Movimento Varejo

Atacado distribuidor cresce 5,2% e fatura R$ 287,8% em 2020

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O estudo do Ranking ABAD/Nielsen 2021 – ano base 2020, realizado pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD) em parceria com a consultoria Nielsen, registra para o setor atacadista e distribuidor brasileiro crescimento de 5,2% em 2020, em termos nominais, com faturamento de R$ 287,8 bilhões, a preço de varejo. Em termos reais (número deflacionado), o crescimento foi de 0,7%, o que garantiu ao setor a participação de 51,2% no mercado mercearil nacional, avaliado pela Nielsen em R$ 562,3 bilhões no ano passado. Com pequena redução em relação ao ano anterior, essa participação permanece robusta e abrange mais de 50% do mercado pelo 16º ano consecutivo.

O Ranking ABAD/Nielsen, publicado desde 1994, analisa anualmente os resultados e a atuação dos agentes de distribuição de todo o país, com informações relevantes para orientar planos estratégicos e investimentos do Canal Indireto.

Os números apontam que a amostra formada pelas 660 empresas participantes do estudo faturou R$ 165 bilhões em 2020, representando uma fatia de 49,2% do faturamento total do setor, a preço de varejo. Os respondentes da pesquisa estão assim distribuídos: 136 do Centro-Oeste, 234 do Nordeste, 92 do Norte, 80 do Sudeste e 118 do Sul do País.

Quanto às modalidades, 73% (476) dos respondentes afirmam atuar no modelo distribuidor com entrega; 52% (337) afirmam atuar no modelo atacado generalista com entrega; 31% (203) afirmam atuar no modelo atacado de balcão; 11% (74) afirmam atuar no modelo atacado de generalista de autosserviço e 8% (50) afirmam atuar no modelo agente de serviços.

Quanto à área de atuação, os atacadistas geralmente concentram sua atividade em sua região de origem. Mais da metade das empresas (53%) atua em apenas um estado, mas responde por 19,8% (R$ 32,7 bi) das vendas totais. Outros 4% atuam em 10 ou mais estados, respondendo por 44,4% (R$ 73,2 bi) das vendas totais. Apenas 1% dos atacadistas atuam em todos os estados, mas respondem por 39,6% (R$ 63,8 bi) das vendas totais.

Participação de mercado
Nelson Barrizzelli, coordenador de projetos da Fundação Instituto de Administração (FIA) e responsável pelas análises do Ranking ABAD/Nielsen, aponta que o recuo de 1,8 ponto percentual na participação do setor (de 53% para 51,2%) reflete parte da perda resultante do fechamento de bares, restaurantes e lojas de cosméticos ao longo de 2020. Para o consultor, o peso do setor no abastecimento de supermercados, farmácias, padarias, mercearias e açougues, que permaneceram abertos, compensou a perda de faturamento com os pontos de vendas que ficaram fechados.

A Nielsen aponta que os varejos tradicionais (com cobertura de 95% do setor) retraíram 0,4% e bares/restaurantes (85% atendido pelo atacado) apresentaram queda de 18,6% em 2020. Por outro lado, o segmento de farmacosméticos aponta alta de 4,5%, e o de autosserviço pequeno (mercados com até mil metros quadrados) teve crescimento de 10% no mesmo período.

Otimismo
Apesar da permanência da pandemia no primeiro semestre, o presidente da ABAD, Leonardo Miguel Severini, prevê para este ano o incremento das vendas, dada a importância do setor para o abastecimento. “Temos confiança em continuar crescendo, mesmo porque lidamos com alimentos de primeira necessidade. E vamos em busca desse desempenho, melhorando ainda mais a qualidade da entrega, a disponibilidade de produtos e o zeramento da ruptura”, afirma.

Ele também reforça a importância do estudo anual para o setor. “Os números, as análises e tendências trazidas pelo Ranking vão ser primordiais para atingir esse nível de excelência na prestação do serviço, mostrando para o nosso cliente e para o nosso parceiro/fornecedor a força do setor atacadista distribuidor”, diz.

