06 jul, 2026
0 ° C

Eliminação da Seleção Brasileira muda planos de consumo para o restante da Copa do Mundo

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil estimava que 99,2 milhões de consumidores fariam compras durante a Copa; saída precoce do Brasil deve alterar a dinâmica de consumo nas próximas fases

Envato
Brasil x Haiti pode consolidar bares como principal ponto de encontro da Copa do Mundo

A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026 deve mudar os planos de consumo para o restante da competição. Com a derrota para a Noruega, o torneio perde parte do apelo emocional para o público brasileiro, especialmente nos produtos e serviços diretamente ligados aos jogos do Brasil.

Para o varejo, a saída da Seleção não significa o fim das oportunidades comerciais relacionadas à Copa. Mas muda o eixo da demanda. O consumo deixa de girar em torno da torcida nacional e passa a depender mais do interesse pelo futebol, dos jogos decisivos, das experiências em bares e restaurantes, das reuniões entre amigos e familiares e das promoções para escoar estoques temáticos.

De acordo com a pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 60% dos consumidores pretendiam comprar produtos ou contratar serviços durante o período da Copa do Mundo. A estimativa era de que cerca de 99,2 milhões de brasileiros movimentassem o comércio por causa da competição.

O ticket médio previsto para os gastos extras era de R$ 619, chegando a R$ 784 entre consumidores das classes A e B. Com o Brasil fora da disputa, parte desse consumo ainda pode ocorrer até a final, mas com menor força em categorias fortemente associadas à Seleção Brasileira.

Produtos da Seleção devem perder força

Entre os segmentos mais impactados pela eliminação estão os produtos diretamente ligados à Seleção Brasileira. Camisas, uniformes, bandeiras, bonés, acessórios, itens de decoração e produtos temáticos tendem a perder apelo conforme o Brasil deixa de ser protagonista da competição.

A pesquisa mostrava que vestuário, incluindo roupas, camisetas e uniformes específicos da Seleção Brasileira ou da Copa do Mundo, estava nos planos de 61% dos consumidores que pretendiam comprar no período. Além disso, 47% afirmavam que pretendiam adquirir produtos oficiais, motivados principalmente pela percepção de qualidade e durabilidade.

Esse mercado, no entanto, depende fortemente do desempenho esportivo. Enquanto a Seleção está em campo, o consumo é alimentado por expectativa, identificação com os jogadores e clima de torcida. Com a eliminação, o varejo precisa ajustar a comunicação e evitar manter campanhas centradas em um Brasil que já não participa mais da Copa.

Uma saída para lojistas pode ser reposicionar esses produtos em ações promocionais, liquidações temáticas ou ofertas ligadas à memória do torneio. Também há espaço para aproveitar itens mais neutros, como camisetas amarelas, acessórios nas cores do Brasil e artigos esportivos que possam continuar sendo usados fora do contexto da Copa.

Supermercados, bares e delivery ainda podem movimentar vendas

Apesar da eliminação, a Copa do Mundo continua. E isso mantém algum potencial de consumo em setores ligados à experiência de assistir aos jogos, especialmente nas fases finais.

Segundo a pesquisa, as categorias mais desejadas para o período eram bebidas não alcoólicas, como refrigerantes, água, sucos, energéticos e chás, citadas por 68% dos consumidores; petiscos, com 62%; itens para churrasco, com 60%; e cervejas, com 59%.

Esses produtos podem perder parte do impulso gerado pelos jogos do Brasil, mas ainda têm espaço em encontros para acompanhar semifinais e final, principalmente entre consumidores que mantêm interesse pela competição ou que veem a Copa como ocasião de lazer.

Os supermercados seguem com vantagem nesse cenário. O levantamento apontava que 70% dos consumidores pretendiam fazer compras em supermercados durante a Copa. Já as lojas de rua e de bairro apareciam com 33%, reforçando a importância do varejo físico para compras de conveniência, reposição e consumo imediato.

O delivery também pode continuar relevante. Entre os serviços pretendidos para a Copa, o delivery de comida e bebida liderava, com 61%. Mesmo sem a Seleção Brasileira, jogos decisivos podem manter a demanda por pedidos em casa, especialmente em finais de semana, encontros com amigos e partidas de maior apelo internacional.

Bares precisam trocar o discurso da Seleção pelo da experiência

Para bares e restaurantes, a eliminação do Brasil exige uma mudança rápida de estratégia. A comunicação centrada em “venha torcer pela Seleção” perde força. O caminho passa a ser vender a experiência da Copa: telões, ambiente, cardápio especial, promoções, encontro entre amigos e transmissão dos principais jogos.

A pesquisa mostrava que 39% dos consumidores pretendiam ir a bares e restaurantes durante o Mundial. Entre os critérios mais importantes para escolher um estabelecimento, apareciam preço das comidas, citado por 37%, lugar bem frequentado, com 34%, qualidade das bebidas e da comida, também com 34%, e preço das bebidas, com 33%.

Esses dados continuam relevantes após a eliminação. Sem o apelo emocional da Seleção Brasileira, o consumidor tende a ficar ainda mais sensível ao custo-benefício. Ou seja, o bar que quiser manter movimento durante a reta final da Copa precisará oferecer mais do que a transmissão: preço competitivo, boa experiência e motivos claros para o público sair de casa.

Consumo da Copa muda de intensidade

A eliminação precoce da Seleção Brasileira também pode reduzir compras por impulso e gastos recorrentes que seriam estimulados por novas partidas do Brasil. Cada jogo da Seleção funcionava como uma nova ocasião de consumo. Sem essa sequência, parte dos gastos previstos pode ser cancelada, adiada ou redirecionada.

O levantamento indicava que 44% dos consumidores costumavam antecipar compras em até uma semana, seja para aproveitar promoções, evitar filas ou garantir produtos antes dos jogos. Quem já comprou bebidas, petiscos, roupas ou adereços pode manter parte desse consumo, mas dificilmente o mesmo ritmo se sustentará sem o Brasil em campo.

Também há um ponto de atenção financeiro. A pesquisa apontava que 27% dos consumidores pretendiam recorrer ao limite do cartão de crédito ou cheque especial para bancar gastos extras da Copa. Com a eliminação, a redução do impulso de consumo pode ser positiva para parte das famílias, especialmente aquelas que já estavam pressionadas no orçamento.

Varejo precisa reagir rápido

Para o comércio, o momento exige adaptação. A Copa sem Brasil ainda pode movimentar vendas, mas dificilmente com a mesma intensidade projetada para uma Seleção avançando no torneio. O varejista que reagir mais rápido tende a reduzir perdas, escoar produtos e aproveitar os jogos restantes.

Entre as alternativas estão redirecionar estoques de alimentos e bebidas para promoções da reta final, transformar produtos temáticos da Seleção em ofertas, adaptar vitrines, reforçar o apelo de conveniência, criar combos para semifinais e final e reposicionar bares e restaurantes como espaços de experiência esportiva, não apenas de torcida nacional.

A saída da Seleção Brasileira muda o humor da Copa para o consumidor brasileiro. Mas, para o varejo, ainda há jogo a ser jogado. O desafio agora é entender que o consumo não acabou: ele apenas mudou de ritmo, de motivação e de foco.

What's your reaction?