22 jul, 2026
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Crescer no Brasil ainda é difícil: 93% das empresas enfrentam barreiras relevantes

Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil revela que entraves estruturais seguem limitando a expansão dos negócios, mesmo em um cenário de retomada moderada das vendas

Envato
Empresas obtêm mais lucro com ambidestria

Empreender no Brasil continua sendo um exercício de resistência. Apesar de sinais pontuais de recuperação no faturamento e do esforço de adaptação por parte dos empresários, o ambiente de negócios segue marcado por obstáculos históricos que dificultam o crescimento sustentável das empresas. É o que mostra a pesquisa “Gestão e confiança do empresário”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.

De acordo com o levantamento, 93% das empresas afirmam enfrentar barreiras relevantes ao crescimento. O dado, praticamente unânime, revela que as dificuldades não são pontuais nem restritas a setores específicos — elas fazem parte da rotina do empresariado brasileiro.

Entre os principais entraves apontados, os altos custos trabalhistas e a tributação sobre a folha de pagamento lideram, citados por 34% dos empresários. Logo em seguida aparece a carga tributária elevada, mencionada por 32%. Juntos, esses fatores reforçam uma percepção já conhecida: crescer, contratar e formalizar no Brasil ainda custa caro.

A dificuldade de acesso ao crédito também surge como barreira importante para 19% das empresas, especialmente entre pequenos negócios e empreendedores do interior do país. Em um ambiente de juros elevados e exigências rigorosas, muitas empresas simplesmente não conseguem financiar expansão, modernização ou capital de giro.

Ambiente externo desfavorável amplia a cautela

O cenário macroeconômico contribui para essa sensação de dificuldade. A pesquisa mostra que 50% dos empresários acreditam que a economia brasileira piorou nos últimos seis meses, enquanto apenas 20% enxergam melhora, índice que caiu em relação a 2024. O aumento do pessimismo se reflete diretamente nas decisões de investimento e contratação.

Não por acaso, 61% dos empresários afirmam que não pretendem contratar crédito nos próximos 90 dias, sinalizando uma postura defensiva. O foco, neste momento, é manter a operação funcionando, controlar custos e evitar riscos maiores.

Apesar das barreiras, a pesquisa também aponta sinais de reação. 51% das empresas registraram aumento de vendas ou faturamento no primeiro semestre, e 48% realizaram algum tipo de investimento no período. No entanto, esse crescimento não foi suficiente para garantir estabilidade financeira para todos.

Quase metade dos empresários (45%) precisou cortar orçamento, 25% enfrentaram meses consecutivos no vermelho e 15% realizaram demissões. Os dados mostram um cenário ambíguo: há movimento e esforço, mas com margem curta e pouca segurança para avançar.

Gestão conservadora como resposta

Diante de tantas incertezas, a resposta predominante tem sido a gestão conservadora. Os empresários seguem investindo, mas de forma cautelosa e muitas vezes defensiva, priorizando estoque, manutenção do espaço físico e ajustes operacionais, em vez de planos mais agressivos de expansão.

Esse comportamento ajuda a explicar por que, mesmo com crescimento pontual, a geração de empregos permanece limitada e o ritmo de expansão segue lento.

Entraves antigos, impacto atual

O dado de que 93% das empresas enfrentam barreiras relevantes reforça um diagnóstico conhecido, mas ainda não superado. Custos elevados, complexidade tributária, dificuldade de crédito e insegurança econômica formam um ambiente que exige do empresário brasileiro mais resiliência do que estratégia.

Enquanto esses entraves persistirem, crescer continuará sendo um desafio — não por falta de iniciativa ou esforço, mas por um contexto que impõe limites claros à ambição empresarial.

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