13 jul, 2026
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Copa do Mundo sem Brasil ainda pode movimentar negócios

Mesmo com a eliminação da Seleção Brasileira, jogos decisivos ainda podem manter consumo em bares, restaurantes, delivery e varejo alimentar

Envato
Consumidores tendem a gastar mais conforme a Seleção Brasileira avança

A eliminação da Seleção Brasileira muda o clima da Copa do Mundo para o consumidor brasileiro, mas não encerra completamente as oportunidades para o varejo. Sem o Brasil em campo, o apelo emocional diminui, especialmente para produtos ligados diretamente à torcida nacional. Ainda assim, semifinais, final e grandes confrontos internacionais podem manter algum movimento em bares, restaurantes, supermercados, lojas de bairro e aplicativos de entrega.

A partir de agora, o consumo deixa de depender da mobilização em torno da Seleção Brasileira e passa a se apoiar em outro tipo de interesse: a experiência de acompanhar a reta final da Copa, reunir amigos, assistir aos principais jogos, aproveitar promoções e consumir comida e bebida em momentos de lazer.

De acordo com a pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 60% dos consumidores pretendiam comprar produtos ou contratar serviços durante o período da competição. A estimativa era de que cerca de 99,2 milhões de brasileiros movimentassem o comércio por causa do Mundial.

Com a saída do Brasil, parte desse potencial tende a perder intensidade. No entanto, segmentos menos dependentes da Seleção, como alimentação, bebidas, delivery e bares esportivos, ainda podem encontrar oportunidades na reta final do torneio.

Consumo passa a depender mais da experiência

A Copa do Mundo é, antes de tudo, um evento coletivo. A pesquisa mostra que apenas 3% dos consumidores pretendiam assistir aos jogos sozinhos. A maioria planejava acompanhar as partidas com familiares, citados por 77%, amigos, com 60%, ou colegas de trabalho, com 15%.

Esse comportamento ajuda a explicar por que o consumo pode continuar mesmo sem a Seleção Brasileira. O interesse pelo Brasil diminui, mas o hábito de reunir pessoas para assistir a grandes jogos pode permanecer, principalmente em partidas decisivas, finais de semana e na final da competição.

A diferença está na motivação. Antes, o principal motor era torcer pela Seleção. Agora, bares, restaurantes, supermercados e delivery precisam vender conveniência, encontro, entretenimento e experiência. O consumidor pode não sair de casa apenas para ver qualquer jogo, mas pode se interessar por uma final, por um confronto de seleções tradicionais ou por uma promoção atrativa.

Bares e restaurantes precisam oferecer mais do que transmissão

Para bares e restaurantes, a Copa sem Brasil exige uma mudança de abordagem. A comunicação centrada na torcida nacional perde força, e os estabelecimentos precisam destacar outros elementos: telões, ambiente, cardápio, preço, atendimento, reservas para grupos e promoções para jogos decisivos.

A pesquisa apontava que 39% dos consumidores pretendiam ir a bares e restaurantes durante a Copa do Mundo. Entre os critérios mais importantes para escolher um local para assistir aos jogos, apareciam preço das comidas, citado por 37%, lugar bem frequentado, com 34%, qualidade das bebidas e da comida, também com 34%, e preço das bebidas, com 33%.

Esses fatores ganham ainda mais peso após a eliminação. Sem o apelo da Seleção Brasileira, o consumidor tende a avaliar melhor se vale a pena sair de casa. Bares e restaurantes que conseguirem oferecer boa experiência e custo-benefício podem manter parte do movimento, especialmente em jogos de maior audiência.

Promoções para grupos, combos de petiscos e bebidas, reservas antecipadas e ações específicas para semifinal e final podem ajudar a transformar a reta final da Copa em uma nova ocasião de consumo.

Delivery pode ganhar espaço entre quem acompanha de casa

Se parte do público deixar de ir a bares após a eliminação do Brasil, o delivery pode capturar uma parcela desse consumo. A pesquisa mostra que o delivery de comida e bebida era o serviço mais pretendido para a Copa do Mundo, citado por 61% dos consumidores.

