Consumidor brasileiro vive a era da “agilidade com medo” nos pagamentos digitais
Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra que rapidez impulsiona o uso de soluções digitais, mas o receio de golpes passou a ser o principal fator na escolha do meio de pagamento
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A digitalização dos meios de pagamento avança rapidamente no Brasil, impulsionada por soluções cada vez mais rápidas e práticas. No entanto, esse movimento ocorre acompanhado de uma preocupação crescente com segurança. É o que revela a Pesquisa Meios de Pagamento no Brasil 2026, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas.
Segundo o levantamento, o consumidor brasileiro vive uma espécie de “era da agilidade com medo” nos pagamentos digitais: ao mesmo tempo em que busca conveniência e velocidade nas transações, ele também demonstra preocupação crescente com fraudes e golpes financeiros.
O estudo mostra que a segurança é hoje o principal fator na escolha do meio de pagamento para 43% dos consumidores, superando até mesmo a rapidez e praticidade, citadas por 34%.
PIX acelera a digitalização dos pagamentos
A rápida adoção de soluções digitais está diretamente ligada ao crescimento do PIX no país. O sistema já é utilizado por 80% dos brasileiros e lidera o ranking dos meios de pagamento.
Nas lojas físicas, o PIX aparece como o método mais utilizado (41%), seguido pelo cartão de débito (24%) e pelo cartão de crédito (23%). No comércio eletrônico, o domínio é ainda maior: 55% das compras online são pagas via PIX, enquanto o cartão de crédito responde por 27%.
Além das compras, o sistema também passou a fazer parte da rotina financeira dos brasileiros. Entre os usos mais comuns estão:
- transferências entre pessoas (61%)
- pagamento de contas de consumo (59%)
- compras online (59%)
- pagamento de alimentos e supermercado (50%)
Esse cenário mostra como o sistema de pagamentos instantâneos se tornou central na circulação de dinheiro no país.
Apesar da forte adoção das tecnologias financeiras, o receio de fraudes continua presente. Em modalidades como pagamento por aproximação, por exemplo, 68% dos consumidores dizem ter medo de golpes, embora 89% afirmem nunca ter sofrido fraude nesse tipo de transação.
A discrepância revela um fenômeno comportamental: a percepção de risco é muito maior do que a incidência real de crimes.
Esse receio também aparece na adoção de novas tecnologias. Embora soluções como biometria e reconhecimento facial avancem, muitos consumidores ainda preferem manter alternativas mais tradicionais de pagamento como forma de proteção.
Digitalização cresce, mas comportamento ainda é híbrido
Outro indicativo dessa cautela aparece no uso de meios físicos de pagamento. Mesmo com a expansão das soluções digitais, 92% dos consumidores ainda dependem de cartão ou dinheiro em situações de emergência, como quando o celular está sem bateria ou há problemas de conexão.
Esse comportamento mostra que a digitalização dos pagamentos acontece em ritmo acelerado, mas sem eliminar completamente os métodos tradicionais.
Varejo precisa equilibrar conveniência e segurança
Para o varejo, o desafio passa a ser oferecer experiências de pagamento cada vez mais rápidas sem deixar de lado a percepção de segurança do consumidor.
O crescimento do PIX, dos pagamentos por aproximação e das carteiras digitais aponta para um futuro cada vez mais ágil no checkout. Porém, os dados da pesquisa indicam que a confiança continua sendo o elemento decisivo para consolidar a transformação digital nos pagamentos.
Em outras palavras, o consumidor brasileiro quer pagar de forma cada vez mais rápida — mas continua atento aos riscos.

