De fronteira rodoviária ao franchising: como a importação estruturada virou modelo de negócio
Criada por Luis Muller, a Asia Source ingressou no franchising semanas antes do lockdown e pretende movimentar mais de R$2,2 bilhões em negociações até 2033
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Durante anos, o comércio exterior no Brasil foi visto como um ambiente complexo, burocrático e restrito a grandes empresas. Pequenos e médios empresários, mesmo dependentes de insumos importados, costumavam enfrentar insegurança operacional, dúvidas tributárias e falta de previsibilidade de custos.
Foi nesse contexto que surgiu, em janeiro de 2019, a Asia Source. Criada por Luis Muller, a empresa nasceu com a proposta de organizar a importação como um projeto técnico, estruturando processos que envolvem análise tributária, escolha de fornecedores e gestão logística. A companhia integra o Grupo 300 Franchising e atua conectando empresas brasileiras a fornecedores internacionais, especialmente na Ásia.
Origem ligada à logística
Luis Muller nasceu em Uruguaiana (RS), cidade estratégica para o transporte rodoviário internacional. Filho, neto e sobrinho de caminhoneiros, cresceu em um ambiente marcado por negociações, prazos e dinâmica de cargas.
O contato com o comércio exterior foi gradual. A mudança para Santa Catarina, em 2009, ampliou a proximidade com portos e operações marítimas. Em 2016, uma viagem à China reforçou a percepção sobre a competitividade da indústria asiática e a importância de entender fornecedores, cultura de negociação e adaptação de produtos às demandas locais.
A partir dessa vivência, surgiu a percepção de que muitos empresários brasileiros recorriam a intermediários sem domínio completo da estrutura de custos e riscos envolvidos na importação direta.
Estruturação do modelo
A Asia Source organizou sua atuação em duas frentes principais:
- Consultoria de importação, que envolve diagnóstico do produto, pesquisa e homologação de fornecedores, análise tributária e estudo de viabilidade para estimar o custo do produto nacionalizado.
- Gestão operacional, responsável pela execução do processo, incluindo habilitação no Radar, contratação de frete, acompanhamento logístico e desembaraço aduaneiro.
A proposta é reduzir incertezas e aumentar previsibilidade em operações internacionais, um fator relevante em um cenário marcado por variação cambial e oscilações no comércio global.
Expansão no momento de crise
A empresa ingressou no franchising em março de 2020, semanas antes do início do lockdown no Brasil. O formato adotado foi o de microfranquias, sem ponto físico e com estrutura enxuta.
Durante a pandemia, a dependência brasileira de produtos importados, especialmente da China, tornou-se ainda mais evidente. Muitos empresários passaram a buscar alternativas de importação direta para reduzir custos ou garantir abastecimento.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil registrou crescimento consistente nas operações de comércio exterior nos últimos anos, com aumento no número de empresas habilitadas a operar no sistema Radar, indicador que reflete maior participação de negócios de diferentes portes nas importações.
Nesse ambiente, modelos que prometem simplificar a operação ganharam espaço.
Metas e desafios
A Asia Source projeta movimentar mais de R$ 2,2 bilhões em negociações até 2033. A meta depende da expansão da rede de franquias e do crescimento da demanda por importação estruturada em setores como autopeças, pneus, maquinário industrial, equipamentos para academias, agronegócio e construção civil.
O avanço, no entanto, ocorre em um cenário que exige atenção a fatores como variação cambial, custos logísticos internacionais, mudanças regulatórias e barreiras comerciais.
O caso da empresa ilustra um movimento mais amplo: a tentativa de transformar a importação, antes vista como um processo altamente técnico e restrito, em um serviço estruturado e replicável por meio do franchising.


