Golpe não termina na perda do dinheiro e empurra 34% das vítimas para a negativação
Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra que fraudes financeiras têm efeito prolongado sobre a vida do consumidor e comprometem até o acesso ao crédito
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As fraudes financeiras no Brasil estão produzindo impactos que vão muito além da perda imediata de dinheiro. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, 34% dos consumidores que sofreram golpes financeiros nos últimos 12 meses acabaram negativados em decorrência da fraude.
O dado revela que, para uma parcela significativa das vítimas, o prejuízo não termina no momento do golpe. Ele se prolonga e compromete a saúde financeira do consumidor, afetando diretamente sua capacidade de acesso ao crédito, financiamento e novas compras parceladas.
A pesquisa mostra que 31% dos brasileiros sofreram algum golpe financeiro no último ano, o equivalente a 11,6 milhões de vítimas nas capitais brasileiras. O número representa um crescimento de 2,5 milhões de pessoas em relação a 2025, reforçando a escalada das fraudes no país.
Fraude gera efeito cascata na vida financeira
Na prática, a negativação ocorre quando o golpe desencadeia uma sequência de problemas financeiros. Entre os casos mais comuns estão compras fraudulentas feitas em nome da vítima, empréstimos contratados indevidamente, uso indevido de cartões ou contas e até a impossibilidade de honrar compromissos financeiros após perdas relevantes de dinheiro.
O resultado é um consumidor que, além de lidar com o trauma e o prejuízo, ainda precisa enfrentar restrições no mercado de crédito.
Esse cenário preocupa especialmente o varejo, já que a negativação reduz o poder de compra de milhões de brasileiros e limita o acesso a modalidades de pagamento importantes para o consumo, como parcelamentos, crediário e financiamentos.
Embora 63% das vítimas tenham conseguido recuperar algum valor após a fraude, isso não significa que os impactos tenham sido integralmente revertidos. Parte dos consumidores recupera apenas uma fração do prejuízo ou enfrenta desdobramentos burocráticos e financeiros mesmo após o ressarcimento.
Além disso, 28% das vítimas não conseguiram qualquer ressarcimento, mantendo integralmente o prejuízo causado pelo golpe.
Segurança financeira passa a influenciar o consumo
O avanço das fraudes e seus efeitos prolongados ajudam a explicar um comportamento cada vez mais cauteloso por parte do consumidor brasileiro. Mais do que perder dinheiro, o medo agora envolve consequências de médio e longo prazo, como restrições de crédito e dificuldades financeiras posteriores.
Para o varejo, o cenário reforça a necessidade de investir em ambientes de compra seguros, comunicação transparente e mecanismos de autenticação e proteção mais robustos. Em um mercado onde confiança pesa cada vez mais na decisão de compra, segurança deixou de ser apenas uma questão operacional para se tornar um diferencial competitivo.

