11 jun, 2026
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Mais da metade dos trabalhadores no varejo convivem com sentimentos de ansiedade, angústia ou apatia

Setor apresenta os piores índices de saúde física, mental e financeira entre todos os analisados no estudo Check-up de Bem-Estar 2025

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Ansiedade, esgotamento e sensação de estagnação marcam busca por autoterapia no início de 2026

O setor varejista brasileiro enfrenta um cenário alarmante de saúde e bem-estar entre seus profissionais. A terceira edição do Check-up de Bem-Estar 2025, maior pesquisa de bem-estar corporativo do país, conduzida pela Vidalink, revela que 40% dos trabalhadores do varejo não fazem nada pela saúde mental, 48% têm vida financeira ruim e 68% não praticam exercícios físicos. Além disso, 65% convivem com sentimentos de ansiedade, angústia ou apatia, e apenas 19% estão satisfeitos com o próprio bem-estar geral.

O estudo analisou dados de 11.600 colaboradores de 250 companhias de grande porte, de diferentes setores, que responderam a um questionário online entre janeiro e junho de 2025.

A rotina intensa e a pressão por resultados estão entre os fatores que explicam a sobrecarga emocional e física do varejo. Seis em cada dez profissionais afirmam passar a maior parte do dia no trabalho, um índice superior ao de outros setores como serviços (50%), indústria (45%) e tecnologia (45%). A consequência aparece também na qualidade do sono: 40% dos profissionais do varejo estão insatisfeitos com o descanso noturno, contra 25% na indústria.

Segundo Lina Nakata, professora, pesquisadora e consultora em Gestão de Pessoas e Diversidade, Equidade e Inclusão, a escala de trabalho típica do varejo é um dos principais fatores de desgaste. “A escala 6×1 impacta diretamente a saúde mental e física, pois representa 50% menos descanso em comparação com dois dias de folga. Somado à pressão por metas e ao contato constante com o público, o resultado é um alto nível de estresse e esgotamento.”

Na análise comparativa, a indústria apresenta os melhores índices de satisfação geral (32%), seguida por serviços e tecnologia (23%). O varejo, com apenas 19% de satisfação, aparece na última posição em praticamente todos os indicadores avaliados — da saúde física ao equilíbrio emocional.

Para Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink, o cenário é um alerta para o futuro das relações de trabalho no país. “O varejo é um dos setores que mais emprega no Brasil, mas também um dos que mais sofre com a sobrecarga e a falta de práticas de autocuidado. Investir em programas estruturados de bem-estar e saúde mental é essencial para preservar o capital humano e a sustentabilidade das operações”.

Os dados reforçam a urgência de repensar políticas corporativas e modelos de gestão no varejo. “Em um ambiente de alta rotatividade e metas agressivas, priorizar o descanso, o equilíbrio e a saúde emocional dos colaboradores pode ser o primeiro passo para reverter esse quadro” finaliza Gonzalez.

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