Tendências e Inovação

Comércio de rua e a cultura da pechincha no Brasil

Preços em conta e variedade de artigos são convidativos para o período natalino, mas a informalidade e a falta de segurança ainda são os principais entraves desse nicho de mercado do varejo nacional

A economia brasileira vem respirando por aparelhos desde o ano de 2014. A atual situação econômica do país inspira cuidados e, principalmente, planejamento por parte de lojistas e empreendedores, a fim de que seus negócios avancem e não haja ainda mais queda nas vendas. Uma saída para o aumento no faturamento que vem se notabilizando é os street malls ou comércios de rua em regiões com alta densidade populacional. O pequeno e médio lojista enxergam esse filão como uma alternativa para a atual situação pelo seu custo operacional vantajoso e pela sua demanda de menor investimento, se comparado com o trade de shopping centers.

Construídos em espaços rústicos, com acesso a regiões centrais e populares das grandes capitais, os street malls oferecem serviços a preços módicos, que atendem às necessidades básicas do dia a dia do consumidor. Não são exatamente uma novidade, mas ganham mais força em períodos de compras para festas de fim de ano.

Um dos principais modelos desse tipo de negócio é a rua 25 de Março, no centro de São Paulo, com mais de 145 anos de história. A rua nasceu em uma região onde costumava funcionar um porto, do qual partiam mercadorias diversas pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú, mais tarde desviados por conta de problemas com as enchentes.  

Berço do comércio de libaneses no país,a região possui registros históricos que indicam que a primeira loja a ser aberta na região foi a Nami Jafet & Irmãos, em 1893. Rapidamente, o comércio na região prosperou. Em 1901, já existiam centenas de pequenas lojas instaladas no local. Conhecida pelos bons preços e pela variedade de produtos,hoje a rua chega a atrair mais de um milhão de pessoas por dia nas datas mais movimentadas, segundo a União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências.

Custo para o lojista

O investimento em um street mall pode ser seguro e rentável,embora tenha retorno em médio e longo prazo. Investir em lojas de rua organizadas pode ser uma saída interessante frente a uma loja isolada, uma vez que, mesmo em épocas de crise, quando o comércio tende a ter um desempenho mais fraco, a ocupação dos comércios de rua de qualidade costuma se manter. Esses centros comerciais normalmente têm um público fiel, geralmente composto pelos moradores do entorno já habituados a resolver demandas do dia a dia.

Outro polo de comércio de rua está no Rio de Janeiro, no Saara Shopping. Esse mercado de rua ocupa vários quarteirões no Centro da cidade. A região concentra lojas de roupas, brinquedos, acessórios para Carnaval e artigos de festas a preços acessíveis, além de abrigar tradicionais restaurantes árabes.

A palavra “Saara” significa Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega, uma associação formada em 1962 pelos comerciantes da área. São 1.200 lojas em 11 ruas, que têm no Natal seu período de maior circulação de consumidores, chegando a um milhão de pessoas por dia. O local é uma miríade de armarinhos, lojas de confecção, brinquedos,bijuterias e muitos outros artigos.

Quanto à segurança, é uma região bem movimentada durante o horário comercial e relativamente segura, mas é bom ficar de olho nos pertences, porque, como em todo lugar com muita gente, sempre há aqueles que se aproveitam da distração alheia para cometer pequenos furtos.

Entre as recomendações, se estiver de mochila, use-a na parte da frente. Se precisar falar ao celular, entre primeiro em um estabelecimento, para só então atender a chamada.

A visão da clientela

No Nordeste, uma famosa feira de rua fica no Centro de Fortaleza, com uma peculiaridade marcante: o horário de funcionamento. A Feira da Madrugada funciona das 4 h ao meio-dia e oferece produtos com preços bem mais em conta, para quem não tem muito tempo no horário comercial.  A feira ganhou adeptos e muitos clientes gostam da iniciativa dos lojistas e feirantes.

A professora universitária Creuza Maria Silveira frequenta a feira há dois anos e a recomenda: “Tem produtos muito baratos e o clima é mais ameno, embora ache mais perigoso, nunca vou só, de preferência com um homem”. Segundo ela, o serviço mais interessante é a venda de produtos manufaturados pelos próprios vendedores, sem atravessadores e por um preço menor. Contudo, ela acredita que tem margem para melhorar a segurança do local. “Os feirantes não oferecem novidades o tempo todo, mas o preço é muito convidativo”, destaca.

Em Curitiba, um ponto turístico

Localizada na rua Visconde de Nácar, a Rua 24 Horas de Curitiba é um dos principais pontos turísticos da capital paranaense. Inaugurada em 1991, foi a primeira rua a oferecer serviços dia enoite sem fechar as portas. Ficou fechada por um tempo e, em 2010, passou por uma revitalização, sendo reaberta em 2011. O horário de funcionamento mudou e hoje a rua não funciona mais 24 horas, mas o nome foi mantido. O complexo funciona das 8h às 23h e, em média, 25 mil pessoas passam por lá diariamente.

“A Rua 24 Horas é um ponto de encontro para estar com amigos, tomar um chope, um café, adquirir uma lembrança da cidade, com a vantagem de ser um espaço aberto que deixa o visitante mais livre que em um shopping, tudo isso sem abrir mão da segurança, pois dispomos de vigilância em período integral e circuito de câmeras”, explica Marcos Camargo, administrador do espaço. 

O projeto arquitetônico da Rua 24 Horas conta com estrutura formada por 32 arcos de material metálico tubular revestidos por vidro com dois relógios, um em cada entrada, que contam as hora sem 24 intervalos. Todo o teto é feito de vidro, o que deixa o ambiente iluminado, conferindo a sensação de espaço aberto.

“Além de receber muitos turistas,percebemos que os moradores de Curitiba têm se apropriado da Rua 24 Horas e frequentado cada vez mais o espaço, o que valoriza o local e é muito bom para o comércio”, comemora Volnei Tregansin, dono de uma chocolateria no endereço.

Pelo Brasil

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