Logística: os cinco maiores desafios do setor e o que as empresas precisam fazer agora
A logística entrou definitivamente no centro da estratégia corporativa
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A logística entrou definitivamente no centro da estratégia corporativa. em um cenário marcado por consumidores cada vez mais exigentes, margens pressionadas e cadeias de suprimentos globais sujeitas a instabilidades, 2026 consolida um novo patamar de complexidade para o setor. A área, antes vista como suporte operacional, tornou-se determinante para crescimento, rentabilidade e reputação de marca.
Dados recentes da McKinsey & Company indicam que empresas com cadeias de suprimentos digitalizadas e integradas podem reduzir custos logísticos em até 15% e melhorar níveis de serviço em mais de 20%. Ao mesmo tempo, relatórios da Gartner apontam que organizações que investem em visibilidade ponta a ponta aumentam significativamente sua resiliência operacional diante de rupturas e volatilidade econômica.
Para Alvaro Loyola, country manager da Drivin Brasil, o que define o momento é centralização e escalabilidade. “Não estamos mais falando de digitalizar etapas isoladas, mas de orquestrar dados, processos e parceiros em um único sistema inteligente. A vantagem competitiva está em conectar planejamento, execução e experiência do cliente em tempo real”, afirma.
A seguir, o executivo analisa os cinco maiores desafios da logística em 2026 e o que as empresas precisam fazer para se manterem competitivas.
Falta de visibilidade ponta a ponta
A primeira grande barreira ainda é a falta de visibilidade ponta a ponta. Muitas companhias ainda operam com sistemas fragmentados entre transportadoras, centros de distribuição e o cliente final, o que compromete previsibilidade e aumenta custos com atrasos, retrabalho e estoque mal dimensionados. “Sem visibilidade em tempo real, a logística atua de forma reativa. Quando os dados são integrados e transformados em inteligência operacional, ela passa a antecipar problemas e gerar vantagem estratégica”, destaca Loyola. Plataformas com foco na centralização e escalabilidade, monitoramento em tempo real e indicadores centralizados deixam de ser um diferencial e passam a ser infraestrutura básica.
Pressão por redução de custos em um cenário volátil
O segundo desafio é a pressão contínua por redução de custos em um ambiente econômico volátil. Combustível, pedágios, manutenção de frota e oscilações cambiais impactam diretamente as margens. Segundo a Confederação Nacional do Transporte, o transporte representa mais de 60% dos custos logísticos no Brasil, o que evidencia o peso da eficiência operacional no resultado final das empresas.
“Reduzir custo hoje não significa enxugar operação, mas torná-la mais inteligente. Roteirização inteligente com uso de IA, otimização de carga, redução de ociosidade e planejamento preditivo de demanda permitem fazer mais com menos desperdício”, explica o executivo.
Exigência por entregas mais rápidas e personalizadas
A terceira frente crítica envolve a exigência por entregas cada vez mais rápidas e personalizadas. O consumidor digital não compara apenas preços, ele compara experiências. Estudos da PwC mostram que a experiência é um dos principais fatores de fidelização, e o prazo de entrega se tornou elemento central nessa equação. “O prazo deixou de ser um diferencial e virou requisito básico. A logística é parte da jornada do cliente. Se ela falha, compromete toda a percepção de valor da marca”, afirma Loyola.
Sistemas automatizados de previsão de prazo (ETA), comunicação proativa com o cliente e integração omnichannel entre logística e atendimento são pilares dessa transformação.
Sustentabilidade e pressão regulatória
Outro ponto incontornável é a agenda de sustentabilidade e a crescente pressão regulatória. Empresas enfrentam metas mais rigorosas de redução de emissões e precisam comprovar avanços em relatórios ESG. Além de responder a exigências legais, há pressão de investidores e consumidores por operações mais responsáveis.
“Tecnologia e sustentabilidade caminham juntas. Quando uma empresa otimiza rotas, reduz consumo de combustível e emissões ao mesmo tempo. Eficiência ambiental e eficiência econômica deixaram de ser opostas, hoje são complementares”, observa Loyola. Neste cenário, métricas de emissão por entrega, relatórios ESG integrados à operação e planejamento logístico com menor impacto ambiental tornam-se práticas estratégicas.
Segurança de dados e digitalização acelerada
Por fim, a digitalização acelerada amplia a superfície de risco cibernético. Com operações cada vez mais conectadas, dados logísticos como rotas, volumes, contratos e informações de clientes, tornam-se ativos estratégicos e, portanto, alvos potenciais. Relatórios globais de risco da World Economic Forum têm destacado ataques cibernéticos como uma das principais ameaças à continuidade dos negócios.
“Quanto mais conectada a operação, maior a responsabilidade com segurança. Governança de dados, criptografia robusta, controle de acesso e monitoramento constante precisam estar no mesmo nível de prioridade que eficiência e redução de custos”, ressalta o executivo.
Em 2026, a discussão já não gira em torno de investir ou não em tecnologia. A questão central é a velocidade de transformação. Empresas que conseguem converter dados em decisões, integrar parceiros e alinhar eficiência operacional à experiência do cliente estarão melhor posicionadas para crescer em um ambiente de alta complexidade. A logística, definitivamente, deixou de ser bastidor para se consolidar como protagonista da estratégia empresarial.

