E-commerce tem alta de 16,9% no 1º semestre e fatura R$ 208 bilhões, aponta relatório da Confi em parceria com o E-Commerce Brasil
Divulgados nesta terça (28) no Fórum E-commerce Brasil, estudo apresenta o panorama atual do comércio eletrônico nacional e traz projeções para o segundo semestre, conectando faturamento, pedidos, comportamento de compra, categorias e devoluções
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O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre, uma alta de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e junho, o setor contabilizou 756,7 milhões de pedidos, um crescimento de 34,8%. Os dados são do relatório “Da Compra à Confiança — Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026”, divulgados nesta terça-feira (28). O estudo foi elaborado pela Confi, por meio de sua solução de inteligência de mercado Neotrust e de sua unidade de negócios de pós-venda Aftersale, em parceria com o E-commerce Brasil.
Apesar do avanço, os números mostram que o tíquete médio recuou 13,3%, para R$ 275,50 e o número de itens por compra, de 2,25 para 1,97 (-12,4%). O que aconteceu na prática, segundo Pedro Chiamulera, CEO da Confi, foi uma mudança na dinâmica do consumo online.
“O avanço no faturamento do e-commerce foi sustentado principalmente pelo aumento da frequência de compras. Os consumidores passaram a fazer mais pedidos, com menos produtos por transação e menor tíquete médio, indicando uma migração para compras mais recorrentes e planejadas ao longo do semestre”, analisa Chiamulera.
Para Léo Bicalho, Head da Neotrust, a alteração no comportamento do consumidor amplia a complexidade operacional do e-commerce. “O aumento da recorrência das compras exige mais separação de mercadorias, embalagens, entregas, atendimento e gestão de trocas, elevando a pressão sobre toda a cadeia”, explica.
Além do panorama do primeiro semestre, o estudo projeta um segundo semestre ainda mais forte para o comércio eletrônico brasileiro: a expectativa é de faturamento de R$ 254 bilhões no período. Caso se confirme, o faturamento anual do setor atingirá R$ 462,5 bilhões em 2026, um crescimento de 18,6%.
O estudo completo foi divulgado nesta terça-feira (28) no Fórum E-commerce Brasil, evento realizado de 28 a 30 de julho no Distrito Anhembi, em São Paulo. Para Bruno Pati, CEO do E-commerce Brasil, o crescimento do faturamento continua forte, mas agora é impulsionado por um consumidor que compra com mais frequência, distribui melhor suas compras ao longo do tempo e exige operações cada vez mais eficientes.
“A vantagem competitiva deixa de estar apenas na aquisição de clientes e passa a depender da capacidade das empresas de executar bem toda a jornada, da experiência de compra ao pós-venda. É uma mudança importante porque desloca a competição do marketing para a eficiência operacional, para a inteligência de dados e para a construção de relacionamento de longo prazo com o consumidor”, afirma.
Categorias e produtos mais representativos no semestre
Na análise por categorias, Moda e Acessórios permaneceu como o segmento mais representativo, com faturamento de R$ 19,3 bilhões no primeiro semestre, à frente de Eletrodomésticos (R$ 19,2 bilhões), Saúde (R$ 15,5 bilhões), Eletrônicos (R$ 14,4 bilhões) e Telefonia (R$ 14 bilhões).
Impulsionada pela venda de canetas emagrecedoras, que faturaram R$ 6,1 bilhões e tiveram alta de 213%, a categoria de Saúde foi a que mais cresceu no período: 45,8% em relação ao ano passado. Em seguida vieram Casa e Construção (+26,9%), Moda e Acessórios (+23,1%) e Esporte e Lazer (+20,9%).
Analisando mês a mês, maio foi o mês que apresentou o melhor desempenho em faturamento, com R$ 38 bilhões. O maior pico de vendas em um único dia ocorreu na data dupla de maio, o 5/5. As promoções do setor, aliadas à proximidade ao dia das mães, fizeram com que o e-commerce nacional atingisse 12,2 milhões de unidades vendidas e um faturamento de R$ 1,88 bilhão.
O impacto da Copa do Mundo no setor
A Copa do Mundo influenciou positivamente o semestre, com destaque para a subcategoria de televisores, cujo faturamento atingiu 9,2 Bi (+28,9% YoY). O resultado foi impulsionado pela busca por modelos de tela grande (50-59″) e uma explosão de 165,1% nas vendas de aparelhos acima de 70 polegadas, enquanto TVs de até 32 polegadas perderam relevância.
