Varejo brasileiro fica menos concentrado e redes regionais ganham espaço entre as maiores do país
Participação das dez maiores varejistas nas vendas do TOP 300 recua para 36,4%, enquanto grupos regionais avançam em faturamento e posições no ranking
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As maiores empresas continuam movimentando centenas de bilhões de reais no varejo brasileiro, mas o crescimento do setor está cada vez menos restrito às companhias que ocupam o topo. O Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro 2026, produzido pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), mostra uma redução gradual da concentração das vendas e, ao mesmo tempo, o avanço de redes regionais entre as maiores varejistas do país.
Em 2025, as dez maiores empresas responderam por 36,4% das vendas das TOP 300, somando R$ 485,4 bilhões. Em 2021, essa participação era de 39,6%. Entre as cinco primeiras colocadas, a fatia passou de 26,9% para 25,6% no mesmo período.
A mudança não significa que gigantes como Carrefour, Assaí, RD Saúde, Magazine Luiza e Grupo Boticário tenham perdido relevância. O movimento aponta para outra direção: empresas posicionadas fora das primeiras colocações estão crescendo mais rápido e conquistando espaço no grande varejo brasileiro.
Essa transformação encontra respaldo também no comportamento recente do consumidor. Por exemplo, na pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, para o Dia dos Pais de 2026 mostrou que, apesar do avanço das pesquisas online, 67% dos consumidores ainda visitavam estabelecimentos físicos para comparar preços. Entre esses consumidores, lojas de rua e shopping centers apareciam empatados como principais locais de pesquisa, ambos com 39%.
Os números ajudam a dimensionar a permanência de um ativo importante para empresas com forte presença regional: a proximidade com o consumidor e a relevância da loja física, mesmo em uma jornada de compra cada vez mais digital.
Redes regionais avançam no ranking
Alguns dos principais exemplos aparecem já entre as dez maiores empresas brasileiras. O Grupo Mateus avançou para a sexta posição, com R$ 35,6 bilhões em vendas e crescimento de 18,2% em 2025. Com origem no Maranhão e forte atuação no Norte e Nordeste, a companhia vem ampliando sua presença por meio de diferentes formatos, incluindo supermercados e atacarejo.
O Supermercados BH teve expansão ainda maior. A companhia alcançou R$ 25,7 bilhões em vendas, crescimento de 20,9%, e chegou à nona colocação do ranking. A rede havia crescido 22,4% no ano anterior e reforçou sua presença em Minas Gerais e no Espírito Santo com a incorporação de lojas Bretas adquiridas da Cencosud.
Logo depois do top 10 aparecem outros exemplos. O Super Muffato ocupa a 11ª posição, com R$ 20,4 bilhões em vendas e crescimento de 17%. O Grupo Pereira, presente principalmente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, chegou a R$ 17,5 bilhões, alta de 14%. Já o catarinense Koch Hipermercado avançou 25%, atingindo R$ 12,9 bilhões.
O desempenho ajuda a explicar por que o IRTT destaca a relevância das empresas regionais e de controle familiar como uma característica do mercado brasileiro.
Supermercados mostram força da regionalização
O fenômeno é particularmente evidente no setor supermercadista, responsável por 53,2% das vendas das TOP 300.
Mesmo com Carrefour e Assaí nas duas primeiras posições do ranking nacional, o segmento permanece pulverizado e abriga dezenas de empresas com forte atuação em estados ou regiões específicas. É justamente nesse grupo que aparecem alguns dos crescimentos mais expressivos do levantamento.
Segundo o IRTT, essa menor concentração sinaliza que ganhos relacionados à profissionalização, tecnologia e adoção de melhores práticas de gestão estão chegando a uma parcela maior das empresas.
Os números mostram, portanto, que o crescimento do grande varejo brasileiro não acontece apenas a partir das gigantes nacionais. Redes que construíram escala dentro de determinados mercados regionais estão aumentando faturamento, adquirindo concorrentes e se aproximando das primeiras posições do ranking.
Em um país de dimensões continentais e hábitos de consumo diversos, a disputa por mercado continua sendo nacional. Mas, cada vez mais, alguns dos protagonistas dessa disputa têm raízes profundamente regionais.