Esse dado indica que muitos brasileiros já consideravam acompanhar os jogos em casa, mas com apoio de aplicativos de entrega. Sem a Seleção, essa tendência pode se manter em jogos decisivos, principalmente para consumidores que desejam conveniência sem o compromisso de sair.

Restaurantes, lanchonetes, pizzarias, hamburguerias, mercados de entrega rápida e lojas de conveniência podem adaptar suas ofertas para esse novo momento. Em vez de campanhas ligadas ao Brasil, o foco pode ser em praticidade, combos para assistir aos jogos, entregas programadas e promoções para a reta final da Copa.

A final do Mundial, em especial, ainda pode funcionar como um gatilho de consumo relevante, mesmo sem a presença da Seleção Brasileira.

Supermercados ainda podem aproveitar alimentos e bebidas

Nos supermercados, a eliminação do Brasil tende a reduzir picos de demanda associados aos jogos da Seleção, mas não elimina completamente o consumo de alimentos e bebidas. Produtos de alta recorrência, como refrigerantes, sucos, cervejas, petiscos, carnes, carvão, gelo e itens de conveniência, continuam tendo apelo fora do contexto exclusivo da torcida brasileira.

A pesquisa apontava que bebidas não alcoólicas, como refrigerantes, água, sucos, energéticos e chás, lideravam a intenção de compra para a Copa, com 68%. Em seguida apareciam petiscos, com 62%, itens para churrasco, com 60%, e cervejas, com 59%.

Essas categorias podem ser reposicionadas para a reta final da competição. Em vez de comunicação focada nos jogos do Brasil, supermercados podem trabalhar ofertas para “últimos jogos da Copa”, “semifinais”, “final do Mundial” ou simplesmente ocasiões de lazer em casa.

O varejo físico segue relevante nesse cenário. Segundo a pesquisa, 70% dos consumidores pretendiam fazer compras em supermercados durante a Copa, enquanto 33% citavam lojas de rua ou de bairro. Esses canais ainda podem capturar compras de reposição, conveniência e consumo imediato.

Produtos da Seleção perdem força, mas itens neutros podem continuar

O maior desafio está nos produtos ligados diretamente à Seleção Brasileira. Camisas, bandeiras, acessórios verde e amarelos e artigos oficiais tendem a perder apelo após a eliminação. No entanto, nem todo produto temático precisa sair completamente de cena.

Itens mais neutros, como roupas casuais nas cores do Brasil, artigos esportivos, acessórios de futebol e produtos colecionáveis, ainda podem ser trabalhados com descontos, liquidações ou campanhas de fim de Copa. O importante é ajustar a expectativa e evitar manter a mesma narrativa de consumo usada enquanto a Seleção ainda estava na disputa.

A pesquisa mostrava que vestuário estava nos planos de 61% dos consumidores que pretendiam comprar no período, e que 47% pretendiam adquirir produtos oficiais. Com o Brasil fora, esses números ajudam a dimensionar o tamanho do interesse inicial, mas o varejo precisa reconhecer que a demanda agora será menor e mais seletiva.

Copa sem Brasil pede mudança de estratégia

A reta final da Copa do Mundo ainda pode movimentar o comércio, mas em outro ritmo. O consumo deixa de ser impulsionado pela paixão nacional e passa a depender mais de oportunidade, preço, conveniência e experiência.

Para bares e restaurantes, isso significa vender ambiente e encontro. Para o delivery, praticidade. Para supermercados, ofertas de alimentos e bebidas para jogos decisivos. Para lojas de produtos temáticos, promoções e giro de estoque.

A eliminação da Seleção Brasileira reduz o entusiasmo, mas não apaga completamente o calendário comercial da Copa. Ainda há jogos importantes, consumidores interessados e oportunidades a serem aproveitadas. O desafio do varejo é entender rapidamente que a competição continua, mas o motivo de compra mudou.

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