IA pode aumentar vendas? Metade dos empresários acredita que sim
Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil aponta que empresários veem na inteligência artificial uma aliada para vender mais, mas ainda enfrentam barreiras práticas para transformar expectativa em resultado
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A inteligência artificial ainda não faz parte da rotina da maioria das empresas brasileiras, mas já ocupa um lugar estratégico no imaginário do empresariado quando o assunto é crescimento. Para 52% dos empresários, a IA tem potencial para aumentar as vendas, especialmente ao melhorar a experiência do cliente e tornar a tomada de decisão mais eficiente.
O dado faz parte da pesquisa “Uso de inteligência artificial nas empresas”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Ele ajuda a explicar por que, mesmo com adoção ainda restrita, a tecnologia já desperta interesse crescente, sobretudo em áreas diretamente ligadas à geração de receita.
Vendas no centro da expectativa
Entre os empresários que acreditam no impacto positivo da IA sobre as vendas, o principal fator citado é a melhoria no atendimento e na experiência do cliente, mencionada por 53%. Na sequência, aparece a capacidade de identificar melhor o perfil e o comportamento do consumidor (42%), abrindo espaço para ofertas mais personalizadas e decisões comerciais mais precisas.
Na prática, a IA é vista como uma ferramenta para entender melhor quem compra, o que compra e em que momento compra, um diferencial importante em um mercado cada vez mais competitivo e fragmentado.
Mais eficiência, menos desperdício
Outro ponto que reforça a percepção positiva é o ganho de eficiência. Ao automatizar análises, organizar informações e apoiar estratégias de marketing e vendas, a IA promete reduzir desperdícios, otimizar campanhas e aumentar a taxa de conversão. Para empresas pressionadas por custos e margens apertadas, esse ganho operacional é tão relevante quanto o aumento direto das vendas.
Essa visão ajuda a explicar por que marketing, vendas e atendimento ao cliente aparecem como as áreas com maior interesse na adoção da tecnologia.
Apesar do otimismo de metade dos empresários, a pesquisa mostra que 17% não acreditam que a IA tenha impacto positivo nas vendas. Entre eles, 56% afirmam que suas empresas não dependem da tecnologia para vender, sinalizando um modelo de negócio ainda baseado em relações tradicionais, experiência pessoal e processos manuais.
Esse ceticismo revela um contraste importante: enquanto parte do empresariado vê a IA como alavanca de crescimento, outra parte ainda enxerga a tecnologia como dispensável, seja por falta de familiaridade, seja por acreditar que o modelo atual é suficiente.
Expectativa maior do que a prática
O entusiasmo em torno do potencial da IA convive com uma realidade mais cautelosa. Apenas 14% das empresas utilizam inteligência artificial atualmente, e só 24% pretendem implementá-la no curto prazo. O principal entrave segue sendo a falta de conhecimento prático sobre como usar a tecnologia, apontada por mais da metade dos empresários que ainda não adotaram a IA.
Os dados revelam um empresariado dividido entre expectativa e prudência. A inteligência artificial é reconhecida como ferramenta capaz de impulsionar vendas, melhorar relacionamento com clientes e tornar a gestão mais eficiente. No entanto, transformar esse potencial em resultado concreto ainda exige aprendizado, planejamento e mudança de mentalidade.
Para a maioria das empresas, o desafio não é decidir se a IA pode aumentar vendas, mas como aplicá-la de forma simples, acessível e alinhada à realidade do negócio. Enquanto essa ponte não é construída, a tecnologia segue como promessa, com metade dos empresários já convencidos de que vale a pena atravessá-la.

