30 de outubro de 2026

Do vídeo ao carrinho: 58% já compraram por impulso após assistir a conteúdos nas redes sociais

Pesquisa CNDL/SPC Brasil mostra que vídeos no Instagram, TikTok e YouTube influenciam compras não planejadas e reforçam o papel das redes sociais na jornada do consumidor

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Do vídeo ao carrinho: 58% já compraram por impulso após assistir a conteúdos nas redes sociais

A vitrine de uma loja já não precisa estar em um shopping, em uma rua comercial ou mesmo em um site de vendas. Ela pode surgir no meio de um vídeo, enquanto o consumidor navega pelas redes sociais sem qualquer intenção de comprar. Um produto apresentado em poucos segundos desperta a curiosidade, gera interesse e pode transformar um momento de entretenimento em uma decisão de consumo.

Esse comportamento aparece na pesquisa Compras por impulso na internet 2026, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas. Segundo o levantamento, 58% dos consumidores que fazem compras por impulso pela internet já adquiriram algum produto após assistir a vídeos no Instagram, TikTok ou YouTube.

Para 17%, isso acontece frequentemente, enquanto outros 41% afirmam já ter comprado dessa maneira algumas vezes. Os números mostram a relevância do conteúdo audiovisual em uma jornada de compra que nem sempre começa com a busca por um produto.

Quando o entretenimento encontra o consumo

Diferentemente de uma pesquisa em mecanismos de busca ou de uma visita a uma loja virtual, o consumo de vídeos nas redes sociais nem sempre está associado a uma necessidade previamente identificada.

O interesse pode surgir durante uma demonstração de produto, uma recomendação de influenciador ou um conteúdo que apresente determinada solução de maneira atraente. Nesse ambiente, a descoberta acontece enquanto o consumidor está realizando outra atividade.

A pesquisa reforça essa dinâmica ao mostrar que 18% dos entrevistados compram por impulso simplesmente porque encontram algo de que gostam enquanto navegam pelas redes sociais.

Para as empresas, o resultado ajuda a compreender por que o conteúdo digital passou a ocupar um espaço importante nas estratégias comerciais. Mais do que divulgar produtos, vídeos podem apresentar funcionalidades, despertar interesse e aproximar marcas de potenciais clientes que ainda não estavam procurando por elas.

Isso não significa, porém, que qualquer visualização resulte em venda. O desafio está em produzir conteúdos relevantes, capazes de demonstrar o valor do produto e oferecer informações suficientes para que o consumidor avalie a compra.

Moda, delivery e beleza encontram espaço nas compras espontâneas

Algumas categorias aparecem com maior frequência entre as compras não planejadas pela internet. Roupas, calçados e acessórios lideram o levantamento, com 37% das menções, seguidos por comidas e bebidas adquiridas por delivery (32%), cosméticos e produtos de beleza (30%) e itens para casa (28%).

São segmentos com características que favorecem a apresentação visual e a demonstração de produtos. Uma combinação de roupas, a aplicação de um cosmético ou a apresentação de um alimento, por exemplo, pode despertar interesse sem que o consumidor tenha iniciado uma busca por esses itens.

Além do conteúdo, as condições comerciais também interferem na decisão. As promoções são o principal estímulo às compras impulsivas, citadas por 57% dos consumidores. O frete grátis aparece na sequência, com 48%, enquanto os descontos por tempo limitado são mencionados por 27%.

A combinação de descoberta nas redes sociais e ofertas comerciais cria diferentes oportunidades para o varejo alcançar consumidores durante a navegação digital. Nesse cenário, informações claras sobre preço, entrega e características dos produtos podem contribuir para uma experiência de compra mais transparente.

O desafio de transformar atenção em relacionamento

O potencial comercial dos vídeos vem acompanhado de uma questão importante: estimular uma compra imediata não significa necessariamente conquistar um cliente satisfeito.

A mesma pesquisa revela que 41% dos consumidores que realizam compras por impulso reconhecem já ter gasto mais do que podiam. Além disso, 59% relatam ter experimentado sentimentos negativos relacionados a esse comportamento, incluindo arrependimento, culpa e incômodo pela falta de autocontrole.

Para o varejo, esses dados sugerem a necessidade de olhar além da conversão imediata. Um conteúdo que desperta desejo pode atrair consumidores, mas a construção de um relacionamento duradouro depende também de expectativas realistas, qualidade dos produtos e uma boa experiência após a venda.

Demonstrações fiéis, descrições completas, comunicação transparente e atendimento eficiente são caminhos para aproveitar o alcance das redes sem depender exclusivamente de estímulos à compra por impulso.

Os resultados da pesquisa mostram que as redes sociais já participam diretamente das decisões de consumo. Para as marcas, a oportunidade não está apenas em fazer um vídeo alcançar mais pessoas, mas em transformar essa atenção em interesse genuíno, confiança e novas possibilidades de relacionamento com o consumidor.

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