Crescimento das modalidades
Esta edição do Ranking ABAD/Nielsen mostra que os atacadistas de autosserviço são os que mais crescem, influenciados pela dinâmica de abertura de novas lojas e por estarem abertos num momento de pandemia, enquanto outros tipos de comércio permaneceram fechados. O crescimento da modalidade entre 2019 e 2020 foi de 24,9%, atingindo faturamento de 64,7 bilhões de reais. O atacado de autosserviço é também a modalidade que mais oferece postos de trabalho.

A modalidade distribuidor apresentou crescimento de 20,2%, com faturamento de 47,8 bilhões de reais, enquanto o atacado generalista com entrega evoluiu 18,2%, atingindo 46,2 bilhões de reais. O atacado de balcão cresceu 22,8%, para 5,2 bilhões de reais, e os agentes de serviços alcançaram 1 bilhão de reais, com crescimento de 18,5%.

Participação das modalidades no faturamento
Segundo a pesquisa, o atacado de autosserviço é o modelo de operação que responde pela maior fatia do faturamento, com 39,2% do total, seguido pelo distribuidor (29%) e pelo atacado generalista com entrega (28%). O atacado de balcão responde por 3,2% do tal, enquanto aos agentes de serviços cabe uma fatia de 0,6%.

Participação das regiões por modalidade
Na modalidade distribuidor, o Nordeste é a região que detém o maior faturamento, com participação de 30,8% do total. A segunda maior participação é do Sudeste, com 25,3%, seguido das regiões Sul, com 19%; Centro-Oeste, com 16,2%; e Norte, com 8,7%.

Em relação ao atacado generalista com entrega, o Sudeste entra com a maior participação no faturamento, que corresponde a 31,4%. O Nordeste participa com 26,5% do faturamento. Já o Sul corresponde a 17,4% do total, enquanto Centro-Oeste e Norte contribuem com 12,6% e 12,1%, respectivamente.

O faturamento do atacado de autosserviço tem 48,8% de participação da região Sudeste, mesmo sem contabilizar os números do Atacadão. O Nordeste contribui com 19,9% do total, e a região Norte, com 15,4%. O Centro-Oeste participa com 14,2%, e o Sul, com 1,7% do faturamento da modalidade.

O atacado de balcão tem no Norte seu maior destaque: a região corresponde a 39% do faturamento da modalidade no país. O Nordeste também comparece com significativa contribuição de 33,4%. A região Centro-Oeste contribui com 13,4% do total, enquanto Sudeste e Sul respondem, respectivamente, por 10,6% e 3,5%.

Na modalidade agente de serviços, a maior participação é da região Sul, que detém 40,2% do faturamento total. A região Norte responde por 24,3%, seguida das regiões Nordeste (15%), Centro-Oeste (13,6%) e Sudeste (6,9%).

Tendências e perspectivas
O setor como um todo se apresenta otimista com o ano de 2021, de modo que 72,4% dos pesquisados acreditam em expansão da base de clientes, 80,3% esperam aumento no faturamento e 73,2% acreditam em elevação no volume. Ainda indicando perspectiva de crescimento, com otimismo mais moderado, 59,7% dos participantes da pesquisa veem aumento da rentabilidade e 52,9% esperam atuar com maior número de fornecedores.

Outra tendência apontada na pesquisa é a aposta em produtos de marca própria. Do total de 660 respondentes, um quarto (171) afirma que trabalha com essa linha, que representa 5,3% (R$ 8,7 bilhões) do faturamento total da amostra. Cerca de 50% desse montante é realizado pelo distribuidor com entrega.

Quanto às intenções de investimentos, o quesito que concentra as maiores perspectivas de aumento é o e-commerce, com 54,2% dos pesquisados, e novos formatos de negócios, mencionado por 49,2% das empresas. Para os demais investimentos, a previsão majoritária é de estabilidade.

Fonte: ABAD

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