O maior evento esportivo do planeta também influenciou o e-commerce de vestuário esportivo, que teve alta de 139,3% no semestre, atingindo R$ 1,9 bilhão em faturamento. A categoria de camisas esportivas, sozinha, faturou R$ 1 bilhão (+73,7), com a camisa da seleção brasileira saltando de 5,1% para 48,7% de participação nas vendas logo após o lançamento do uniforme oficial.
Os consumidores utilizaram o e-commerce também para comprar figurinhas: mais de 82 mil álbuns e 720 mil pacotes de figurinhas foram vendidos no semestre. Logo nas três primeiras semanas após o lançamento do álbum, o ritmo foi acelerado, registrando uma média de 22 mil envelopes e 1,4 mil álbuns comercializados por dia.
Pós-venda como frente de eficiência e rentabilidade
A partir dos dados proprietários da Aftersale, o estudo também se propôs a traçar uma radiografia sobre o que acontece depois que o pedido chega ao consumidor. No primeiro semestre, 58% das solicitações de devolução resultaram em estorno, enquanto 42% foram convertidas em vale-compras.
Entre os principais motivos para trocas e devoluções, destacam-se problemas de tamanho (55%), seguidos por arrependimento ou desistência (15%), defeitos ou problemas de qualidade (12%), expectativa não atendida (8%), além de problemas logísticos (5%) e envio de produto errado (5%).
A taxa de devolução varia significativamente entre os segmentos do varejo online. Os maiores índices estão em Calçados (16% a 20%), Moda Fitness (15% a 18%), Moda (12% a 18%) e Infantil (12% a 15%). Em contrapartida, categorias como Cama, Mesa e Banho (5%), Cosméticos (4%), Móveis (3%), Eletrônicos (2% a 5%), Pet (2% a 4%) e Livros e Papelaria (1% a 2%) apresentam índices significativamente menores.
Considerando que uma devolução pode consumir até 65% do valor do produto, o pós-venda se torna uma das principais frentes de eficiência e rentabilidade para o varejo digital, segundo Maurício Cwajgenbaum, Head da Aftersale. “Durante muito tempo, a devolução foi tratada como um problema inevitável. Hoje, ela precisa ser tratada como parte estratégica da operação. Uma logística reversa bem estruturada recupera valor, reduz desperdício, melhora experiência e protege a margem”, diz.
Quando dados se transformam em inteligência
Integrante do ecossistema Confi e principal plataforma de conteúdo, comunidade e conexão do grupo, o AI Brasil participa estrategicamente da construção e da amplificação do relatório “Da Compra à Confiança — Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026”. A participação no projeto está diretamente ligada ao papel do AI Brasil como elo entre as iniciativas de inteligência artificial da Confi, uma tecnologia tratada como prioridade transversal para a evolução dos negócios, dos produtos e da capacidade de interpretação de dados do grupo. Além de contribuir para a articulação editorial do estudo, o AI Brasil levará o debate ao seu palco no Fórum E-commerce Brasil, conectando os resultados a empresas, especialistas, lideranças e profissionais do mercado.
Com uma comunidade de mais de 10 mil membros, o AI Brasil atua para transformar a inteligência produzida pela Neotrust e pela Aftersale em conteúdo acessível, debate qualificado e conhecimento aplicável. O relatório monitora a evolução do setor a partir de transações reais realizadas por mais de sete mil lojas parceiras e reúne análises sobre as compras e o perfil de mais de 85 milhões de consumidores digitais.
Para Rodrigo Righetti, co-CEO do AI Brasil e responsável pela concepção editorial e articulação do projeto, o principal valor do estudo está em conectar diferentes perspectivas da jornada de consumo e transformá-las em uma leitura útil para o mercado.
“Mais do que reunir números, este projeto foi construído para oferecer uma visão integrada do e-commerce brasileiro. A Neotrust mostra o que o país comprou, a Aftersale revela o que acontece depois da venda, e a Confi conecta essas inteligências para compreender a jornada de consumo de forma mais completa. O papel do AI Brasil é ampliar essa conversa e fazer com que esse conhecimento chegue a mais empresas, profissionais e lideranças. Quando os dados ganham contexto, deixam de explicar apenas o passado e passam a orientar decisões mais seguras para o futuro”, afirma.

