14 set, 2026
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Um em cada quatro consumidores não sabe quanto gastou na última compra online, diz pesquisa

Percentual de 25% pode refletir fragmentação dos pedidos e menor percepção sobre pequenos desembolsos no ambiente digital

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Um em cada quatro consumidores não sabe quanto gastou na última compra online, diz pesquisa

Apesar de comprar com mais frequência pela internet, parte dos consumidores tem dificuldade para identificar quanto desembolsou. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 25% não souberam informar o valor gasto na última compra online.

Entre os entrevistados que indicaram o desembolso, o ticket médio ficou em R$ 225, praticamente estável diante dos R$ 224 registrados no ano anterior. A estabilidade de cada aquisição, porém, ocorre ao mesmo tempo que o número médio de pedidos aumentou de 4,6 para 5,1 por mês.

A combinação sugere que o impacto financeiro do comércio eletrônico pode estar menos concentrado em uma única compra e mais distribuído ao longo de várias transações. Delivery, roupas, medicamentos, cosméticos e artigos para casa estão entre as categorias mais adquiridas, o que reforça a presença do canal em despesas cotidianas.

Não saber o valor da última compra não significa necessariamente descontrole financeiro. O consumidor pode não recordar o montante exato por ter feito a aquisição há vários dias, dividido o pagamento, utilizado créditos ou comprado diversos itens.

Ainda assim, o percentual chama atenção em um ambiente no qual a jornada se tornou mais rápida. Aplicativos mantêm dados de pagamento salvos, o PIX permite transferências em poucos segundos e redes sociais e WhatsApp encurtam o caminho entre uma oferta e a conclusão do pedido.

Quanto menor o esforço exigido, menor pode ser a percepção individual de cada desembolso. Valores reduzidos e recorrentes tendem a parecer pouco relevantes isoladamente, embora possam representar um montante expressivo quando somados no fim do mês.

O comportamento pode ser mais presente entre consumidores jovens, segundo a leitura dos dados apresentada no levantamento. Esse público costuma transitar com facilidade entre aplicativos, marketplaces, redes sociais e serviços de entrega, aumentando a fragmentação das compras.

Para o varejo, a baixa lembrança do valor gasto revela uma jornada mais fluida, mas também impõe responsabilidade. Informações claras no checkout, confirmação detalhada do pedido e fácil acesso ao histórico ajudam o consumidor a acompanhar suas despesas e reduzem dúvidas posteriores.

A transparência também contribui para diminuir conflitos relacionados a cobranças, assinaturas, taxas adicionais e compras realizadas por impulso. Uma experiência conveniente não precisa tornar os custos menos visíveis.

Do ponto de vista da educação financeira, acompanhar o total desembolsado em diferentes plataformas pode ser mais importante do que observar apenas o valor de cada pedido. Notificações bancárias, faturas, históricos de aplicativos e ferramentas de orçamento ajudam a reunir gastos que, separadamente, parecem pequenos.

O fato de um em cada quatro consumidores não recordar o valor da última compra mostra que a conveniência do comércio eletrônico também modifica a percepção sobre o dinheiro. Quanto mais simples se torna comprar, maior é a necessidade de criar mecanismos para enxergar o custo acumulado desse hábito.

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