Seis erros logísticos que podem impactar as vendas no e-commerce
Melhor Envio reúne orientações práticas para otimizar a operação, reduzir custos e melhorar a experiência do consumidor
Envato
A logística é um dos principais fatores de decisão de compra do consumidor. Com o crescimento do e-commerce, cujo faturamento deve chegar a R$260 bilhões em 2026, segundo projeções de mercado, planejar a operação tornou-se cada vez mais importante para atender às expectativas dos clientes.
Pesquisas recentes mostram que mais da metade dos consumidores deixam de comprar devido ao preço do frete ou ao tempo de espera excessivo. Por isso, prever a demanda, organizar estoques e estruturar uma operação eficiente são etapas fundamentais para reduzir falhas e melhorar a experiência de compra.
Com base nos dados do estudo ME Envia 2026, elaborado a partir da análise de mais de 35 milhões de envios realizados em 2025, o Melhor Envio elencou seis erros logísticos que merecem atenção de pequenos e médios e-commerces e explica como evitá-los.
1) Ignorar a sazonalidade e não se preparar para picos de demanda
Datas como Dia dos Pais, Black Friday e Natal exigem planejamento antecipado para prever a demanda, organizar estoques e preparar a operação. Empresas que não se preparam para esses períodos costumam enfrentar atrasos, aumento de custos e dificuldades para atender à demanda.
Como evitar: Utilize dados históricos para projetar a demanda, reforçar estoques, negociar capacidade logística com antecedência e revisar os processos operacionais antes dos principais períodos de vendas.
2) Trabalhar com apenas uma opção de transporte
Oferecer diferentes opções de entrega permite atender perfis variados de consumidores, disponibilizar faixas distintas de preço de frete e ampliar a cobertura das entregas. O mercado brasileiro conta com diversos operadores logísticos, como Correios, Jadlog, Loggi, J&T Express, Azul Cargo Express, LATAM Cargo e Buslog. Concentrar toda a operação em uma única transportadora reduz a flexibilidade do negócio e aumenta o risco de gargalos operacionais, especialmente em períodos de maior demanda.
Como evitar: Avalie diferentes transportadoras de acordo com preço, prazo de entrega e cobertura para oferecer a opção mais adequada a cada envio.
3) Calcular fretes com informações incorretas
Um dos erros mais comuns entre pequenos lojistas é cadastrar dimensões ou pesos incorretos dos produtos. Como o cálculo do frete considera características como peso, dimensões e volume da embalagem, qualquer divergência pode gerar cobranças adicionais, atrasos no despacho e impactos na operação.
Como evitar: Padronize a medição dos produtos e revise periodicamente as informações cadastradas para evitar cobranças extras, divergências operacionais e problemas na expedição.
4) Não oferecer rastreamento ao consumidor
A possibilidade de acompanhar a entrega já faz parte da expectativa do consumidor. Quando o cliente não consegue rastrear o pedido, aumentam os contatos com os canais de atendimento, a insatisfação e o risco de cancelamentos. Esse cuidado é ainda mais importante em categorias de alta recorrência, como Moda, Joias & Relógios e Bebês, que juntas movimentaram mais de 13,5 milhões de envios em 2025.
Como evitar: Disponibilize atualizações automáticas de rastreamento em todas as etapas da entrega e mantenha o consumidor informado sobre eventuais alterações no prazo.
5) Falhar na comunicação durante atrasos
Problemas logísticos podem acontecer, mas a falta de comunicação costuma gerar mais insatisfação do que o próprio atraso. O estudo CX Trends, da Octadesk, revela que 25% dos consumidores enfrentaram atrasos na entrega nos últimos 12 meses, enquanto 13% relataram falta de comunicação sobre atualizações ou problemas com seus pedidos.
Os dados mostram que o consumidor até compreende imprevistos, mas espera transparência ao longo de toda a jornada. Manter o cliente informado é fundamental para preservar a confiança e reduzir os impactos de eventuais falhas operacionais.
Como evitar: Crie fluxos de comunicação proativos por e-mail, WhatsApp ou SMS para informar qualquer alteração no status do pedido ou no prazo de entrega.
6) Não analisar os dados da operação logística
Acompanhar indicadores logísticos é essencial para identificar gargalos, reduzir custos e apoiar decisões de expansão. Os dados do ME Envia 2026 mostram que São Paulo concentra 28% dos envios realizados, seguido por Rio de Janeiro (9%) e Minas Gerais (8%), estados que também lideram como destino das entregas.
Nesses mercados, Moda é a categoria predominante, respondendo por 27,79% das origens e 33,83% dos destinos em São Paulo, 35,30% das origens e 36,77% dos destinos no Rio de Janeiro, e 33,04% das origens e 32,89% dos destinos em Minas Gerais. Conhecer esse comportamento ajuda a identificar oportunidades de expansão regional, posicionar estoques de forma mais estratégica e otimizar a operação.
Como evitar: Monitore indicadores como prazo médio de entrega, índice de atrasos, custo logístico por pedido, taxa de devolução, desempenho das transportadoras e concentração dos envios por região para apoiar decisões e melhorar a eficiência da operação.
A logística como diferencial competitivo
Os dados do ME Envia 2026 mostram que a logística vai além da entrega e exerce um papel estratégico para a competitividade dos pequenos e médios e-commerces. Enquanto Moda liderou o volume de envios em 2025, o avanço de Beleza & Cuidado Pessoal para o grupo das três categorias mais representativas indica mudanças no comportamento de consumo e reforça a necessidade de operações cada vez mais eficientes.
O estudo também evidencia que os custos de frete variam conforme o perfil dos produtos. A categoria Veículos registrou o maior ticket médio de frete (R$37,68), enquanto Joias & Relógios apresentou o menor (R$25,48). Já Moda, líder em volume de envios, manteve um ticket médio competitivo (R$27,55), mostrando que diferentes categorias exigem estratégias logísticas adaptadas às características de seus produtos.
Planejamento, diversificação das opções de entrega, comunicação com o consumidor e acompanhamento de indicadores são práticas que contribuem para operações mais eficientes e para uma melhor experiência de compra.

