63% dizem “não”: o medo ainda trava o crédito entre pessoas físicas
Maioria dos consumidores afirma que não emprestaria o nome a terceiros, mesmo com crescimento do crédito informal entre familiares e pessoas próximas
Envato
Embora o empréstimo de nome venha ganhando espaço como alternativa informal de acesso ao crédito no Brasil, a maior parte da população ainda resiste à ideia de assumir esse risco. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 63% dos consumidores não aceitariam emprestar seu nome para outra pessoa fazer compras, contratar crédito ou financiar bens.
O dado revela que, apesar de relativamente disseminada, a prática ainda enfrenta uma forte barreira de confiança e percepção de risco entre os brasileiros.
Emprestar o nome significa assumir integralmente a responsabilidade legal por uma dívida feita por outra pessoa. Na prática, qualquer atraso ou inadimplência recai diretamente sobre quem cedeu o crédito.
Esse risco ajuda a explicar por que a maioria dos consumidores ainda prefere não participar desse tipo de operação, mesmo quando o pedido parte de familiares ou pessoas próximas.
Mais do que uma decisão financeira, trata-se de uma escolha que envolve potencial desgaste emocional e risco de ruptura nas relações pessoais, especialmente quando a dívida não é honrada conforme combinado.
Quando aceitam, brasileiros preferem modalidades de menor exposição
Entre os 37% que aceitariam emprestar o nome, a preferência recai majoritariamente sobre o cartão de crédito, citado por 25% dos entrevistados.
A escolha sugere uma busca por modalidades percebidas como mais controláveis, nas quais o credor consegue acompanhar melhor o valor utilizado, limitar o montante emprestado e manter maior previsibilidade sobre os pagamentos.
Em contrapartida, operações mais robustas e de longo prazo, como empréstimos pessoais, crediários e financiamentos, aparecem com adesão significativamente menor.
Resistência mostra que crédito informal ainda opera em ambiente restrito
Para o varejo e para o mercado de crédito, o dado mostra que, embora o crédito entre pessoas físicas esteja presente na dinâmica de consumo, ele ainda funciona dentro de limites bastante restritos.
Sua expansão depende menos de necessidade econômica e mais da existência de relações de confiança muito específicas, normalmente concentradas no ambiente familiar.
Isso significa que, embora relevante, o crédito informal entre pessoas físicas ainda está longe de representar uma solução amplamente disponível para quem enfrenta restrições no sistema tradicional.

