Se preço e variedade fossem iguais, 60% comprariam de sites brasileiros
Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil mostra que o consumidor prefere o varejo nacional — mas migra para plataformas internacionais quando a equação de valor não fecha
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O avanço das compras em marketplaces internacionais costuma ser interpretado como uma derrota do varejo nacional. Os dados mais recentes, porém, contam uma história mais complexa, e até favorável às empresas brasileiras. Apesar da forte presença de plataformas globais no dia a dia do consumidor, a preferência pelo comércio nacional segue viva. O problema não é de confiança ou identidade, mas de competitividade.
É o que revela a pesquisa “Compras em sites internacionais”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Segundo o levantamento, 60% dos consumidores afirmam que comprariam de sites brasileiros se preços e variedade fossem semelhantes aos dos marketplaces internacionais. Outros 15% dizem que alternariam entre nacionais e estrangeiros, dependendo do produto ou da oferta. Para apenas 14%, a origem do site não faz diferença.
O dado desmonta a ideia de rejeição ao varejo nacional e aponta para um consumidor pragmático e comparador.
O consumidor quer comprar no Brasil, quando compensa
Antes de concluir uma compra internacional, o brasileiro costuma checar o mercado interno. 50% dos consumidores sempre verificam a disponibilidade do produto em sites nacionais, e 47% comparam preços com plataformas brasileiras. A decisão de comprar fora acontece quando essa comparação revela uma desvantagem clara.
Ou seja, a compra internacional não é impulsiva nem automática. Ela é resultado de uma avaliação racional, em que preço, variedade e custo total pesam mais do que a origem da plataforma.
Esse comportamento ajuda a explicar por que marketplaces nacionais perderam participação mesmo sem perder relevância. O consumidor continua olhando para eles, mas escolhe o canal que oferece melhor custo-benefício naquele momento.
Preço e sortimento definem o jogo
Entre os fatores decisivos para a compra em sites internacionais estão preço reduzido (43%), custo do frete (38%) e variedade de produtos (37%). Esses atributos formam a base da competitividade das plataformas globais, especialmente em categorias como moda, acessórios, casa e beleza.
Não por acaso, 60% dos consumidores compraram produtos importados enviados de outros países no último ano. O acesso a um sortimento mais amplo, muitas vezes inexistente no mercado nacional, completa a equação.
A pesquisa também mostra que a decisão de compra está cada vez menos ligada à nacionalidade do site e mais à experiência entregue. Confiança, clareza de informações, reputação da plataforma e previsibilidade de custos aparecem como critérios relevantes.
Nesse contexto, o varejo nacional não parte de um terreno desfavorável. Ao contrário: tem vantagens importantes, como prazos menores, atendimento local, política de trocas mais simples e menor risco de problemas. O desafio é transformar essas vantagens em valor percebido, especialmente quando o preço não acompanha.
O recado ao varejo brasileiro
O dado de que 60% comprariam de sites brasileiros se preço e variedade fossem equivalentes é um sinal claro de oportunidade. O consumidor está disposto a ficar, desde que encontre competitividade.
Isso exige estratégias mais agressivas de precificação, ampliação de sortimento, eficiência logística e comunicação clara de benefícios, além de uma leitura mais refinada do comportamento de comparação do consumidor.
A disputa não é ideológica, nem emocional. É matemática. Enquanto preço e variedade continuarem desiguais, o consumidor seguirá comprando fora. Mas a pesquisa mostra que, se essa equação mudar, o caminho de volta já está traçado.

