundo. A final segue sendo um evento de grande visibilidade e pode manter parte da demanda por comida, bebida, delivery, bares e supermercados.
O consumo, no entanto, muda de natureza. Sai a mobilização pela Seleção e entra a experiência do último jogo. Para o varejo, o desafio é ajustar o discurso, evitar estoques parados e oferecer motivos claros para o consumidor comprar, pedir, reservar ou sair de casa.
Mesmo sem Brasil, ainda há jogo. E, para o comércio, a final da Copa do Mundo pode ser a última chance de transformar o calendário esportivo em venda.

