02 abr, 2026
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Afiliados são o novo marketing de influência? Varejo, D2C e viagens apontam que sim

Com aumento da diversificação digital e foco em performance, canal atrai mais investimentos de marcas e acelera conversões em setores estratégicos

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Afiliados são o novo marketing de influência? Varejo, D2C e viagens apontam que sim

O comércio eletrônico brasileiro deve movimentar R$ 224,7 bilhões em 2025, alta de 10% em relação ao ano anterior, segundo dados da ABComm. O avanço reflete metas mais ousadas dos lojistas, que buscam canais de aquisição mais eficientes, escaláveis e com melhor controle de investimento. Nesse cenário, o marketing de afiliados tem ganhado protagonismo, consolidando-se como uma das frentes que mais crescem no país. Dados da Awin, uma das maiores plataformas globais do setor, apontam que os segmentos de varejo, D2C (Direct to Consumer), viagens, farmácia/cosméticos e moda lideraram o crescimento em volume de afiliados e conversões no primeiro semestre de 2025.

A alta reflete uma mudança no comportamento de consumo e nas estratégias das marcas. De um lado, os consumidores estão mais atentos a benefícios reais, como cupons, cashback e indicações de confiança feitas por criadores de conteúdo. De outro, os anunciantes buscam alternativas mais rentáveis e escaláveis à mídia paga tradicional — e encontram no marketing de afiliados um canal com alto poder de conversão. Esse movimento também transformou o perfil dos afiliados: antes dominado por grandes plataformas de desconto, o setor passou a incluir influenciadores, canais especializados em reviews, comparadores e newsletters focadas em curadoria. “Os afiliados que mais performam são os que agregam valor real à jornada de compra, mostram o produto e explicam como ele funciona, como usam e quanto é benéfico. Quando cashback e cupons se somam à recomendação qualificada e ao conteúdo relevante, o impacto é muito maior”, afirma Luiz Mansanaro, diretor da área de serviços dos anunciantes da Awin.

Por operar com base em performance, o marketing de afiliados permite que as marcas paguem apenas pelos resultados gerados, ou seja, o investimento está diretamente atrelado a geração de receita. Importante ressaltar que dentro deste canal, há veiculação de ofertas que impactam usuários que não estão na jornada de compra, sendo assim, o canal tem uma capacidade de geração de venda mais estratégica para o anunciante, já que há determinadas categorias em que o usuário não busca ativamente online. “Temos visto anunciantes migrando orçamento para o canal de afiliados porque percebem que é possível entregar valor real ao consumidor, seja com uma oferta exclusiva por meio de um criador de conteúdo, seja com um benefício direto via plataformas de cashback ou programas de fidelidade”, explica Luiz.

Setores com mais destaque e evolução

Segundo a Awin, o crescimento no setor de marketing de afiliados tem sido visível em marcas de todos os portes, com destaque para varejistas tradicionais que já tinham campanhas estruturadas e, ainda assim, registraram aumentos superiores a 100% na receita em comparação ao mesmo período do ano passado. Entre as categorias com maior volume de vendas via afiliados estão passagens aéreas, reservas de hotéis, cosméticos, moda (do fast fashion ao sportswear) e, no varejo, eletrodomésticos, eletrônicos, telefonia, informática e climatização. “Não estamos falando apenas de e-commerces emergentes dobrando suas operações, mas de grandes players do varejo e da indústria que, mesmo maduros, estão encontrando no canal afiliado uma frente real de expansão”, afirma Luiz.

Para os próximos meses, a Awin prevê expansão contínua nos setores que já se destacam, especialmente com o amadurecimento das campanhas em viagens e farmácia/cosméticos, além de otimizações nas verticais de varejo, moda e D2C (Direct to Consumer), que já operam em alta performance. “A tendência é clara: marcas querem escala, rentabilidade e incremento de vendas. O canal de afiliados entrega isso com inteligência, flexibilidade e mensuração. Por isso, acreditamos que o crescimento que observamos em 2025 não é pontual — é uma mudança estrutural de como se faz performance no Brasil”, conclui Luiz.

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